Os 50 Melhores de Portugal

Vinhos e Encontros


Avaliar milhares de vinhos e escolher os 50 melhores não é uma tarefa fácil, mas é parte do dia a dia de quem degusta vinhos. Genial mesmo é ser capaz de elaborar uma lista de 50 vinhos capazes de retratar não apenas a superioridade técnica de 50 vinhos sobre seus compatriotas, mas fazer uma lista em que cada vinho é, ao mesmo tempo, uma obra única e uma peça de um quebra-cabeça que possibilite aos amantes de vinho com qualquer tamanho de bolso passear por Portugal e conhecer as qualidades das principais regiões e castas do país.

Foi esse mosaico que o único Master of Wine brasileiro, Dirceu Viana Junior apresentou no dia 25 de setembro em São Paulo num almoço de gala. Viana afirma que “o bom de Portugal é respeitar a tradição sem ter medo de utilizar a tecnologia”. Podemos concordar com todos os vinhos e ainda sentir falta de alguns que certamente figurariam em nossas listas pessoais, mas é indubitável que ele foi capaz de levar a usual “lista dos 50 melhores de Portugal” a um novo patamar. ADEGA já havia degustado muitos destes vinhos e aproveitamos para relembrar alguns dos que mais nos encantaram. Confira as avaliações completas no site: www.melhorvinho.com.br

AD 93 pontos
BATUTA 2008
Niepoort, Douro, Portugal (Mistral US$ 215)

AD 92 pontos
CARTUXA COLHEITA 2009
Fundação Eugênio de Almeida, Alentejo, Portugal (Adega Alentejana R$ 135)

AD 92 pontos
CONCEITO BRANCO 2009
Conceito, Douro, Portugal (Viníssimo R$ 281)

AD 93 pontos
CV CURRICULUM VITAE 2011
Quinta Vale D. Maria, Douro, Portugal (World Wine – lançamento em dezembro)

AD 90 pontos
Muros Antigos 2007
Anselmo Mendes, Vinhos Verdes, Portugal (Decanter R$ 114)

AD 95 pontos
PINTAS 2009
Wine & Soul, Douro, Portugal (Adega Alentejana R$ 403)

AD 89 pontos
PORTAL DO FIDALGO ALVARINHO 2007
Provam, Vinhos Verdes, Portugal (Casa Flora R$ 89)

AD 93 pontos
QUINTA DO CRASTO RESERVA VINHAS VELHAS 2010
Quinta do Crasto, Douro, Portugal (Qualimpor R$ 250)

AD 92 pontos
QUINTA DO VALLADO RESERVA FIELD BLEND 2009
Quinta do Vallado, Douro, Portugal (Cantu    R$ 209)

AD 92 pontos
REDOMA RESERVA BRANCO 2010
Niepoort, Douro, Portugal (Mistral US$ 109)

AD 90 pontos
ROYAL PALMEIRA LOUREIRO 2009
Paço da Palmeira, Minho, Portugal (Ideal Drinks R$ 160)

AD 91 pontos
SOALHEIRO ALVARINHO PRIMEIRAS VINHAS 2010
Quinta de Soalheiro, Vinhos Verdes, Portugal (Mistral – indisponível)

BBB

O sul-africano Gavin Taylor fez vinhos na África do Sul e Nova Zelândia até ir para a Califórnia, conhecer sua esposa, a chilena Lilian, e mudar-se para o Chile, onde se tornou enólogo-chefe da Viña Anakena. Degustar seus vinhos é confirmar o papel fundamental do homem no conceito terroir. Seus produtos representam muito bem as origens territoriais de suas uvas ao mesmo tempo que revelam a predileção do enólogo pela elegância e carregam o DNA de suas experiências em outros países. Mesmo para quem não conhece a história de Gavin, levar seu Enco Reserve Sauvignon Blanc ao nariz e à boca é vislumbrar o terroir de Leyda com ecos da Nova Zelândia. Seu Alwa de Apalta confirma a vocação desse terroir que está estabelecendo os rumos da Carménère no Chile.

