Revista ADEGA

Eventos do mundo do vinho

Da redação em 22 de Junho de 2015 às 00:00

Levedura de carvalho

Depois dos chips de carvalho e dos saquinhos de carvalho, a indústria parece que logo terá uma nova maneira para dar tons aromáticos típicos da madeira nos vinhos sem precisar que eles fiquem longos tempos maturando em barricas. Um grupo de cientistas da Universidade Politécnica de Madrid pretende criar leveduras com “infusão de madeira”. Eles pegaram leveduras mortas que sobraram da fermentação e as “aromatizaram” em uma espécie de chá de vários tipos de madeira. Essa biomassa foi lavada, desidratada e posteriormente adicionada a tinas de Tempranillo, ficando lá por um mês. Os resultados foram promissores, com os vinhos tendo recebido compostos voláteis e fenólicos geralmente associados a bebidas que passaram por processo de maturação convencional.

Da orelha para a boca

Os pesados acordes de Carmina Burana de Carl Orff podem fazer com que seu Cabernet Sauvignon fique mais encorpado? Segundo uma pesquisa do professor Charles Spence, da Universidade de Oxford, sim. Depois de diversos estudos, ele notou que certos ritmos fazem com que as pessoas sejam remetidas a determinados sabores (doce, salgado, ácido ou amargo) quando provam um vinho. Segundo ele, notas de piano costumam ser associadas a aromas de damasco, frutas vermelhas e baunilha, enquanto que sons de metais remetem a aromas almiscarados, assim como os instrumentos de sopro induzem à acidez, por exemplo. Mais importante também foi notar que os mesmos vinhos degustados às cegas, mas sob influência de músicas diferentes, foram percebidos como sendo diferentes.

Vinho de Shangri-la

Depois de anos investindo na China, em 2015, a Moët Henessy vai lançar um vinho tinto de seus vinhedos cultivados na província de Yunnan, perto da fronteira com o Tibet, não muito distante da cidade de Shangri-la (nome adotado depois do sucesso do romance Horizonte Perdido, em que o autor James Hilton insinua que lá existe um paraíso perdido). O nome do vinho será Ao Yun, que significa nuvem sagrada e se refere à montanha Meili, na qual estão plantados os vinhedos.

Joseph Henriot

Na última semana de abril, Joseph Henriot, presidente do Grupo La Vigie, ao qual pertencem Champagne Henriot, Domaine Bouchard Pére et Fils e William Fèvre, faleceu, aos 79 anos. Ele esteve à frente da Henriot até 1987, quando ela foi vendida para o grupo LVMH. Depois, assumiu a Charles Heidsieck. Em seguida, presidiu a Veuve Clicquot. Em 1994, finalmente recomprou a Henriot e depois passou a investir na Borgonha, adquirindo Domaine Bouchard em 1995 e William Fèvre, em Chablis, em 1998. Era considerado um dos empreendedores mais dinâmicos da região.

Golpe nos Châteaux

Dois homens e uma mulher deram muita dor de cabeça para algumas lojas de vinho e também Châteaux bordaleses no começo deste ano. O trio deu um golpe estimado em 68 mil euros. Sua tática era fingir que estavam comprando vinhos para um casamento suntuoso. Para tanto, pediam os melhores rótulos e compravam em grande quantidade. No Château Chantegrive, por exemplo, “compraram” 20 caixas, dando um cheque “borracha” de mais de 4 mil euros como pagamento. O grupo foi preso no começo de maio quando tentava executar o mesmo golpe em um Château que estava avisado e chamou a polícia.

Cabernet do papa

Os proprietários da Trinitas Cellars, no Napa Valley, Tim e Steph Busch são católicos fervorosos, tanto que, em 2008, lançaram uma coleção chamada Faith (fé) na qual dedicaram um tinto ao então papa Bento XVI, o RatZINger Zinfandel (em referência ao nome de batismo do papa, Joseph Ratzinger). Em 2013, quando o papa Francisco assumiu o Vaticano, eles decidiram que também precisavam homenageá-lo e lançaram o Cabernet FRANCis, um Cabernet Franc de edição limitada (custa US$ 75). No ano passado, o casal levou uma garrafa pessoalmente para o sumo pontífice.

