Segundo pesquisa, resveratrol não garante a longevidade

Pesquisa revelou que o polifenol encontrado no vinho tinto pode não apresentar as propriedades curativas que tantos outros estudos diziam ter


O consumo resveratrol, um dos polifenóis presentes no vinho tinto, não é garantia de uma vida mais longa, revelou um estudo feito por cientistas norte-americanos divulgado na JAMA Internal Medicine, revista da Associação Médica Americana. 

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Os pesquisadores não identificaram ligação entre os níveis de resveratrol e a longevidade

De acordo com a pesquisa, o resveratrol também não é responsável por ajudar as pessoas a evitarem o câncer ou doenças cardíacas. “Este estudo sugere que o resveratrol não tem uma influência substancial sobre a redução de doenças cardiovasculares e do câncer, bem como não é responsável pela longevidade”, informa a pesquisa liderada por Richard Semba, da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

O estudo foi realizado em 800 pessoas de duas pequenas aldeias na Toscana, Itália, e começou em 1998. A pesquisa mediu os níveis de resveratrol presentes na urina dos voluntários, para identificar se a quantidade de antioxidante recebida pela dieta que contribuiria para a melhoria da saúde.

Os voluntários tinham 65 anos ou mais quando o estudo teve início. Nos nove anos que se seguiram, 34% dos participantes morreram e os pesquisadores não encontraram nenhuma relação entre os índices de mortalidade com a quantidade de resveratrol ingerido.

Os pesquisadores tampouco conseguiram identificar ligações significativas entre os níveis de resveratrol e as possibilidades de se contrair câncer ou doenças cardíacas. "Esses dados são consistente com outros estudos que dizem que o consumo de álcool não tem efeito ou, se há um benefício no vinho tinto, ele parece não ser mediado pelo resveratrol especificamente", disse o cardiologista Blase Carabello, do Mount Sinai Beth Israel.

Para Carabello, a única forma de ter certeza destes resultados seria através de um estudo randomizado. Porém, de acordo com o internista Robert Graham, do Hospital Lenox Hill, em Nova York, os efeitos do resveratrol ainda são um mistério. “Este estudo é um grande exemplo de como é difícil examinar o papel do antioxidante na saúde e na longevidade”, disse Graham, que não fez parte da pesquisa. Segundo ele, "conforme os autores mencionaram na pesquisa, estudar o resveratrol em humanos é desafiador, pois já diferentes taxas de metabolismo, utilização e excreção entre as pessoas".

O mercado de suplementos à base de resveratrol responde por um valor anual de US$ 30 milhões em vendas.

Da redação

Publicado em 28 de Maio de 2014 às 08:44


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