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Vinho - 18.Ago - Mercado

Após quebra de expectativas, Bordeaux questiona consumo dos seus vinhos na China


Após quebra de expectativas, Bordeaux questiona consumo dos seus vinhos na China

Divulgação
Mercado chinês é posto em cheque após a quebra de expectativas da campanha 2010 de Bordeaux
Enquanto os châteaus de Bordeaux lançam seus vinhos a preços recordes e um número de consumidores fieis nos Estados Unidos decidiu não comprá-los,  a maioria dos analistas acreditavam que a China faria a diferença.

A sede do país pelo top de linha de Bordeaux tem crescido nos últimos cinco anos. Esse era supostamente o ano em que a China lideraria uma das campanhas mais lucrativas já feitas.

"Nós tivemos uma ótima campanha", disse Jean-Pierre Rousseau, diretor do Diva. "Nós fizemos como no ano passado. Mas acima de tudo, nós vendemos muito pouco vinho - poucas marcas e menos volume de cada uma".

Segundo o Wine Spectator, sim, essa foi a campanha mais rentável e sim, a China merece muitos dos créditos. Mas a campanha não foi o sucesso que muitos esperavam que seria.

Os maiores produtores de Bordeaux lançaram a safra 2010 a preços recordes, mas a estratégia de preços dos châteaus falhou em diversas maneiras. Comerciantes disseram que enquanto alguns dos principais nomes vendiam facilmente, outros que costumam ser os mais vendidos nem foram demandados.

Quanto à China, muitos châteaus definiram eles mesmos os preços fora dos EUA e da Europa, e falharam em atrair os chineses. "Seria errado dizer que os clientes de lá saem comprando tudo. Isso não é verdade", disse o comerciante Philippe Laqueche, gerente do Yvon Mau, cujos lucros da campanha 2010 se igualaram aos de 2009. "Acho que a campanha mostra a força das marcas".

A ASC Greater China, importadora de vinhos finos com 23 escritórios na China, aumentou a importação, mas mesmo assim pegou apenas uma fração da oferta. "Nós compramos 70 rótulos, dos quais 30 a 40 foram para a China e o restante foi para Hong Kong", disse o CEO da ASC. "No total nós adquirimos por valor 90% a mais do que no ano passado e a quantidade total subiu pelo menos 70%. Estamos tentando ter mais verba para adquirir vinhos-chave que têm demanda e reconhecimento na China".

A demanda por esses vinhos é feroz, e é improvável que os preços caiam, a não ser que os chineses parem de dar vinhos a parceiros de negócios e funcionários de alto escalão do governo. "O vinho usado para esses propósitos precisa ser bem conhecido na China [como Lafite Rothschild]", explicou George Tong, empresário de Hong Kong, cuja lista de compras incluía os primeiros e segundos vinhos, Le Pin e Pétrus.

À parte das importadoras com grandes redes de distribuição, como a ASC e Aussino, a maioria dos consumidores chineses, muitos dos quais são grandes corporações estão preocupados com o próximo passo: tornar um lucro. "Eles comprara em 2009 e ainda não viram nenhum lucro, e agora com a safra de 2010 eles questionam se eles verão algum lucro novamente. Eles estão certos de serem cautelosos", disse Doug Rumsam, diretor da Bordeaux Index (HK).

Os bordalenses estão apostando muito na China, quando na verdade não se sabe ao certo se esse será um mercado que garantirá o crescente aumento de preços dos vinhos de Bordeaux.

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Redação
Publicado em 18/08/2011, às 08h08 - Atualizado em 27/07/2013, às 13h47


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