 

Campanha

Não é de hoje que a região da Campanha Gaúcha, na fronteira com o Uruguai, vem sendo comentada por especialistas e, a cada safra, melhores vinhos surgem de suas terras. E, para que mais pessoas pudessem conhecer os projetos existentes por lá, foi organizada nos dias 26 e 27 de maio, a primeira degustação de vinhos da Campanha, realizada em São Paulo. O público pôde conhecer mais 30 rótulos de 11 produtores. O evento serviu também para divulgar e comemorar a parceria entre eles e o Empório Frei Caneca, que passará a comercializar 50 rótulos da Campanha. Segundo Tauê Hamm, vice-presidente da associação, “esse projeto de divulgação e promoção comercial coletiva dos vinhos da região da Campanha em São Paulo, expressa o espírito de cooperação, inovação e empreendedorismo desse grupo de empresas”. ADEGA esteve presente e traz alguns destaques entre os vinhos provados.

AD 88 pontos
BATALHA CABERNET SAUVIGNON 2011
Batalha Vinhas e Vinhos, Campanha Gaúcha, Brasil (R$ 60). Tinto elaborado exclusivamente a partir de Cabernet Sauvignon, com passagem de 85% do vinho em barricas de carvalho durante seis meses. Redondo, de boa tipicidade e gostoso de beber. Tem taninos de boa textura, acidez refrescante e final médio, convidando a mais um gole. Álcool 13,5%. EM

AD 88 pontos
BELLAVISTA DESIRÉE BRUT ROSÉ 2014
Bueno Wines, Campanha Gaúcha, Brasil (R$ 59). Espumante rosé brut elaborado pelo método Charmat a partir de Merlot, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir. Esbanja frutas vermelhas como morangos e cerejas, acompanhadas de notas florais e herbáceas. Muito frutado e agradável de beber, tem boa cremosidade, acidez refrescante e final de boa persistência. Álcool 14,5%. EM

AD 89 pontos
CORDILHEIRA DE SANTANA GEWÜRZTRAMINER 2012
Cordilheira de Santana, Campanha Gaúcha, Brasil (R$ 69). 100% Gewürztraminer, sem passagem por madeira. Apresenta cor amarelo-citrino de reflexos esverdeados e aromas de frutas tropicais e de caroço maduras, notas florais e especiarias. De boa tipicidade, impressiona pela textura e volume de boca, tudo num contexto de acidez refrescante, muita fruta e final persistente, com agradáveis toques minerais. Álcool 14%. EM

AD 89 pontos
R e D CABERNET SAUVIGNON MERLOT 2011
Rothier & Darricarrere, Campanha Gaúcha, Brasil (R$ 38). 70% Cabernet Sauvignon e 30% Merlot, com estágio de 10% do vinho em barricas de carvalho francês. Despretensioso e fácil de beber e de entender, mostra cerejas e ameixas maduras envoltas por notas florais, herbáceas e de especiarias doces. Fresco, suculento e redondo, tem boa acidez, taninos macios e final médio e gostoso. Para beber sem pensar. Álcool 12,5%. EM

En primeur americano?

Mesmo com toda a discussão em torno das campanhas en primeur (na qual os Châteaux bordaleses vendem seus vinhos no mercado futuro, antes de eles estarem engarrafados) dos últimos anos em Bordeaux, um estudo da Universidade de Syracuse, em Nova York, aponta que as vinícolas norte-americanas, especialmente as pequenas, se beneficiariam desse modelo, caso ele houvesse nos Estados Unidos. Segundo Burak Kazaz, coautor da pesquisa, os produtores podem ter entre 13 e 15,6% de lucro se venderem seus vinhos no mercado futuro. Para isso, seria preciso estabelecer provas de barricas regulares para os críticos pouco após a colheita, como ocorre em Bordeaux. Ele criou um modelo que determina o preço ótimo do vinho, assim como a quantidade que deve ser vendida antecipadamente. “Temos mercado de futuros para milho, por que não para vinho?”, questiona Kazaz.

Curso grátis na Universidade da Borgonha

A Universidade da Borgonha, em Dijon, lançou um curso on-line gratuito para amantes de vinho, ministrado em inglês e francês. A Université de la Vigne et du Vin pour Tous (Universidade da Vinha e do Vinho para Todos) começou suas classes em maio e tem aulas com os principais professores da escola, que falam sobre viticultura, técnicas de vinificação e degustação, além de história do vinho. As aulas são apresentadas em cinco semanas em formatos de seminário ou degustações interativas. Para quem se interessar, basta acessar: http://platform.europeanmoocs.eu/course_mooc_owu_open_wine_university_

