Uma fortaleza báquica sem muralhas

Totalmente reformado após a Segunda Guerra Mundial, o Château Timberlay continua sendo um marco em Saint-André de Cubzac


A história do Château Timberlay remete ao século XIV

Andar por terras francesas é sempre um convite a beber um bom vinho. O ar, a lembrança, o épico, tudo se mistura em um caldeirão de paixões. Bordeaux é o centro da maioria das grandes histórias enológicas do País. E é ali, em Saint-Andre de Cubzac, que ficam as propriedades de Robert Giraud. Este empreendedor criou um verdadeiro forte vinícola, composto por 200 hectares de parreirais, prédios, caves e château.

O ícone de sua produção está na principal construção da propriedade, o Château Timberlay, a primeira e mais antiga construção sob o domínio de Robert Giraud, ao seu lado desde o começo da vinícola. Com 125 hectares, ele tem capacidade para armazenar cerca de 60.000.000 litros de vinho tinto, rosé e branco.

fotos: ºMr. Château Timberlay/divulgação
Primórdios da vinícola

Sua história é muito mais antiga, datada de sua construção, ainda no século XIV. Nesta época, vigorava a Guerra dos Cem Anos e a região encontrava-se sob o domínio da Inglaterra. A arquites tura local emergiu de um período gótico para adentrar em uma nova era, com detalhes clássicos. Assim foi também com este château.

Em 1850 a família Giraud comprou a pequena propriedade de Domaine de Peyreau, com apenas cinco hectares, após ser forçada a abandonar sua terra natal. Adquiriu um monumento arquitetônico que havia sido completamente reformado, após sua destruição na Revolução Francesa. Em 1946, o jovem Robert Giraud volta dos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial. Foi neste momento que decidiu-se pela expansão comercial da região.

Diversas safras coexistem na adega

Hoje, mesmo possuindo diversos château, toda a produção dos Giraud continua orbitando em torno do Château Timberlay. Não à toa, é também o mais belo. Seu casarão fica às margens de uma pequena estrada asfaltada, no coração de Saint-Andre de Cubzac. O verde ao redor é notável. A propriedade não possui portões nem muralhas, não impedindo a aproximação dos enófilos forasteiros. Apenas alvas cercas fazem limite com a área pública.

Para chegar à construção principal, uma vasta alameda branca conduz primeiramente a um espelho d'água. Um lago artificial com formato retangular perfaz um perímetro adornado por gramíneas de cor verde esmeralda. No centro deste espelho há uma fonte ornamental. Ali, cisnes se refrescam nas águas do lago. Ao atravessá-lo, deparase com uma grandiosa construção cor amarelo palha. Todas as armações e batentes das portas e janelas são confeccionados em madeira branca, que imprimem um belíssimo contraste visual. Toda a fachada assume um ar leve e sutil, com placas que mais se assemelham a grandes pedras de ardósia. Mas não é aqui dentro que se encontra a chave de todo o segredo desta vinícola. Sua beleza se expande por muitos e muitos hectares de plantações.

Espelho d˚água refletindo toda a beleza do Château

fotos: ºMr. Château Timberlay/divulgaçãoPelos campos espalham-se memórias e tradições até hoje mantidas. Desde a colheita até a taça, todas as etapas de produção seguem um rigoroso padrão de qualidade, mas sem deixar o clássico toque dos Giraud de lado. Suas caves subterrâneas têm capacidade para seis milhões de garrafas e preservam todos os detalhes da época de sua construção. Todas suas paredes são feitas de pedras, e sua temperatura oscila muito pouco durante o ano.

A maioria das propriedades históricas é aberta ao público, e têm capacidade para receber mais de 1.500 pessoas em suas visitações. Para quem estiver de passagem por Bordeaux, a visita aos domínios de Robert Giraud é uma boa recomendação para sentir a história, encher os olhos e aguçar o paladar. Boa viagem!

Alexandre Saconi

Publicado em 19 de Outubro de 2007 às 16:01


Enoarquitetura

Artigo publicado nesta revista