Revista ADEGA

As conchas de Sydney

Opera House, um dos maiores simbolos da Austrália, foi criada para se tornar um marco mundial

Fernando Moura em 30 de Junho de 2010 às 13:34

Projeto do dinamarquês Jorn Utzon venceu o concurso para construir a casa de ópera de Sydney, local que se tornaria símbolo da Austráia

Austrália é sinônimo de cangurus, coalas, surfistas, aborígenes. Porém, uma das primeiras imagens que vem à mente quando se pensa neste país da Oceania, é o prédio do Opera House de Sydney, que junto com a ponte Harbour Bridge completa o cartão postal da cidade. Tanto que muitos acreditam que ela é a capital australiana, esquecendo-se de Camberra. A curiosa forma de seus telhados (em concha) e a privilegiada posição em que está situada, faz da Ópera de Sidney um ícone da Austrália e a uma das imagens mais conhecidas do mundo.

Por ser uma jovem colônia inglesa, habitada apenas por aborígenes há apenas 230 anos, a Austrália não tinha uma grande obra de referência do país, como são as pirâmides no Egito, o coliseu na Itália, a torre Eiffel na França etc. Por isso, o governo do estado australiano de New South Wales declarou, nos anos de 1950, disponibilizar fundos para a construção de uma grande obra, que seria chamada de Sydney Opera House. O projeto arquitetônico foi escolhido em um concurso internacional, vencido pelo arquiteto dinamarquês Jorn Utzon, em 1956.

No entanto, a aplicação era considerada impraticável pela falta de capacidade da engenharia na época. Utzon, então, passou alguns anos redesenhando seu projeto, até chegar à solução do principal problema, que era a construção dos telhados, em 1961. Mas, assim mesmo, o alto custo continuou sendo outro problema fundamental, gerando muitas manifestações da população e obrigando o governo a abandonar lentamente o ambicioso projeto. Até que, em 1966, quando houve uma mudança de governo e a Austrália sofreu uma grave crise fianceira, Utzon anunciou oficialmente ter desistido de continuar as obras que já estavam em andamento.

#Q#

Elizabeth II
A partir desta data, um grupo formado por Lionel Todd e David Littlemore e pelo arquiteto do novo governo estadual, Ted Farmer, assumiu a continuação do projeto, completando as grandes paredes de vidro e adicionando três salas que não estavam planejadas antes, abaixo do saguão principal de shows. Tudo isso para que, em 1973, mesmo que ainda inacabada interiormente, a grande obra australiana pudesse ser finalmente inaugurada pela Rainha Elizabeth II (a Austrália é uma monarquia ligada à Grã-Bretanha), com a apresentação da ópera "Guerra e Paz", do russo Sergei Pokofiev.

Após muitas mudanças do projeto original, Jorn Utzou voltou a comandar os estudos de manutenção do Opera House em 1999, tendo como principal objetivo assegurar que não houvesse qualquer nova mudança de sua visão inicial e manter a integridade arquitetônica da casa. Seu primeiro passo nesta volta foi a readaptação do saguão de recepção ao projeto original, criando uma grande iluminação natural e uma vista expandida para todo canal. Esta sala, que, em 2004, acabou sendo renomeada como Utzon Room, foi apenas a primeira de muitas importantes manutenções realizadas pelo arquiteto dinamarquês, até sua morte, em 2008.

Portentoso
Além de seu imenso reconhecimento, o Sidney Opera House possui números impressionantes. Seu telhado é constituído por um milhão de tijolos que pesam por volta de 15 toneladas e são sustentados por 350 quilômetros de cabos de aço. Em toda a casa, são 6225 metros quadrados de vidro que compõe as imensas paredes e 645 quilômetros de cabos elétricos para manter a iluminação.

Hoje a Ópera de Sydney é considerada uma das maiores e mais impactantes construções urbanas do século XX. Graças a diversas pessoas, mas, principalmente, a Jorn Utzon, a Austrália conta hoje com este gigante ponto turístico que atrai, por ano, mais de 2.500 eventos assistidos por aproximadamente 1,5 milhões de pessoas e recebe a visita de 4 milhões de turistas. Com esta grandeza, e notável aparência, tanto durante o dia como à noite, a casa foi inscrita, em 2007, na lista de patrimônio mundial da UNESCO, com a seguinte frase: "Ela representa múltiplas linhas de criatividade, tanto na forma arquitetural como no design estrutural. É uma grande escultura urbana, cuidadosamente posicionada em uma notável área marinha, e edifício ícone, mundialmente famoso".


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