Turismo

Vale do Loire e seus castelos

Amboise, Chambord, Chenonceau e Cheverny são alguns dos grandes châteaux


O Château de Amboise era um dos preferidos dos reis e da poderosa Catarina de Médici

Dentre as centenas de castelos do Vale do Loire, ADEGA vai detalhar quatro deles para que você possa apreciar em sua próxima viagem a esta encantadora região francesa. Vamos falar dos châteaux de Amboise, Chambord, Chenonceau e Cheverny.

Amboise e a tumba de da Vinci

No departamento de Indre-et-Loire estão dois castelos, Amboise e Chenonceau. A história do château d’Amboise remonta ao século XI. Tomado de seu dono, Louis d’Amboise, pelo rei Carlos VII, em 1434, o castelo se tornou um dos favoritos dos reis da França. Reza a lenda que o corpo de Leonardo da Vinci, que trabalhou na região a convite de Francisco I, estaria enterrado na capela do castelo. Entre os fatos reais, Henrique II e a poderosa Catarina de Médici viveram em Amboise, assim como, tempos depois, já decadente, o lugar serviria de prisão durante a corte de Luís XIV.

fotos: Sxc.hu
A arquiterura e os jardins de Chenonceau, construído sobre um afluente do Loire, impressionam

As guerras e a Revolução Francesa promoveram muita destruição no château, que é mantido com auxílio de uma fundação. O lugar é aberto à visitação (por 9,5 euros por pessoa) das 9h às 19h no verão. Os horários mudam um pouco em outras estações. É possível fazer visitas guiadas pelos aposentos reais, passagens subterrâneas e jardins. Se você estiver pensando em organizar uma festinha especial, por que não fazer algo por lá? Já que o castelo abriga até pequenas recepções. É possível chegar ao Amboise através do TGV, caso você não esteja de carro. Porém, o Vale do Loire é tão maravilhoso que vale a pena pegar um carro e percorrê-lo.

Chenonceau

No mesmo departamente, Indre-et- Loire, mas em outro vilarejo, Chenonceaux, fica o château Chenonceau. Construído sobre um afluente do Loire, o rio Cher, o castelo de arquitetura de influência renascentista é belíssimo e suas torres ficam ainda mais encantadoras refletidas na água. Ele é referido algumas vezes como Castelo das Damas, porque as mulheres tiveram papel decisivo em sua história. A começar por sua construção supervisionada por Katherine Briçonnet entre 1515 e 1521.

Mais tarde, Henrique II deu-o a sua amante Diane de Poitiers, que construiu a ponte que o liga ao outro lado do rio. O regente pediu para o local ser decorado com “H”s e “C”s em homenagem ao seu amor pela rainha Catarina de Médici. Contudo, a junção das duas letras forma, por vezes, “D”s que remetem a Diane. Com a morte do rei, Catarina de Médici explusou Diane e fez do castelo sua principal residência, acrescentando diversos jardins e dando festas e mais festas. Já nos anos de 1700, a madame Louise Dupin – mulher de Claude Dupin, para quem o château foi vendido – trouxe diversos nomes do Iluminismo, como Voltaire, Montesquieu e Rousseau, e foi ela quem salvou o lugar da destruição durante a Revolução Francesa ao tirar o “x” final para diferenciar o que era um símbolo da realeza da República.

Chenonceau manteve muita coisa de seu passado, que pode ser visto nas visitas. Mobília, tapeçaria e obras de arte estão por todo o lugar. Os jardins (com direito a labirinto e tudo) também são maravilhosos. Depois de Versailles, este é o castelo mais visitado da França. Durante o auge do verão, as visitas (por 10 euros) vão das 9h às 20h. Há um restaurante no local. Os jardins ainda abrem à noite para um passeio romântico (por 5 euros). É possível ainda passear de barco pelo rio Cher sob as pilastras do Chenonceau.

O enorme castelo de Chambord era habitado somente por sete semanas ao ano e é dito que Leonardo da Vinci ajudou no planejamento arquitetônico

 

Chambord

Já no departamento de Loir-et-Cher estão os outros dois castelos que vamos destacar, Chambord e Cheverny. O château de Chambord talvez seja o mais reconhecido dos castelos do vale devido à sua arquitetura renascentista que mescla elementos medievais com esculturas clássicas italianas. Reza a lenda que Leonardo da Vinci teria tido algum papel no planejamento do château, especialmente com a planta da escadaria em dupla hélice. Construído pouco antes de 1550 por Francisco I para sua amante, a condessa de Thoury, ele é o maior castelo do Loire.

São 440 quartos, 365 lareiras, 84 escadarias, 128 metros de fachada com mais de 800 colunas esculpidas. Apesar da grandiosidade, Chambord não servia de moradia fixa, apenas para temporadas de caça da corte. Tanto que ele fica em meio a uma grande área de floresta. Diz-se que era habitado somente por sete semanas ao ano, já que não foi feito com esse propósito. Os quartos enormes e as janelas abertas faziam com que o aquecimento fosse quase impossível e, assim, era complicado permanecer muito tempo por lá. Além disso, não há vilarejo ao redor, o que significa que era preciso trazer comida para todo o grupo, o que podia significar mais de 2 mil pessoas. A corte trazia ainda a própria mobília, já que isto também não havia em Chambord.

fotos: Sxc.hu
Cheverny serviu de inspiração para o criador do personagem Tintin

Atualmente, o château é uma grande atração turística (9,5 euros custa a visita na alta estação). Durante o ano, são organizadas exposições e é possível visitar o museu da caça, além das obras de arte e mobiliário. O parque de Chambord, com 5440 hectares de floresta, é tão belo quando o château. O local costuma ter apresentações musicais durante o ano, com óperas e tudo mais.

Cheverny

Cheverny inspirou o criador do famoso personagem francês, Tintin, o desenhista belga Hergé. O Château de Moulinsart do desenho foi claramente moldado nas formas deste castelo. Construído entre 1624 e 1630, Cheverny também chegou a pertencer a Diane de Poitiers, amante de Henrique II, que, no entanto, preferia o château de Chenonceau.

Este château lembra detalhes do Palácio de Luxemburgo, em Paris, e seu interior é altamente decorado, com 32 painéis de madeira pintados contando a história de Don Quixote. Em outros lugares, há cenas do mito de Perseu e Andrômeda. Aberto das 9h15 às 18h15 no verão (com entrada que varia de 7 a 16,5 euros dependendo das atrações que o visitante quiser ver), Cheverny, como não poderia faltar, também é cercado de belos jardins.



Arnaldo Grizzo E Luiz Gastão Bolonhez

Publicado em 17 de Março de 2016 às 12:00


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