140 anos

Há uma crença no mundo do vinho de que somente o tempo é capaz de criar um grande vinho, consagrar um produtor. Em 2015, a família Valduga comemora 140 anos de imigração para o Brasil, vinda da região do Trento, na Itália. “Até hoje falamos aquele dialeto”, conta Juarez Valduga, que comanda a parte administrativa da empresa ou seria melhor dizer das empresas, já que além da vinícola (Casa Valduga), eles ainda têm uma importadora (Domno) e uma delicatessen (Casa Madeira). Durante evento no dia 21 de maio, os Valduga convidaram a imprensa paulista para celebrar a data. Mais do que relembrar as diversas histórias da família nesses 140 anos, eles mostraram que seu foco não está no passado, mas no futuro. Uma das vinícolas brasileiras que mais investe em marketing e posicionamento de seus produtos, os proprietários revelaram alguns de seus novos projetos (entre eles a produção de cerveja artesanal, por exemplo) e suas visões para que a Valduga esteja sempre na vanguarda. “Meu pai sempre dizia que não se deve colocar todos os ovos numa mesma cesta”, lembrou Juarez, que completou: “Não queremos vender vinhos, mas um conceito”. O dia ainda marcou o lançamento de um tinto especial em homenagem a Luiz Valduga, pai de Juarez, João e Erielso, os atuais comandantes. Emocionado, o enólogo Daniel Dalla Valle, que começou na empresa como estagiário, lembrou a personalidade do patriarca da família para explicar o conceito do vinho, repleto de simbolismos. Durante o evento, além do rótulo em homenagem a Luiz Valduga, foram apresentados destaques do catálogo da Domno.

AD 92 pontos
FRONTAURA VERDEJO 2011
Bodegas Frontaura, Rueda, Espanha (Domno R$ 212,90). Branco 100% Verdejo, com fermentação e estágio de sete meses em barricas de carvalho francês. Apresenta linda cor amarelo-palha de reflexos esverdeados e aromas de frutas brancas e tropicais maduras permeados por notas florais, de frutos secos, de baunilha e de mel. A madeira está bem integrada realçando a fruta de ótima qualidade e aportando estrutura e volume de boca ao conjunto, tudo envolto por uma deliciosa acidez e um final persistente. Um grande branco que, como tempo de taça, vai mostrando todos os seus nuances e camadas. Álcool 13,5%. EM

AD 92 pontos
LUIZ VALDUGA CORTE 1
Casa Valduga, Rio Grande do Sul, Brasil (Lançamento). Homenagem ao patriarca e fundador da vinícola Luiz Valduga. Foram produzidas apenas 3 mil garrafas deste tinto, em que não são reveladas as variedades e nem o regime de madeira. Na verdade, é um blend de safras dos melhores vinhos produzidos pela Valduga nas diversas regiões em que possuem vinhedos. Surpreende pela acidez e taninos granulados de ótima textura, que sustentam sua fruta  mais madura e concentrada. Encorpado, mostra grande complexidade tanto no nariz quanto na boca. Floral, alcaçuz, ervas secas e toques terrosos, tudo num contexto de elegância e finesse. Muito bem feito. EM

AD 93 pontos
MAQUIS FRANCO 2010
Viña Maquis, Colchagua, Chile (Domno R$ 468). Tinto 100% Cabernet Franc, com estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês. Apresenta cor vermelho-rubi de reflexos violáceos e aromas de frutas vermelhas e negras mais frescas, bem como agradáveis notas herbáceas, florais e minerais. No palato,  exibe fruta de ótima qualidade, é estruturado, austero, tem acidez vibrante, taninos de ótima textura e final persistente, cheio de elegância, finesse e toques de grafite. Álcool 13,5%. EM

AD 91 pontos
THASOS MOSCATEL DE SETÚBAL 2008
Enoport, Península de Setúbal, Portugal (Domno R$ 99,90). Branco fortificado doce elaborado exclusivamente a partir de uvas Moscatel, com estágio de 24 meses em barricas de carvalho. Linda cor amarelo-âmbar, mostra complexos aromas de frutas cítricas e tropicais maduras e em compota acompanhados de notas florais, de especiarias doces, de mel e de frutos secos. No palato, é intenso, frutado e denso, mostrando bom equilíbrio entre acidez e doçura. Gostoso de beber, tem final longo e persistente, com toques de casca de laranja. Álcool 17%. EM

AD 92 pontos
VISTALBA CORTE A 2011
Bodega Vistalba, Mendoza, Argentina (Domno R$ 306,90). Tinto composto de 60% Malbec, 30% Bonarda e 10% Cabernet Sauvignon, com estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês. Apresenta profunda cor vermelho-rubi de reflexos púrpura e aromas de ameixas e cassis maduros, com notas florais, tostadas e de chocolate, além de toques de baunilha e de eucalipto. É frutado, encorpado, estruturado, cheio, potente, num estilo concentrado, mas bem sustentado por sua acidez e taninos de ótima textura. Tem final persistente, com toques de grafite. Álcool 14,7%. EM

