Voos altos e precisos

Inovações da Breitling conquistaram o mundo da aviação com sua excelência impecável e ganharam a fama de perfeitos


León Breitling era um perfeccionista nato. No ano de 1884, no pequeno município suíço de Saint-Imier, ele fundaria a primeira oficina de cronógrafos e contadores da empresa que hoje é sinônimo de excelência. O sucesso, praticamente instantâneo, levou-o a ampliar seu negócio.

Em 1892, a antiga oficina daria lugar a uma verdadeira fábrica de relógios, instalada na capital relojoeira suíça, Chaux-de-Fonds, hoje um distrito da bela Neuchâtel. Nesse local, a produção dos Breitling durou mais de oitenta anos.

Mas durante a Belle Époque viria a grande aliada da marca até os dias de hoje: a aviação. As primeiras experiências dos pioneiros dessa arte só foram possíveis devido às várias invenções que permitiram um grande avanço na performance de seus pilotos e modelos. Rapidamente, a empresa também atingiria em cheio os desejos do mundo das competições esportivas, principalmente em um período de intenso crescimento e avanço tecnológico dos automóveis. Era o doce encontro entre a velocidade da modernidade e a precisão.

Inovações

Em 1915, comandada por Gastón Breitling, filho de León, a empresa aproveitou um momento no qual o relógio de pulso se tornava cada vez mais popular para introduzir no mercado uma técnica inovadora. Ao criar um pistão separado da coroa, se tornou possível operacionalizar as três funções básicas do cronógrafo: arranque, paragem e reinício. Assim nasceu o pistão independente.

Outro avanço que revolucionaria para sempre a técnica dos cronógrafos foi concebido em 1923. Até essa época, não era possível adicionar diversos tempos sucessivos sem ter que repor os ponteiros ao zero. Assim que a Breitling aperfeiçoou seu sistema de controle para separar as funções de arranque e paragem, o mundo recebia uma importante inovação, propiciando um avanço significativo em áreas desde competições esportivas, tempos de voo e processos científicos.

Onze anos depois, seria a vez de Willy Breitling, neto de León, comandar a empresa durante a terceira grande revolução da história dos cronógrafos. 1934 foi o ano da criação do segundo pistão independente. Sua função era exclusivamente de repor o cronógrafo ao zero, algo surpreendente para a época.

Marcos
Duas proezas da Breitling se tornaram marcos no ramo dos instrumentos relojoeiros. O primeiro viria em 1942 e logo com uma régua de cálculo circular: o Chronomat. Desde funções como taquímetro, telêmetro e pulsômetro à multiplicação, divisão e regra de três simples eram resolvidas de maneira surpreendentemente rápida. Dez anos mais tarde, em 1952, os aviadores enfim se renderiam à marca com o Navitimer, cronógrafo capaz de resolver todos os cálculos de navegação aérea. Sem dúvida, esse modelo se tornou o maior ícone da Breitling, objeto de desejo por parte de todos os entusiastas da aviação.

Segredo do sucesso
Diz-se que um Breitling não é produzido, é concebido. Todo o método de criação é artesanal, fugindo completamente dos meios de produção em série. Então, cada relógio é único e tem sua história. Toda a segurança e precisão dos produtos conquistaram um ramo no qual essas qualidades são absolutamente imprescindíveis: a aviação. O primeiro contato da empresa com o mundo aeronáutico aconteceu em 1931, porém sua tecnologia seria posta à prova máxima apenas seis anos mais tarde, em um dos momentos de maior tensão da história: a II Guerra Mundial.

Para tal façanha, a Breitling precisou realizar uma série de adaptações que são utilizadas até hoje comercialmente, tais como um mostrador preto com grandes números brancos e luminosos envoltos por uma caixa de alumínio leve e robusta.

Experiência espacial
Não era o bastante dominar os céus e, em 1962, foi a vez de a Breitling realizar seu mais ambicioso projeto. Um Navitimer, com um escala especial de 24 horas, fez parte do arsenal de acessórios de Scott Carpenter em um voo orbital na cápsula Aurora 7 - o primeiro projeto espacial tripulado norte-americano.

A partir desse momento, a Breitling se tornou referência absoluta entre pilotos, engenheiros e matemáticos. Sua funcionalidade já estabelecida com clara unanimidade havia criado uma lenda ao redor do imaginário que envolve esse famoso sobrenome. Mesmo com inúmeros acessórios embutidos, um Breitling nunca perdeu sua elegância e sua íntima relação com um adjetivo: perfeição.

Carlos Eduardo Massarico

Publicado em 29 de Abril de 2009 às 05:44


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Artigo publicado nesta revista