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    Confira seis harmonizações peculiares

    Surpreenda-se com a combinação entre vinhos e pratos de regiões sem tradição vinícola

    por Euclides Penedo Borges

    Os gregos degustam a baclavá com café; os enófilos podem optar por um Late Harvest

    Café, chá ou vinho branco? Saquê, aguardente ou espumante?

    Quando se trata de pratos de regiões sem tradição vinícola, como a dos países asiáticos ou do norte europeu, a escolha da bebida torna-se de múltipla escolha. Exemplos clássicos são as opções entre suco, vodca e champagne para o caviar, ou entre cerveja, saquê e vinho branco para o sushi. Cabe a cada um decidir, com base nas suas preferências, se repete os costumes da região de origem ou se tenta outra coisa, mais familiar.

    Tratando-se de comida oriental, os molhos - curry, chutney, satay - são de tal forma marcantes que, na maioria das vezes, é com eles que a bebida deve se entender. A escolha é dificultada pela presença, no mesmo prato, de ingredientes de sabores opostos, salgadodoces ou agridoces.

    De qualquer forma, os aficionados do vinho acabam por descobrir uma saída para eleger sua bebida favorita. Os exemplos que se seguem dão uma idéia disso e servem de modelo para casos semelhantes.

    Café com baclavá
    Os gregos costumam acompanhar, com café, a baclavá, musse de endro, com queijo de cabra e mel, presente em alguns restaurantes brasileiros. A doçura do prato se contrapõe ao amargor do café e à acidez do queijo. Mas se você está na Grécia e não gosta do estilo de café do país, descubra o prazer de escoltar a baclavá com um moscatel de Patras ou Samos. Salienta a doçura do prato, mas acrescenta nuances florais e cítricas que realçam o conjunto. Fora do país, tente um moscatel de Setúbal, Rivesaltes ou Pantelleria. E no Brasil, um Late Harvest, chileno ou do Vale do São Francisco.

    Chá com dim sum
    Pela tradição oriental, as delicadas entradinhas chinesas dim sum são acompanhadas por chá. Esse costume, ideal para abstêmios, tem a vantagem de dar um toque de leveza ao início da refeição e propiciar uma sensação de bem-estar, introspectiva.

    Se estamos em turma e afim de batepapo, nada nos inibe de acompanhá-las, opcionalmente, com um vinho branco seco, fresco, como os italianos Pinot Grigio ou Orvieto, um Riesling Kabinett, um Chardonnay simples, sem madeira. Ou, melhor ainda, com um espumante brut da Serra Gaúcha. O resultado é semelhante, mas, certamente, mais eufórico.

    Vodca com caviar
    A tradição nos países do extremo norte euro-asiático de alternar Vodca com caviar justifica-se por causa do inverno rigoroso, pois a bebida é perfumada, possui alto teor alcoólico, dissolvendo gorduras, e é um alimento energético que ajuda a suportar o frio.

    Caviar e champagne: casamento sofisticado

    Entre nós, o casamento do caviar torna-se mais sofisticado e harmônico com o Champagne. A perlage e a acidez do espumante, inexistentes na Vodca, inibem a alteração do hálito pelas ovas e equilibra sua untuosidade.

    Aguardente com gravadlax
    Esse prato escandinavo, em que as fatias de salmão são entremeadas com salsa, mostarda e açúcar, também requer bebida bem alcoólica. A aguardente Akvavit é uma companhia popular para ele na Suécia e na Noruega. Uma opção mais light é o saquê gelado.

    A mostarda e o açúcar complicam um pouco a presença do vinho. Se ele for a bebida escolhida, tem que ser um rótulo mais caro: um Chablis Grand Cru, um bom Chardonnay do Novo Mundo ou um Rheingau Riesling de primeira linha. A alternativa é um Champagne Brut Millesimé. Casamento caro, mas imbatível.

    Cerveja com cavalinha
    Na Grã-Bretanha coloca-se a cerveja Guiness a serviço da Cavalinha em conserva. Uma decisão sábia, pois o que se busca nesse caso é sabor, espuma e acidez. Uma companhia tão interessante, ou melhor, seria o Vinho Verde Branco, ácido, com agulha, bem frio. Ou um Muscadet de Sèvre et Maine Sur Lie, com sua agulha discreta.

    Já para a cavalinha defumada, cerveja comum ou aguardente. Para o obcecado por vinhos, Jerez Fino ou Manzanilla.

    Espumantes, a panacéia
    Quando se fala em cozinha oriental, para generalizar sem incorrer em surpresas desagradáveis, há que se recorrer a vinhos que, além de refrescantes, cortem a oleosidade, compensem a doçura e ajustem o hálito. A melhor categoria é a dos espumantes.

    A companhia deles, como alternativa às bebidas usadas na origem, é comum a muitos pratos orientais, uma saída para o impasse criado pelas combinações e pelos molhos ecléticos e marcantes.

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