Fraude em Chablis

Recentemente, o presidente da Maison Fromont, Jean-Claude Fromont, foi preso acusado de ter vendido rótulos de Chablis usando, na verdade, vinhos de outras regiões – o que não é permitido pelas regras da Denominação de Origem. Segundo a denúncia, Fromont misturou vinhos de Chablis com outros do Rhône e de Provence pelo menos nos últimos 10 anos. Por ter vinhedos e vinícolas em outras regiões da França, ele também é suspeito de ter alterado vinhos em outros locais. “Se isso for verdade, será gravíssimo para a imagem de Chablis”, apontou Frederic Guegen, presidente da AOC Chablis.

US$ 100 mil para jantar

Quanto você pagaria para jantar com Robert Parker? Um chinês pagou US$ 100 mil pelo privilégio. O valor foi oferecido em um leilão de caridade em Washington, no qual um jantar com Parker (incluindo 24 vinhos de sua adega pessoal) fazia parte do lote. Em eventos anteriores, o lance para jantar com o crítico havia alcançado US$ 25 mil. Para se ter uma ideia, em 2013, um jantar com o presidente Barak Obama foi “adquirido” em um leilão por US$ 32.400. Parker ainda não revelou os vinhos que vai levar para o jantar deste ano, mas, em 2012, ofereceu sete Bordeaux, seis Châteauneuf-du-Pape, três brancos da Borgonha, dois Chardonnay de Sonoma e seis Cabernet da Califórnia.

 

Só os melhores

No dia 12 de maio, a Cantu realizou mais uma edição do Cantu Day em São Paulo. Neste ano, estavam disponíveis mais de 150 rótulos de 30 produtores, provenientes de 11 países. Ótima oportunidade para conhecer melhor o vasto portfólio da importadora e conversar com diversos produtores. O ponto alto do agradável fim de tarde foi uma degustação exclusiva para a imprensa de alguns rótulos mais que especiais. ADEGA esteve lá para conferir e aponta os destaques.

 

AD 96 pontos
COCKBURN’S VINTAGE PORT 2011
Symington Family States, Douro, Portugal (Cantu R$ 1.400). Fazendo jus à fama da safra 2011 para os Porto Vintage, este fortificado doce é pura concentração, potência e intensidade. Esbanja frutas negras maduras e em compota como ameixas e cassis, acompanhadas de notas herbáceas e de violeta. Untuoso, tem acidez refrescante, ótima textura e final cheio e longo, com deliciosos toques minerais e de chocolate. Está excelente agora, mas certamente vai recompensar os muito pacientes. Álcool 20%. EM

 

AD 96 pontos
JOHN DUVAL ELIGO 2010
John Duval Wines, Barrosa Valley, Austrália (Cantu R$ 900). 100% Shiraz advindo de vinhas de mais de 60 anos, com estágio de 20 meses em barricas de carvalho francês. Frutas negras maduras envoltas por notas florais, terrosas e de argila, além de toques picantes e de chocolate amargo. Une potência e concentração, com tensão e finesse. Tem taninos finíssimos e acidez refrescante, tudo envolto por toques salinos e de ervas frescas. Longo e persistente, é a prova de que vinhos mais potentes podem sim ser precisos e elegantes. Álcool 14,5%. EM

 

AD 93 pontos
LANSON EXTRA AGE BRUT
Lanson, Champagne, França (Cantu R$ 450). Espumante branco Brut elaborado a partir de uma seleção de 60% Pinot Noir, 40% Chardonnay somente de safras excepcionais, neste caso, 1990, 1992 e 1998, com mínimo de cinco anos de contato com as leveduras. Cremoso e elegante, consegue ser intenso, concentrado, potente e delicado ao mesmo tempo. Mostra ótima acidez e frescor, impressionando pela persistência e pela textura sedosa. Álcool 12,5%. EM

 

AD 94 pontos
RIVETTO BAROLO LEON RISERVA 2008
Rivetto, Piemonte, Itália (Cantu R$ 700). 100% Nebbiolo, com estágio de 40 meses parte em barris de 30 hectolitros de carvalho do leste europeu e parte em barricas de carvalho francês. Jovem ainda, foi abrindo com o tempo. Mostra aromas de frutas maduras acompanhadas de flores, tabaco e caixa de charuto, além de toques minerais, defumados e de especiarias doces. Esbanja tensão, vibração e frescor, tem taninos de ótima textura e final longo e persistente, com toques salinos. Austero, muito preciso e cheio de finesse. Álcool 14%. EM

