A tradição do luxo inglês


Kate Moss: o rosto da marca

O peso da tradição, sempre a valorizar hábitos, costumes e marcas que prezam o clássico, é uma característica indiscutível dos britânicos. A Burberry está inserida nesse contexto, e o que é melhor, atravessou décadas e hoje continua a ser sinônimo de bom gosto e tradição com seu indefectível xadrez.

A empresa tem início em 1856, quando o jovem Thomas Burberry abriu sua primeira loja em Hampshire. Um dia, ao perceber que pastores e fazendeiros locais usavam aventais de linho, frescos no verão e quentes no inverno, ele tentou aplicar os mesmos princípios em outras roupas. Em 1879, Burberry desenvolveu um tecido à prova d’água cujo fio passava por um processo antes da tecelagem, em uma fórmula secreta criada por ele. O material, muito resistente, era ao mesmo tempo fresco e respirável. Nasceu, dessa forma, o “gabardine”, registrado como marca.

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Na virada do século, surgiu a primeira capa de chuva em gabardine da Burberry. Pelo seu design diferenciado das outras roupas, foi chamado de The Slip-on, disponível em cinco categorias baseadas nas variações de peso: Airylight, Duble-weave, Karoo, Wait-a-bit e Tropical. Com o surgimento do automóvel, Thomas Burberry criou longos casacos. Os masculinos foram criados de forma que pudessem ser colocados em volta das pernas para proteger contra o frio em viagens longas. Em 1901, ele desenhou a capa de chuva que se tornou um estilo usual para oficiais, o Trench Coat, adaptado para incluir a dragona, cintos e fivelas.

A partir daí, as roupas da Burberry começaram a ser cada vez mais utilizadas, e marcou presença em fatos históricos da humanidade. O explorador norueguês Roald Amundsen, quando foi ao Pólo Sul, escolheu as roupas da Burberry, e as elogiou em uma carta: “Prezados senhores, meus profundos agradecimentos, o macacão da Burberry foi feito para uso extensivo durante a jornada de trenó ao Pólo e demonstrou de fato ser um autêntico companheiro”.

Após esse fato, aviadores e balonistas escolheram a Burberry como marca obrigatória. O capitão Sir John William Alcock e o tenente Arthur Whitten Brown usaram o kit da Burberry quando se tornaram os primeiros homens a voar sobre o Atlântico, em 1919. Em carta ao criador da marca, Sir. John disse: “Eu estou escrevendo para lhe dizer o quanto a Burberry demonstrou ser satisfatória com o que eu pedi para o vôo do Atlântico. Ainda que em contínua neblina, chuva ou granizo, eu me mantive aquecido, seco e o mais confortável possível sob essas condições”.

O xadrez que era moda na década de 60, continua elegante no século XXI

O Xadrez como marca registrada
O famoso xadrez da Burberry foi, primeiramente, introduzido como forro para as capas de chuva produzidas em 1924. O xadrez bege, preto, vermelho e branco saiu dos forros e passou a ser utilizado em outras peças, tornando-se um sinônimo internacional da marca. A partir dos anos 50 e 60, o Trench Coat da Burberry foi usado por ícones do cinema em clássicos absolutos: vestiu Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em Casablanca; Audrey Hepburn no incrível figurino de Bonequinha de Luxo; e Peter Sellers nos filmes da Pantera Corde- Rosa.

Nos anos 90, a marca precisou se atualizar para competir com outras grandes grifes mundiais. Em 1997, o grupo Great Universal Stores, que detém a maior parte das ações da Burberry, convidou a americana Rose Marie Bravo, presidente da loja de departamentos Saks Fifth Avenue, para ser a executiva-chefe da marca. Ela procurou o que havia de mais sofisticado no mercado, contratou o conceituado fotógrafo Mario Testino para cuidar das campanhas publicitárias e recrutou Kate Moss para ser o rosto da marca. Foi um sucesso. A grife, sempre fincada na tradição, ganhou ares de modernidade e sofisticação, numa perfeita sintonia entre o tradicional e o casual.

Em 2001, o talentoso Christopher Bailey assumiu a função de Diretor Criativo da Burberry. O estilista já havia trabalhado com as grifes Gucci, Donna Karan e Tom Ford e, na tradicional marca inglesa, criou acessórios modernos e estilosos. Em 2006, a Burberry comemorou 150 anos e, para comemorar a data, a marca fez um suntuoso desfile em Milão com uma de suas melhores coleções. Uma prova de que o clássico, quando atualizado, se mantém atemporal.

Fernando Roveri

Publicado em 12 de Março de 2007 às 08:16


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Artigo publicado nesta revista