Especialistas e grandes casas de Champagne estão abandonando a flute em favor de taças mais amplas que valorizam aromas, textura e complexidade dos espumantes

por Redação
Durante muito tempo, a flute foi a taça oficial dos espumantes. Alta, estreita e elegante, ela conquistou seu espaço como símbolo de celebração e sofisticação. Mas nos bastidores das grandes degustações, em mesas de enófilos experientes e nas escolhas mais modernas de sommeliers, esse formato começa a dar lugar a taças mais amplas, capazes de revelar o verdadeiro potencial dos grandes espumantes. A estética dá espaço à experiência.
Ao contrário do que muitos pensam, o formato da taça tem enorme influência na forma como sentimos o vinho. Taças estreitas como a flute canalizam os aromas de forma limitada, e o vinho percorre apenas o centro da língua, reduzindo a percepção de acidez, doçura e salinidade. Já as taças maiores espalham melhor os aromas e distribuem o líquido por uma área maior da boca, aumentando a percepção de textura, volume e complexidade.
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Cada vez mais, grandes nomes do mundo do vinho abandonam a flute para espumantes de alta qualidade. Casas de Champagne renomadas preferem servir seus vinhos em taças de vinho branco ou em modelos universais de degustação, que oferecem um desempenho muito mais preciso na liberação de aromas e na experiência gustativa. A mudança reflete uma postura mais respeitosa em relação ao espumante como vinho, e não apenas como bebida de celebração.
Concluímos que espumantes devem ser tratados como vinhos em toda sua dimensão, e não apenas como brindes festivos. Quando abrimos uma garrafa de Champagne, Franciacorta ou mesmo um espumante brasileiro de método tradicional, abrimos também uma história de terroir, de tempo e de intenção. Oferecer esse vinho em uma taça que limita sua expressão é desperdiçar parte da experiência.
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É claro que a flute ainda tem seu apelo visual e pode continuar aparecendo em celebrações mais informais. Mas no serviço atento, na prova técnica e na busca por prazer real na taça, ela perde força a cada dia. E é por isso que, aos poucos, e com cada vez mais bons motivos, a flute tem os dias contados.