 

Dia do Vinho

O primeiro domingo de junho é considerado o Dia do Vinho no Rio Grande do Sul e, há seis anos, a data vem ganhando corpo e mobilizando cada vez mais entidades não só gaúchas como de outros estados. Neste ano, o “dia” na verdade foram duas semanas, com as comemorações indo de 22 de maio até 7 de junho com intensa programação de eventos. “O grande trunfo do Dia do Vinho é a integração. Seja entre três mercados intimamente ligados, que avançam muito quando trabalham juntos, seja entre as várias regiões participantes, que agora começam a se expandir pelo Brasil. À medida em que se amplia esta rede de empresas, municípios, entidades e territórios engajados no evento, cresce também a diversidade de opções para o público apreciar derivados da uva, gastronomia e hotelaria”, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Moacir Mazzarollo. Neste ano, o Roteiro do Vinho de São Roque integrou-se ao programa que ainda contou com a meia-maratona entre vinhedos, Wine Run, ocorrida no dia 23 de maio, em Bento Gonçalves, além do projeto “Que tal de bike?”, que oferece opções de passeios históricos e ecológicos pela Serra Gaúcha. A programação, contudo, foi intensa e envolveu 249 empreendimentos, o maior número desde que surgiu a iniciativa. “Praticamente todas essas atrações podem ser aproveitadas com tarifas promocionais para hospedagem, alimentação e descontos na compra de vinhos, espumantes e sucos de uva, que, em muitos casos, chegam a 30%”, afirmou o presidente do Sindicato dos Hotéis Restaurantes Bares e Similares Região Uva e Vinho (SHRBS), João Leidens. Para conferir a programação, acesse: www.diadovinho.com.br.

Cooperativa em Sauternes

Os produtores de Sauternes e Barsac, regiões famosas por seus vinhos de sobremesa, decidiram criar uma cooperativa. A ideia é ter mais flexibilidade diante das requisições do mercado. Atualmente, quase 50% do volume de Sauternes é vendido a granel a cada safra e espera-se que, com a cooperativa, surjam novas marcas. Cerca de 30 produtores já se associaram e os primeiros vinhos devem sair em 2016. Apesar de tomar parte da cooperativa, os Châteaux poderão continuar engarrafando com seus próprios nomes. “Teremos acesso a Sauternes genéricos bem feitos a preços competitivos”, comemorou o negociante Bill Blatch.

Para aprender sobre Champagne

O Comitê Champagne lançou um programa de aprendizado sobre seus famosos vinhos espumantes. O Champagne Campus, disponível em francês, inglês e chinês, é um guia para quem quer saber mais sobre Champagne. De forma didática e interativa, ele apresenta a região e seus vinhos em três níveis: “novatos, entusiastas e apaixonados” (um quiz é feito no começo para mensurar o grau de conhecimento do interessado). Champagne Campus está disponível para celulares e tablets e pode ser acessado em: champagnecampus.com. O aplicativo ainda vem com 150 questões sobre a região e seus espumantes.

Garotos arqueólogos

Recentemente, o departamento de arqueologia de Israel foi alertado de que um possível sítio arqueológico no distrito de Neve Yaakov estaria sendo escavado por ladrões. Chegando lá, os especialistas do governo estranharam o quão detalhista era o trabalho de escavação no que se provou ser uma prensa de vinho do período bizantino. A surpresa maior, no entanto, foi descobrir que o trabalho todo havia sido feito por garotos de 13 anos, que se diziam orgulhosos do feito. Escavações arqueológicas não autorizadas são consideradas crime em Israel, mas os jovens não foram indiciados.

 

Alsácia explicada

A partir de 2016, os vinhos brancos alsacianos deverão indicar em seus rótulos o nível de açúcar residual por litro descritos em quatro categorias: sec, demi-sec, moelleux e doux. Os vinhos secos (sec ou dry) poderão conter, no máximo, 4 gramas de açúcar residual. A medida, segundo a associação de produtores, é para facilitar o entendimento dos consumidores que andaram evitando os vinhos da região por, muitas vezes, comprarem uma bebida “doce” por engano ou falta de informação. Alguns produtores, porém, contestaram a medida alegando que a maioria dos vinhos locais, especialmente os Riesling, devem ser secos, sendo os meio secos são exceção. Portanto, apenas estes últimos deveriam apontar isso no rótulo.

