Grandes mitos


O que mais há no mundo do vinho são histórias. Histórias criam lendas. Lendas que se tornam mitos. Mitos que viram dogmas. E esse ciclo vai se repetindo ininterruptamente, sendo decantado. Em alguns momentos, contudo, surge uma barreira. Uma lenda é contestada. Um mito cai por terra. Descobre-se que sofismas estão por trás de alguns dogmas.

É com esse espírito de mentalidade aberta que ADEGA encara o vinho. Apreciamos os mitos, valorizamos as histórias, contamos as lendas, mas não nos prendemos cegamente a elas, e foi esse o espírito da grande reportagem de Alexandre Lalas, que traz à tona o questionamento de uma premissa "indiscutível": o aroma de petróleo da Riesling. Depois que o contestador enólogo Michel Chapoutier afirmou que isso era um defeito e não uma qualidade, produtores se revoltaram.

Nesta mesma linha "iconoclasta", esta edição apresenta um perfil de José Manuel Ortega Fournier, o espanhol que possui empreendimentos na Espanha, Chile e Argentina e que, apesar do estilo "talibã" é, na verdade, uma grande inovador. Como contraponto, os analistas da Liv-ex (bolsa de valores de vinhos) avaliaram a riqueza das mais célebres propriedades de Bordeaux, demonstrando o quão poderosos são esses Châteaux.

Da França, passamos a um mito italiano exaltado pelos Médici, os vinhos de Carmignano. A história desta que é a menor DOCG da Toscana é contada por Beatrice Contini Bonacossi, proprietária da Tenuta Capezzana. E aproveitando que estamos na Itália passamos por Milão, templo da moda e do design, para uma visita aos melhores pontos enogastronômicos da "Terra de Maio". Por fim, encerramos celebrando tradições que se tornaram dogmas deliciosos: as harmonizações de pratos clássicos de famosas regiões francesas (Provence, Alsácia, Vale do Loire, Borgonha e Bordeaux) com seus vinhos típicos. Um brinde aos mitos!

Saúde,
Christian Burgos e Arnaldo Grizzo

Da redação

Publicado em 8 de Setembro de 2011 às 12:20


Editorial

Artigo publicado nesta revista