AD 90 pontos
Enco Reserve Sauvignon Blanc 2013
Viña Anakena, Vale de Leyda, Chile (Winebrands R$ 52). Belíssima fruta. Pêssego fresco e guloso ao mesmo tempo. Ressalta ainda a mineralidade e um toque de aspargos ao nariz. Na boca, a fruta se confirma e é combinada com a acidez natural que gera um vinho vibrante e elegante. Delicioso branco com estilo da Nova Zelândia e o preço do Chile. CB

 

AD 92 pontos
Alwa Limited Edition Carménère 2010
Viña Anakena, Vale de Apalta, Chile (Winebrands R$ 189). Um Carménère encantador. Consegue ter elegância e, ao mesmo tempo, mostrar a tipicidade da ameixa madura, com doçura equilibrada e toque carnoso na medida certa. Brilham ainda o tomilho e especiarias.  Em boca, confirma a riqueza de frutas, com taninos presentes e polidos, e acidez que o leva a um equilíbrio diferenciado. Daqueles vinhos que prometem nos entreter por anos. Suculento e longuíssimo. CB

 

O melhor do mundo

Joan Roca, do restaurante El Celler Can Roca, veio a São Paulo sob os auspícios do SpainFusion em outubro. O jantar no Consulado da Espanha possibilitou uma riquíssima exploração das fronteiras do vinho e da gastronomia. Somente um gênio como Roca poderia cozinhar no Brasil com a mesma perfeição de quem está em casa. Seus pratos, assim como os grandes vinhos, demonstram beleza estética, riqueza sensorial e a impossível qualidade de refletirem sua origem, ao mesmo tempo em que encontram seu espaço no paladar global. O desafio de selecionar um vinho capaz de brilhar e fazer brilhar o que já parecia perfeito foi tarefa para a sommelier Linda Diaz-Morales da Gramona. O Parmentier de lula com páprica defumada foi acompanhado pelo:

AD 92 pontos
Cava Gramona III Lustros Gran Reserva 2004
Gramona, Barcelona, Espanha (Casa Flora R$ 229). Um Cava elaborado pelo método tradicional e que fica cinco anos em contato com as borras. Seu corte 70% Xarel-lo e 30% Macabeo produz um espumante para iniciados, apresentando os confortantes aromas das flores e leveduras e revelando, em boca, uma incrível estrutura que o torna um titã das harmonizações (em boca, poderia induzir-nos a um vinho tinto). Complexidade é a palavra que o define (se nascesse na região dos espumantes mais famosos do mundo custaria o dobro). Não é à toa que estudos revelaram que a Xarel-lo é a variedade branca com maior concentração de resveratrol, comparável a tintos como Pinot Noir. CB

 

Apalta de Lapostolle e Montes

O terroir de Apalta é um dos mais comentados do Chile. Neles, as Viñas Lapostolle e Montes destacam-se, produzindo um pouco do que há de melhor por lá. No dia 22 de outubro, Charles-Henri de Bournet Marnier Lapostolle e Aurelio Montes Jr. estiveram no Brasil para apresentar uma vertical de seus principais vinhos, o Clos Apalta e Montes Alpha M. Pudemos compreender a evolução desses vinhos e destacar os mais recentes.

AD 94 pontos
CLOS APALTA 2010
Casa Lapostolle, Apalta, Chile (Mistral US$ 199). Blend de 71% Carménère, 18% Cabernet Sauvignon e 11% Merlot. Aromas de frutas vermelhas e negras frescas, notas herbáceas e de especiarias picantes, além de notas florais, minerais, tostadas, de tabaco e de chocolate. Em boca, é austero, preciso, fresco, elegante e profundo. Uma clara evolução no estilo em comparação às safras de 2000, 2004 e 2007 provadas, privilegiando uma fruta viva e vibrante, sem comprometer sua potência e persistência. Equilibrado e balanceado acima de tudo, com longos anos pela frente. EM

 

AD 95 pontos
MONTES ALPHA M 2010
Viña Montes, Apalta, Chile (Mistral US$ 199). Aromas de frutas vermelhas maduras envoltas por exuberantes notas herbáceas, especiadas e florais, além de toques tostados, terrosos, de tabaco e de alcaçuz. Em boca, está jovem ainda, mas mostra uma clara mudança de estilo, privilegiando a fruta fresca, sem perder em estrutura e potência. Tem a elegância, a austeridade e a precisão do 2004, com a concentração e intensidade do 2007. Pode ser bebido agora, mas irá ganhar muito com, pelo menos, cinco anos de garrafa. EM
Da redação

Publicado em 8 de Novembro de 2013 às 00:00


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