 

Festival do Moscatel

A quinta edição do Festival do Moscatel ocorrerá nos finais de semana de 4 a 15 de setembro em Farroupilha, no Centro de Eventos do Parque Cinquentenário. Nele será servido um cardápio elaborado pelo Senac Gastronomia Serra Gaúcha. “São opções que evidenciam aromas e o sabor, para obtermos uma harmonização perfeita com o Moscatel”, diz o chef Gustavo Ruffato. As bebidas serão fornecidas pelas vinícolas da Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin). Os ingressos serão vendidos em dois lotes, o primeiro a R$ 80, até 10 de julho, e depois a R$ 100. O ingresso dá direito ao cardápio e às bebidas, servidos à vontade, e a uma taça personalizada do evento. Mais informações em facebook.com/festivaldomoscatel.

Terroir provado?

Uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Davis, Estados Unidos, apontou que vinhos varietais de diferentes terroirs possuem “impressões digitais químicas” diferentes. O estudo liderado pela professora Hildegarde Heymann analisou Malbec de 26 lugares na Argentina e 15 na Califórnia. Para a análise, os vinhos foram vinificados exatamente da mesma forma. Em uma primeira avaliação sensorial, foram atribuídos 35 descritores que formaram o perfil de aromas e sabores. Depois, a análise química identificou 60 componentes. Ao cruzar os descritores com os químicos, percebeu-se que algumas palavras sempre estavam ligadas a determinadas moléculas, como apimentado ao eugenol e 4-methylguaiacol, por exemplo. Assim, o estudo percebeu que há uma grande separação nos perfis dos Malbec argentinos e californianos. No entanto, vinhos de um mesmo país, mas de regiões diferentes, mostraram diferenças menores entre si. Acredita-se que, se os cientistas conseguirem estabelecer padrões (sensoriais e químicos) para os vinhos de cada região do planeta, isso pode ajudar a combater fraudes no futuro.

Mais caro melhor?

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, revelou que as pessoas desfrutam mais de um vinho quando pagam mais por ele. Para o estudo, pediu-se para que um grupo degustasse vinhos com teoricamente cinco faixas de preços diferentes, mas, na verdade, eles estavam consumindo apenas dois vinhos com preços diferentes. Mesmo provando vinhos iguais, os teoricamente mais caros foram melhor avaliados do que os mais baratos. O estudo concluiu que o preconceito com o preço cria um efeito placebo tão forte que é capaz de mudar a química cerebral. “Entender esse mecanismo de efeito placebo dá aos marqueteiros uma ferramenta poderosa”, afirmou Bernd Weber, um dos condutores da pesquisa.

China maior que a França

Segundo a Organização da Vinha e do Vinho (OIV), a China superou a França em área de vinhedos plantados, ficando somente atrás da Espanha. Segundo dados de 2014, há 799 mil hectares cultivados em território chinês (11% do total mundial), contra 1,02 milhões no país ibérico. Para se ter ideia do crescimento, em 2000, a China tinha 4% dos vinhedos do mundo. Se os chineses cresceram, os franceses viram seus vinhedos diminuírem 10% na última década. A França, contudo, ainda segue sendo a maior produtora de vinho do mundo, com 47 milhões de hectolitros.



Vinho Tricolor

Se no ano passado o Internacional, clube de futebol de Porto Alegre, lançou (com ajuda da Casa Valduga) espumantes para brindar a entrega da reforma de seu estádio, desta vez foi o São Paulo Futebol Clube quem decidiu lançar seus próprios rótulos. O time criou, com auxilio da Sogevinus, proprietária da marca Kopke, uma edição limitada de Vinho do Porto. O Vinho da Fundação (um Porto da década de 1930) terá tiragem de apenas 1930 caixas, número que remete ao ano de criação do clube, e virá em estojo com réplicas em cristal dos troféus Mundiais conquistados pela equipe paulista. Além do Vinho da Fundação, também serão lançados os vinhos São Paulo FC Campeão Mundial 92, Bicampeão Mundial 93 e Tricampeão Mundial 05. Os valores do box  com o Vinho da Fundação variam de acordo com a numeração, indo de R$ 30 mil a R$ 10.930.

