Entre os Pirineus e o Ebro, a DO Costers del Segre é uma das regiões mais promissoras da Catalunha atualmente
Arnaldo Grizzo Publicado em 31/08/2026, às 15h22
No interior da Catalunha, um pouco mais distante da influência do mar Mediterrâneo, está uma das denominações de origem mais promissoras da Espanha. Costers del Segre é um mosaico de sete subzonas distintas, unidas pela bacia média do rio Segre e por uma história que entrelaça tradição milenar e inovação pioneira. O clima continental seco, marcado por alta insolação, escassas chuvas e as persistentes névoas de inverno, moldou uma viticultura única, praticada entre 200 e 1.100 metros de altitude.
A história vinícola da região remonta a séculos, mas foi na década de 1980 que Costers del Segre ganhou reconhecimento internacional. Em 1983, Jaume Siurana, diretor do Incavi, e Manuel Raventós Artes, diretor geral da Codorníu e da vinícola Raimat, perceberam que os vinhos das regiões de Lleida e a tradição enológica local mereciam ser geridos por um Conselho Regulador que também promovesse a região.
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A DO Costers del Segre foi constituída por decreto em 28 de maio de 1986 e ratificada em 11 de maio de 1988. Inicialmente contemplava quatro subzonas, expandindo-se em 1998 com a incorporação de Pallars Jussà e Segrià. Atualmente, a denominação abrange sete subzonas: Artesa de Segre, Urgell, Garrigues, Pallars Jussà, Raimat, Segrià e Valls del Riucorb.
O que torna Costers del Segre verdadeiramente especial é seu espírito pioneiro. Foi uma das primeiras regiões da Catalunha a introduzir variedades francesas como Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, cultivando as lado a lado com castas nativas e adotando técnicas de vinificação californianas. Essa fusão entre tradição mediterrânea e inovação internacional criou um estilo único que define a denominação até hoje.
Um dos grandes investidores da região é a família Torres. Desde 2012, a família tem se dedicado ao local e Miguel Torres Maczassek chegou a declarar que a subzona de Pallars “é um dos grandes recursos inexplorados da viticultura catalã”.
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O elemento unificador de Costers del Segre é a bacia média do rio Segre, situada entre os Pirineus ao norte e o rio Ebro ao sul. Porém, cada uma das sete subzonas possui características geológicas e climáticas relativamente singulares, criando uma diversidade de terroirs.
Os solos são predominantemente calcários cobertos de areia, com notável uniformidade em toda a denominação. O clima continental seco prevalece, afastado da influência marítima, caracterizado por elevada insolação, chuvas escassas e as névoas persistentes do inverno.
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As subzonas de Artesa de Segre e Pallars Jussà são as mais setentrionais, com vinhedos de maior altitude e influência dos Pirineus, onde o clima mais fresco favorece a acidez e a elegância. Raimat, situada no extremo leste, apresenta relevo suave e clima continental marcado. A subzona de Segrià, na planície de Lleida, caracteriza-se por terras de sequeiro. Já Garrigues e os vales de Riucorb são terras áridas, onde a rusticidade do terroir se traduz em vinhos de grande concentração.
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A chegada da filoxera à Catalunha ocorreu em 1879, mas na província de Lleida o inseto devastador só chegou em 1895. Em 1893, começaram a surgir evidências do inseto na comarca de La Seu d’Urgell, mas foi em 1895 que Agramunt, Balaguer, Castell del Remei e progressivamente todo o território ocidental viram seus vinhedos sendo afetados. Em 1896, as partes altas da Segarra já eram vítimas da praga. Na Conca de Tremp, a filoxera chegou em junho de 1900, com efeitos rápidos e devastadores.
Após a filoxera, o cultivo da vinha diminuiu drasticamente. Em 1909, a área plantada com videiras americanas (resistentes à filoxera) alcançou 15.161 hectares na província de Lleida, dos quais 13.343 eram terras replantadas e 1.818 eram terras que anteriormente não se dedicavam à viticultura. Os 102.920 hectares não reconstituídos foram dedicados principalmente ao cultivo de oliveiras.
As variedades destruídas pela filoxera na zona ocidental foram Pinot, Samsó, Sumoll e Garnacha. As variedades enxertadas em porta-enxertos americanos foram Monastrell, Macabeo, Trepat, Garnacha e Sumoll. Foi neste momento que variedades francesas, como a Cabernet Sauvignon, também foram importadas, marcando o início da vocação inovadora da região.
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Atualmente, a DO Costers del Segre autoriza uma ampla gama de variedades brancas e tintas, refletindo tanto o respeito pela tradição quanto a abertura à experimentação.
A produção máxima admitida é de 120 hectolitros de vinho por hectare, tanto para variedades brancas quanto tintas. Os métodos de produção seguem práticas tradicionais aliadas à tecnologia moderna. A extração do mosto ou vinho é realizada com pressão adequada, de modo que o rendimento não exceda 75 litros de mosto ou vinho por 100 kg de uva colhida.
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Quanto às categorias de envelhecimento, para utilizar o termo Crianza, o processo de envelhecimento será de 24 meses. Para vinhos tintos, este processo incluirá permanência mínima de seis meses em barricas de carvalho. Para vinhos brancos e rosés, a duração não será inferior a 18 meses, com permanência mínima de seis meses em barrica.
Reserva: Para vinhos tintos, a duração do processo não será inferior a 36 meses, com permanência mínima de 12 meses em barrica de carvalho e 24 meses de envelhecimento em garrafa. Para vinhos brancos e rosés, o processo terá duração mínima de 24 meses, com pelo menos seis meses em barrica e 18 meses em garrafa.
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Gran Reserva: Vinhos tintos exigem permanência mínima de 24 meses em barrica de carvalho e envelhecimento em garrafa de pelo menos 36 meses. Para vinhos brancos e rosés, a duração do processo será mínima de 48 meses, com envelhecimento em carvalho de no mínimo seis meses e envelhecimento em garrafa de 42 meses.
Os produtores registrados que desejam obter a qualificação e certificação do vinho devem apresentar uma solicitação de admissão para cada lote de vinho ao Conselho Regulador.
Costers del Segre é um capítulo único na história do vinho da Espanha. A região se destaca por combinar tradições antigas com inovação, reunindo sete terroirs diferentes sob uma só denominação. Seus vinhos refletem tanto a influência mediterrânea quanto uma elegância mais continental, tornando o local imperdível para quem aprecia vinhos autênticos e cheios de personalidade.
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