Aqui se faz, aqui se consome

Os gregos produzem grandes quantidades de azeite, mas também consomem muito


Fotos: divulgação

Desde os tempos antigos já se produzia o óleo de oliva na Grécia, mais precisamente em Creta. Este óleo foi um dos responsáveis pela fundação da economia cretense, datando sua produção de 1550 a.C. O óleo é tão importante para esse povo que, para demonstrar amizade, existe um provérbio que diz: "Comemos pão e azeite juntos".
Um fato interessante aconteceu nos últimos Jogos Olímpicos sediados em Atenas, em 2004. Houve um acordo em que o vencedor da maratona, uma das provas de maior prestígio olímpico, receberia uma coroa feita com as folhas da oliveira mais antiga da Grécia. Como ninguém conseguiu desvendar qual das duas oliveiras encontradas em Creta era a mais antiga, se a Kolymvári ou a Kavoúrsio, então as folhas da Kolymvári coroaram o vencedor da prova masculina; e as da Kavoúrsio, a da feminina.

Grande produção
Grande consumo

Deixando as curiosidades de lado, a Grécia é hoje o terceiro maior produtor de azeite de oliva no mundo, com cerca de 440 mil toneladas por ano, atrás apefotos: divulgação nas de Espanha e Itália. Agora, quando se trata do consumo per capta, são eles, os gregos, que ficam com a medalha de ouro, consumindo cerca de 20 litros por ano por pessoa. Para se entender esta quantidade, a segunda colocação ficaria com a Itália, mas com uma diferença de quase 7 litros por cabeça.
O óleo de oliva grego não possui uma variedade assim tão vasta, porém apresenta certa qualidade. Apesar de sua produção se encontrar basicamente nas mãos de pequenos produtores familiares, 70% do azeite produzido na Grécia é extravirgem (na Itália este percentual é de 50%). É um óleo muito interessante para ser utilizado em blends, já que não possui um sabor tão forte e distinto.
São estes pequenos produtores familiares que possivelmente nos ajudam a compreender esse consumo tão elevado, pois 42% do consumo origina-se de produções próprias e o restante, em sua maioria, é vendido a granel, tanto para o consumidor final quanto para companhias que o utiliza em blends. Uma baixa porcentagem do óleo grego é envasado.

#Q#

Olivas gregas
Com o azeite grego ocorre algo não muito usual. Em quase sua totalidade é produzido a partir de um mesmo cultivar, Koroneiki, encontrado ao longo de todo o país. Esta variedade possui um frutado presente e é um óleo muito estável, mantendo o sabor e frescor por longo período.

Outros cultivares também podem ser encontrados na Grécia, porém, somente em determinadas regiões como, por exemplo: o Valanoiá, encontrado no norte do país; o Magarítiki (óleo suave), mais ao sul; o Kalamon (conhecido também como Kalamata em outros países onde também existe - como a Argentina e Austrália -, provavelmente as azeitonas de mesa mais apreciadas em todo o mundo), na região de Peloponeso. Além desses, existe o Kolovi, encontrado na ilha de Lesbos, que origina azeites mais amarelados e altamente aromáticos.

Regiões gregas
A oliva é plantada por todo o país, exceto nas montanhas mais altas. A Grécia possui 14 denominações de origem protegida (DOP), encontradas em suas duas principais regiões, Creta e Peloponeso.

Peloponeso
Localizada no sul da Grécia, a região representa 40% da produção grega de olivas e cerca de 36% de seu óleo, a mesma quantidade produzida em Creta. A maior concentração de olivas está mais ao sul da província, sendo as cidades de Kalamata (DOP) e Sparta os mais importantes centros tanto da produção do óleo quanto da oliva de mesa. A região possui seis DOPs, duas delas, Lygourgió Asklipíou e Kranídi Argolidas, encontrados na sub-região de Argolis - sendo utilizadas as olivas Manaki e Koroneiki.

Creta
Desde a antiguidade a olivicultura possui extrema importância econômica nessa região. Ainda hoje, dois terços de suas terras cultiváveis são utilizadas para o plantio de olivas, produzindo cerca de 165 mil toneladas por ano. A produção é toda dividida em pequenas propriedades familiares (cerca de 95 mil famílias). Em um bom ano, 95% do óleo cretense pode ser classificado como extravirgem.
A região possui 8 DOPs. Hanion Krítis e Kolymvári Haníon Kriti, duas dessas denominações, são encontradas em Chanía, e os azeites elaborados basicamente a partir do cultivar Koroneiki, possuindo óleo muito similares. Podemos citar também a DOP Archánes Iráklio Krítis - mais conhecida por seu vinho -, onde o cultivar Koroneiki também é predominante, assim como suas principais características.

#Q#

Prova de azeites gregos

Alessandro Nicola, Luciano Percussi e Gustavo Capuano provaram azeites extravirgem gregos
1) Mykonos Extra Virgem
Produtor: Medolio AS
Região: Lacônia, Grécia
Importador: Casa Flora
Blend: não informado
Acidez máxima: 0,5%
Preço: R$ 28 (250 ml)
Da região do Peloponeso, este azeite apresenta aromas que lembram fruta verde (banana verde), com boa intensidade de sabor e boa persistência. No olfato ainda apresenta um tom cítrico (como casca de bergamota, por exemplo) e grama cortada. Tem corpo excelente, a viscosidade é interessante. Tem bastante polifenóis, com picância suave e amargor residual, permanecendo fresco na boca. Um frutado médio. Deve harmonizar bem com carne de porco (que tal um filet sauté com purê de maçã para combinar com o cítrico e a picância?), um filet mignon e até uma alcachofra fresca.
2) Sofia - Premium Platinum
Produtor:
Hellenic Fine Oils
Região: Krokees, Lacônia, Grécia
Importador: LPH Brasil
Blend: não informado
Acidez máxima: 0,8%
Preço: R$ 24 (500 ml)

Em prova, este óleo de oliva extravirgem se mostrou mais interessante em boca do que no nariz. Portanto, não se engane se ele não apresentar aromas fortes, pois ele tem uma picância boa, que não é forte, mas é bastante perceptível, e um amargor interessante. Também tem um frutado bom, claro, de azeitona. É bastante fluido, lembrando um azeite da Ligúria. Certamente combinaria bem com um peixe. Este azeite vem da região do Peloponeso - que junto com a ilha de Creta representa a maior região de produção de azeites da Grécia -, da DOP de Krokees Lakonias.
João Calderón

Publicado em 5 de Novembro de 2009 às 13:00


Azeite

Artigo publicado nesta revista