 

Impasse biodinâmico

No ano passado, Emmanuel Giboulot foi processado pelo governo francês por se recusar a lançar pesticidas em seus vinhedos na Borgonha como medida preventiva contra uma praga que vem devastando os vinhedos na região, a Flavescência dourada. Apesar de ele ter ganhado o caso (o juiz considerou que houve uma falha de procedimento do governo na comunicação com os produtores), outro adepto da cultura biodinâmica está sendo processado pelas autoridades. Thibault Liger-Belair se recusou a aplicar pesticidas em seus vinhedos de Beaujolais, alegando que não há risco da doença na região. “Se vir alguns insetos, vou tratar com químicos como a lei manda, mas eles ainda não estão presentes”, afirmou. Se condenado, ele pode ter que pagar 30 mil euros e ainda enfrentar seis meses de prisão.

Papais bebem mais

De acordo com uma pesquisa realizada com consumidores do Reino Unido, pessoas entre 45 e 65 anos tendem a beber mais do que o grupo de 18 a 24 anos. 32% deles bebem mais do que as organizações de saúde consideram como consumo moderado, enquanto que essa porcentagem é de 19% entre os mais jovens. Para piorar, 59% dos mais velhos dizem não querer serem orientados quanto a beber moderadamente e 50% deles não acreditam que seus hábitos possam acarretar problemas de saúde. Ao que parece, a juventude anda tendo mais consciência do que se imagina.

Harmonização vinho com maconha?

Ben Parsons, dono de uma vinícola urbana em Denver, Estados Unidos, está interessado em mesclar vinho e maconha. “Desenvolver vinhos com infusão de maconha me interessa como enólogo. É inevitável que certas cepas de cannabis ganharão notoriedade da mesma forma que os varietais de vinho”, apontou – existem mais de 1.300 variedades da droga. Ele afirmou ainda que pretende promover jantares harmonizados entre vinho e maconha. Parsons, contudo, não é o primeiro a pensar nessa mistura. No ano passado, a cantora Melissa Etheridge lançou uma linha de produtos feita com cannabis, incluindo um vinho voltado às pessoas que sofrem de câncer.

 

Novo perfil chinês

De acordo com uma pesquisa da Wine Intelligence, o perfil do consumidor chinês vem mudando drasticamente desde 2012. Segundo um novo levantamento, uma parcela mais jovem está comprando rótulos mais em conta e ela representa 19% dos consumidores de vinhos do país. São pessoas entre 20 e 30 anos que aprenderam a degustar em jantares de negócios e adquiriram o hábito. Eles estão mais preocupados com o sabor da bebida do que com o prestígio dos rótulos caros, até então uma referência no mercado chinês.

Cooperativa artesanal

No dia 15 de maio, um grupo com 20 produtores de vinho artesanal de quatro estados brasileiros lançaram a Cooperativa Brasileira de Vinhos Artesanais (Naturvin), que terá sede em Canela, Rio Grande do Sul. “Nascemos com o objetivo de unir esforços e projetos para pleitear demandas que, se fizéssemos sozinhos, talvez se tornariam inviáveis. Facilita na questão dos trâmites”, afirma Marina Santos, presidente da Naturvin. A cooperativa se foca na elaboração de vinhos de forma artesanal, com o mínimo de intervenção nos processos, e estará cadastrando mais produtores em breve. Para ingressar, é preciso ser indicado por um associado e utilizar os métodos de produção de uva integrada, orgânica, biodinâmica ou agroecológica.

Taça e temperatura certas fazem diferença

Um pesquisador da Universidade de Tóquio, Kohji Mitsubayashi resolveu captar os padrões de evaporação de álcool de Riesling, Pinot Noir e Cabernet Sauvignon, em três diferentes tipos de copos, com uma câmera multiplicadora de elétrons. Dessa forma, ele percebeu que, na taça de vinho comum, o álcool se concentra na direção das bordas. Em uma taça de Martini, o álcool se concentrou no centro, onde geralmente se coloca o nariz. A pesquisa mostrou ainda que a temperatura também influencia na direção da concentração do álcool (quando mais quente, mais central). Portanto, temperatura e taças certas impedem que o álcool vá direto para o seu nariz e faz com que você aprecie melhor os aromas do vinho.

