Ver ou não ver?

Os prós e os contras dos dois tipos de degustação

Tire sua conclusão sobre se a melhor maneira de avaliar vinhos é às claras ou às cegas


Quando se fala em degustar vinhos para avaliações em geral, a primeira pergunta que vem à mente é: como eles foram degustados? Às cegas ou às claras, somente o degustador e o vinho ou de forma dirigida, na presença do enólogo e/ou produtor. Podem existir outras perguntas, mas, sem dúvida, essa é mais importante. Tanto uma forma de degustação quanto a outra têm seus prós e contras, mas a certeza é uma só, a de que esse assunto é muito polêmico.

Na degustação às cegas, por exemplo, nada se coloca entre o degustador e o vinho; não há nada para dispersar e sugestionar o avaliador, o que torna esse sistema de prova, teoricamente, mais justo e muito utilizado em concursos.

Já a degustação dirigida e às claras é muito utilizada em apresentações, dando ao degustador o privilégio de esclarecer dúvidas sobre métodos de plantio e de vinificação, por exemplo, tornando a avaliação mais consistente.


De fato, pode-se dizer que as qualidades de uma são os defeitos da outra. Enquanto na degustação às cegas, via de regra, não ocorrem sugestionamentos, a falta de alguma informação pode, de certa forma, comprometer a avaliação. Por outro lado, a degustação às claras possibilita a busca de dados que o ajudem a fazer uma melhor avaliação, mas também pode acabar por influenciá-lo, comprometendo sua análise.

Dentro desse embate, o que fica claro é que cada um dos dois métodos tem o seu lugar. O melhor mesmo seria imaginar uma degustação em que só as qualidades e as virtudes de ambas estivessem presentes, o que é praticamente impossível, já que o degustador é um ser humano que, ainda que de forma inconsciente, pode ser movido ou sugestionado, seja por seu gosto pessoal, seja pela ciência de que está experimentando um vinho renomado, por exemplo.

 

Eduardo Milan

Publicado em 23 de Agosto de 2016 às 15:50


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