Revista ADEGA

A hora certa

Da redação em 19 de Março de 2013 às 12:41

Abrir um vinho é um momento de alegria, mas também de angústia algumas vezes. Alegria, pois desarrolhar uma garrafa (não importa qual) é um ato mágico, que nos remete a lugares, culturas e tempos muitas vezes distantes. Angústia, porque sempre há a expectativa de que esse líquido tão preciso esteja em seu melhor momento, principalmente quando se trata de um rótulo que guardamos com carinho em nossas adegas para ser bebido anos depois em uma ocasião especial.

Definir a melhor hora de abrir um vinho definitivamente não está no escopo de uma ciência exata. As variáveis são tantas, incluindo aí taninos, acidez, álcool, estrutura de frutas, clima, solo, métodos de vinificação etc, que afirmar com 100% de certeza se uma garrafa está pronta, só mesmo com base empírica. Isso sem contar com a questão do "gosto pessoal", pois há quem ame, ou odeie, por exemplo, certos toques de evolução em aromas e sabores, ou que goste de perceber os taninos mais ou menos polidos. Enfim, para saber se um vinho está pronto, o melhor mesmo é provar, ou - apesar de nenhuma garrafa ser igual à outra - valer-se da recente experiência de outros enófilos ou especialistas.

ADEGA resolveu dar uma mão para quem abriu agora a adega, deparou-se com sua coleção de vinhos e não sabe exatamente quais estão ideais para abrir neste momento, no seu auge. Elaboramos uma matéria cobrindo as principais regiões e analisando safras que atingiram seu potencial evolutivo, cujas garrafas podem ser abertas em 2013 para seu deleite. Então, não tenha medo de provar alguns dos seus tesouros já neste ano.

E como estamos tratando de vinhos antigos, não podemos deixar de dizer que, mesmo que alguns rótulos talvez não estejam mais em seu auge, que já pareçam um pouco mais evoluídos, isso não necessariamente quer dizer que estão mortos e não darão prazer a que os degusta. A maioria dos vinhos da Borgonha das décadas de 1970 para trás já passaram do seu "prime time", porém, em uma degustação especial que contou com três tintos dos anos 60 e um branco dos 90, ADEGA se deliciou com os toques evolutivos desses vinhos.

Nesta edição, ainda apresentamos uma prova de harmonização com vinhos e pratos do Alentejo inspirados nas receitas do chef Vitor Sobral. De Portugal, passamos à Mallorca, com a história de seus inusitados vinhos contada por Miguelàngel Cerdà, da Ànima Negra. Depois, vamos à França nos enamorar dos Champagne Deutz e, por fim, parar na Moldávia para conhecer a maior cave do mundo. Isso tudo com dezenas de vinhos avaliados e apresentados em nossas páginas.

Saúde,
Christian Burgos e Arnaldo Grizzo


Editorial

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