Moderno clássico

A família Soares – conhecida pela distribuição de vinhos em Portugal – iniciou o projeto Herdade da Malhadinha Nova em 1998, com a plantação dos primeiros hectares de vinhedos na região de Albernôa, no Alentejo. A primeira vindima aconteceu em 2003, com o lançamento do primeiro vinho na safra de 2004. Atualmente conta com 35 hectares de vinhedos próprios e uma adega por gravidade, com lagares automatizados (que correspondem a pisa a pé). Desde o começo, eles têm assessoria de Luís Duarte, um dos melhores enólogos de Portugal. As imagens dos lindos rótulos, criados pelas crianças da família, transmitem a ideia de vinhos modernos, joviais e alegres, o que não deixa de ser verdade, mas, ao prová-los com atenção, eles também transmitem, além de tudo isso, um ar clássico, cercado de austeridade e precisão, em que toda a fruta inerente aos vinhos alentejanos está cercada por muita elegância e finesse. Esses aspectos confirmam o cuidado com os detalhes e a busca pela excelência, impressão passada claramente ao se conversar com João Soares, que personifica todo carinho e amor que a família dedica a esse projeto e o desejo e a vontade de elaborar o que de melhor o Alentejo pode produzir. Tudo indica que eles estão no caminho certo, ou melhor, muito mais que isso, estão conseguindo mostrar que é possível ter o lado moderno dos vinhos do Alentejo – fruta, concentração, potência – em convivência harmônica com o lado clássico – elegância, precisão, austeridade – encontrado nos melhores vinhos do mundo. Confira.

AD 93 pontos
MALHADINHA BRANCO 2013
Herdade da Malhadinha Nova, Alentejo, Portugal (Épice R$ 233). 65% Arinto, 20% Viognier e 15% Chardonnay, com estágio de oito meses em barricas de carvalho francês de 500 litros. Impressiona pela qualidade da fruta e pela elegância do conjunto, sempre num contexto de acidez vibrante, textura quase cremosa e final persistente, com toques salinos. Apesar de jovem, a madeira está bem integrada, aportando complexidade e volume de boca. Álcool 14%. EM

 

AD 92 pontos
MALHADINHA LATE HARVEST 2010
Herdade da Malhadinha Nova, Alentejo, Portugal (Épice R$ 285). 100% Petit Manseng, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês. Complexo tanto no nariz quanto na boca, mostra damascos, pêssegos e frutas cítricas acompanhadas de notas florais, especiadas e de frutos secos. Cremoso e untuoso, tem ótimo equilíbrio entre doçura e acidez e final longo e gostoso, com toques de casca de laranja. Álcool 13%. EM

 

AD 95 pontos
MARIAS DA MALHADINHA 2010
Herdade da Malhadinha Nova, Alentejo, Portugal (Épice R$ 676). 46% Alicante Bouschet, 20% Touriga Nacional, 19% Cabernet Sauvignon e 15% Tinta Miúda, com estágio de 26 meses em barricas novas de carvalho francês. Frutas negras e vermelhas maduras como groselhas, cerejas, ameixas e cassis, seguidas de agradáveis notas florais e de especiarias doces, além de toques tostados, minerais e de frutos secos. Muito complexo e elegante, consegue ser sutil, austero e cheio de nuances, mesmo esbanjando fruta, concentração e potência. Chama a atenção pela textura muita fina de seus taninos e final longo e profundo, com toques de grafite. Álcool 14%. EM

 

AD 96 pontos
MENINO ANTÓNIO 2012
Herdade da Malhadinha Nova, Alentejo, Portugal (Épice R$ 519). 100% Alicante Bouschet, com estágio de 28 meses em barricas novas de carvalho francês. Exuberante, consegue aliar de modo muito preciso fruta, concentração, estrutura, potência, austeridade, elegância e finesse. Apesar de jovem, está ótimo agora, mostrando acidez vibrante, taninos de grãos finíssimos e de ótima textura e final muito longo, cheio de nuances e camadas. Compacto, impressiona pela intensidade, tensão e precisão do conjunto, mesmo envolto por tanta fruta. Álcool 14,5%. EM

 

AD 89 pontos
MONTE DA PECEGUINA ROSÉ 2013
Herdade da Malhadinha Nova, Alentejo, Portugal (Épice R$ 124). 45% Aragonês, 40% Touriga Nacional, 10% Syrah e 5% Tinta Miúda. Cheio de frutas vermelhas como morangos, cerejas e framboesas, escoltadas por notas florais, herbáceas e minerais. Fresco, tem bom volume de boca, acidez vibrante e final persistente, com toques salinos. Muito gastronômico e gostoso de beber. Álcool 13%. EM

 

AD 92 pontos
TOURIGA NACIONAL DA PECEGUINA 2011
Herdade da Malhadinha Nova, Alentejo, Portugal (Épice R$ 266). 100% Touriga Nacional, com estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Ameixas e cassis envoltos por típicas notas florais, além de toques especiados e tostados. Estruturado e cheio de fruta, tem acidez vibrante e taninos finos de ótima textura, que trazem equilíbrio ao conjunto. Tem final suculento e persistente, numa aura de finesse e delicadeza. Álcool 15%. EM

 


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