Às margens

A influência dos rios na produção de vinhos

Da Alemanha à Espanha, produtores aprenderam a importância da água no cultivo de vinhedos


Regiões vinícolas são especiais, a riqueza de detalhes dessas áreas é impressionante. O solo e a luz contribuem para se produzir uma boa safra, mas os rios que cruzam as regiões mais famosas também se revelam essenciais.

Além de proporcionarem paisagens dignas de cartões postais, estes flumens controlam, em boa parte, o clima da Europa. Algo importante, pois muitas regiões produtoras de vinho estão em áreas áridas. Do frio do Vale do Mosel ao escaldante calor em Ribera Del Duero, no centro da Espanha, videiras prosperam às margens dos grandes rios. É provável que, sem eles, estas vinhas não produzissem nem metade de seus vinhos existentes.

Os amantes do vinho devem agradecer às leis da natureza decifradas pela Química. A água ajuda a manter a temperatura dos vinhedos por mais tempo do que o ar. Na prática, os rios são capazes de agir como um reservatório de calor e refrigeração. Esse mesmo fenômeno químico acontece com as piscinas abertas, que ficam aquecidas por mais tempo depois que o ar esfria.

Vale Mosel, Alemanha

Quando se trata de vinho, essas influências moderadoras são fundamentais, pois permitem que as uvas amadureçam, mantendo a acidez vital, quer pela influência de calor ou frio. A combinação de açúcar e acidez nas uvas é o que permite que um vinho seja equilibrado, isto é, não excessivamente dominado por carvalho, frutas, taninos ou acidez.

 

Quando a maioria dos profissionais analisar um vinho - a partir de um local famoso ou não - este senso de equilíbrio e terroir é o que estão procurando, uma vez que esses fatores dão ao vinho um valor alto nas prateleiras e menus. A localização privilegiada, perto de um grande rio, faz este equilíbrio mais fácil de ser alcançado, Em suma, os rios neutralizam os elementos mais brutais do clima de uma região.

 

No antigo Vale do Mosel, na Alemanha, por exemplo, o rio Mosel atua como um aquecedor durante as noites frias e reflete a luz do sol e calor durante os dias frios. Com temperaturas médias no verão de apenas 17º, este calor é fundamental para o amadurecimento da uva Rieslings, uma das mais valorizadas do mundo.

 

 

Da redação

Publicado em 24 de Março de 2016 às 14:11


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