Martin, Aston Martin

O carro mais caro do mundo se eternizou nas pistas e nas telas do cinema, com o famoso agente 007


Por dentro, por fora, nas ruas ou nas pistas. Não importa. Os carros da Aston Martin habitam os sonhos de todos os que são loucos por automóveis de luxo

São flashes, pequenos momentos entrecortados que ligeiramente perpassam a mente, mas ficam na memória, como um sonho confuso. Em seu smoking ele vai, caminha tranquila e seguramente, certo de si, cheio de si; ao lado, como materialização do devaneio mais ousado, a mais bela mulher, perfeita, encarnação da diva, divina, inspiração para os gregos, tributo à perfeição, sonho. Inspiração pura. Bond, James Bond... Ícone de masculinidade, imagem do que deveríamos ser, ele faz sempre mais que o possível e encerra em si os anseios do homem ocidental. Vem, vê e vence; e se vai, no compasso alucinante de seu Aston Martin, o carro perfeito, perfeito para ele, James Bond, agente secreto sem lar, que passa como um flash, mas deixa sua marca, sempre.

Não se pode dizer com precisão se a imagem de perfeição e de símbolo do luxo absoluto do Aston Martin se deve à sua associação com James Bond, ícone da cultura pop, ou se, ao contrário, são os luxuosos modelos esportivos da marca britânica que ajudam a enfeitar a aura de "homem ideal" que envolve o agente 007. Provavelmente, os dois.


História

Antes de ser o carro utilizado por Sean Connery (007 contra Goldfi nger, 1964) e outros Bonds nos filmes da saga, a Aston Martin consolidou seus carros tanto nas pistas como nas ruas. Em 1913, Lionel Martin e seu sócio, Robert Bramford, montaram uma ofi cina de preparação de automóveis para a marca inglesa Singer chamada Bramford & Martine e, um ano depois, iniciaram o projeto de produzir seus próprios veículos, o que só acabaria acontecendo em 1915.

Ao longo dos anos, algumas adversidades se antepuseram ante a Aston Martin. A primeira delas: a I Guerra Mundial, que interrompeu as ações da fabricante até 1920. Seis anos depois, ainda em dificuldades financeiras, a montadora recebe o nome que ainda hoje a acompanha, após Lionel Martin sair vencedor na corrida de rua de Aston-Clinton-Bergrennen.

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Os anos dão aos carros produzidos pela marca respeitabilidade e, mais que isso, charme. Sucesso nas corridas, os veículos da fábrica de Lionel Martin passam a vender a imagem do sucesso, o que auxilia nas vendas dos automóveis de rua. Relação essa que se torna mais intensa em 1932, quando da aquisição da empresa por Sir Arthur Sutherland, um homem com menos velocidade no sangue, mas mais tino para os negócios.

Sutherland, à princípio, é bem sucedido, mas não resiste a mais uma guerra. O conflito na Europa nos anos 1940 é mais uma pedra na pista para esses carros, que conseguem, contudo, triunfar, desta vez sobre o comando de David Brown. Com seu novo dono, os Aston Martin atingem, de vez, às ruas, sem deixar de triunfar nas pistas. O lema da empresa na época: vencer no domingo, vender na segunda. De vitória em vitória e venda em venda, a Aston Martin segue seu caminho sobre trilhos dourados, numa estrada de tijolos amarelos construída por Brown, que, de tão importante, batiza com suas iniciais "DB" muitos dos carros da marca ainda hoje.

Ou seja: se muitos de nós conhecemos esta marca por seus carros levarem de lá para cá a toda velocidade o agente 007, o fato é que muito antes disso os Aston Martin já faziam os corações disparar no Reino Unido e na Europa.


Glamour

Aston Martin é história, mas é, também, muito mais que isso. Das passagens históricas vem o glamour da marca, que hoje - até mais que um símbolo de velocidade - projeta a imagem do luxo, da exclusividade e da excelência levada aos extremos. Não é a toa que são esses os carros escolhidos por tantos Bonds, de Sean Connery ao atual Daniel Craig (007 Quantum of Solace, 2008). Vende-se a ideia de que somente pessoas especiais podem tê-lo, e a de que guiar esses carros não é uma experiência comum, o que, aliás, passa longe de ser uma assertiva mentirosa.

Cada Aston Martin é único como único são seus clientes, afinal, quantos automóveis podem ser considerados "o mais caro do mundo?". A pergunta é retórica e a resposta óbvia: um, somente um... Ou melhor todos os 77 modelos fabricados do ASTON MARTIN One-77, considerado em 2009 pela revista Forbes o carro em linha de produção (não fabricado por encomenda) mais valioso do planeta. Ao preço de US$ 2,4 milhões não é para qualquer um, ou nesse caso, não é para mais do que 77 felizardos.

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Potência, beleza e alma são três características que somadas diferenciam um Aston Martin dos outros automóveis. Uma união, aliás, que exige mais do que esforço, abnegação e competência, qualidades fundamentais para a construção dessa marca, mas que sozinhas não serão capazes de construir uma "nova" Aston Martin. É na alma que está o segredo que explica o fascínio exercido por essas máquinas. É ela, erguida ao longo de quase um século de história, que torna esses carros sonhos de consumo, o presente perfeito para criança grandes, que traz consigo mais que motores e cavalos. Que traz fantasia.


Nas pistas

Criado para correr e sucesso nas ruas, a Aston Martin não abdica de suas origens e segue no século XXI a saga iniciada por Lionel Martin e Robert Bramford 97 anos antes. No automobilismo competitivo, aliás, a montadora, hoje de propriedade da Ford, não deixa de apresentar seu brilho, protagonizando as principais provas de carro de turismo do mundo, como a tradicional 24 horas de Le Mans, a Le Mans Series e campeonato de Gran Turismo da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

Assim, os automóveis da Aston Martin mantêmse vitoriosos, incorporando a filosofia de "vencer no domingo e vender na segunda" de David Brown, homem que, mais que fazer negócios, ajudou a alimentar a tal da alma, pilar dessa empresa criadora de sonhos, que por onde passa deixa sua marca, mesmo que passe como uma flecha. Mesmo que haja somente marcas de pneu no chão, esses automóveis não precisam ser apresentados. Todos sabem seu nome: Martin, Aston Martin.

Felipe De Queiroz

Publicado em 15 de Abril de 2010 às 13:42


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Artigo publicado nesta revista