Elevação das temperaturas favorece expansão dos vinhedos no Reino Unido, mas também traz desafios à produção

por Redação
A elevação das temperaturas médias no Reino Unido tem favorecido o avanço da indústria vinícola, especialmente no sul da Inglaterra. Em regiões como o South Downs National Park, o número de vinhedos aumentou 90% na última década, com uma média de cinco novas plantações por ano. Atualmente, o país conta com cerca de 4.000 hectares de terras cultivadas com videiras, e projeções indicam que essa área pode quase dobrar até 2032.
A Roebuck Estates, produtora de vinhos fundada em 2013, exemplifica a adaptação do setor às novas condições climáticas. A empresa mantém seis vinhedos no sul da Inglaterra e se dedica principalmente à produção de vinhos espumantes, cujas uvas exigem menos tempo de maturação.
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Segundo o CEO Michael Kennedy, em conversa com a emissora RTE, as temperaturas médias da região atualmente se assemelham às da região de Champagne nas décadas de 1970 e 1980, o que favorece a produção de vinhos de alta qualidade.
As transformações climáticas têm ampliado as possibilidades da viticultura britânica, mas também impõem desafios. O clima volátil, com ondas de calor cada vez mais frequentes, como as duas registradas recentemente, e invernos rigorosos, pode afetar diretamente a produção. A World Weather Attribution, ligada ao Imperial College London, alertou que esses eventos extremos tendem a se tornar mais comuns com o aquecimento global.
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Para mitigar riscos, vinicultores ingleses adotam estratégias específicas, como o espaçamento ampliado entre as videiras — aproximadamente o dobro do praticado em Champagne — a fim de melhorar a circulação de ar e reduzir danos causados por geadas, ventos e chuvas. No entanto, o aumento das temperaturas invernais também preocupa, já que pode antecipar a brotação das plantas, deixando-as mais vulneráveis.
Enquanto novas áreas produtoras ganham força, regiões tradicionais como o sul da França e partes da Espanha enfrentam problemas de escassez hídrica. Jake Wicks, chefe de viticultura da Roebuck Estates, destaca que a falta de água compromete a maturação das uvas, o que coloca em xeque a viabilidade de vinhedos nessas localidades.
Segundo Alex Biss, da Universidade de Reading, a ampliação da viticultura no Reino Unido integra um movimento mais amplo de adaptação agrícola. Pesquisa conduzida por ele em 2023 aponta que, com as mudanças no clima, a produção britânica poderá incluir vinhos tranquilos, além dos espumantes. Biss ressalta, no entanto, que a questão vai além da viticultura, exigindo uma reavaliação abrangente sobre quais culturas poderão ser sustentáveis no futuro do país.
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