Matemático e filósofo desafiou tradições islâmicas ao transformar o vinho em símbolo da vida
por Por Arnaldo Grizzo

Entre os grandes nomes da cultura persa medieval, poucos atravessaram os séculos com tanta influência quanto Omar Khayyam. Conhecido por seus avanços na matemática e astronomia, o intelectual também ficou marcado por versos que celebravam o vinho, o prazer e a fugacidade da vida — temas que desafiaram interpretações mais rígidas do islamismo em sua época.
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Nascido em 1048 na cidade de Nishapur, no atual Irã, Khayyam viveu em um período de intensas transformações políticas e religiosas no Oriente Médio. Além de poeta, foi responsável por importantes estudos de álgebra, geometria e astronomia, participando inclusive da criação do calendário Jalali, adotado pelo Império Persa no século XI e considerado mais preciso que o calendário gregoriano em diversos aspectos.
Apesar de sua relevância científica, foi através dos famosos Rubaiyat — quartetos poéticos atribuídos ao autor — que Omar Khayyam alcançou reconhecimento mundial séculos depois. Traduzidos para o inglês no século XIX, os poemas ajudaram a consolidar sua imagem como um pensador que associava o vinho à liberdade, ao amor e à reflexão sobre a existência.
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Alcorão, o livro supremo, pode ser lido às vezes, mas ninguém se deleita sempre em suas páginas. No copo de vinho, está gravado um texto de adorável sabedoria que a boca lê a cada vez com mais delícia”.
(Quadra atribuída ao Rubaiyat de Omar Khayyam, traduzida por Alfredo Braga)
Em diversos versos, o poeta persa questiona diretamente as proibições ao consumo de vinho presentes na tradição islâmica. Para Khayyam, a bebida simbolizava não apenas prazer, mas também sabedoria, contemplação e intensidade de viver. Em muitos trechos, vinho e amor aparecem como experiências inseparáveis da condição humana.
Os poemas também revelam uma visão filosófica marcada pelo “carpe diem”, defendendo o aproveitamento do presente diante da brevidade da vida. Essa abordagem fez de Khayyam uma figura singular dentro da literatura islâmica medieval, equilibrando espiritualidade, ciência e hedonismo em uma obra que permanece influente até hoje.
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Quase nove séculos após sua morte, em 1131, Omar Khayyam segue sendo lembrado tanto por suas contribuições acadêmicas quanto por transformar o vinho em símbolo poético de prazer, reflexão e liberdade.