A união entre delicadeza e força

A harmonização de champagnes com charutos é possível. Aprenda a combinar estes dois prazeres


Luna Garcia

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O poeta descreveria bolhas e fumaça como amores que, às vezes, vêm, às vezes vão, assim como neblina e cerração. Ao contrário da intensidade dessa época do ano, champagnes com charutos devem harmonizar com suavidade, lembrando que são perfeitos desde que bem selecionados.

As uvas utilizadas na produção de champagnes são três: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. Estas últimas são uvas tintas, mas os vinhos, elaborados sem a casca, são brancos. O champagne é um blend de trinta a duzentos vinhos brancos. Normalmente são misturas de vinhos brancos provenientes de uvas tintas com vinhos brancos provenientes da uva branca Chardonnay. O rosé é um corte de vinhos brancos e tintos, o blanc de blanc é elaborado apenas com a uva branca Chardonnay e o blanc de noir, com uvas tintas. Podem ter seis classificações, conforme o teor de açúcar adicionado para a segunda fermentação: Doux (Doce), Demi- Sec (Meio-seco), Sec (Seco), Extra-Sec (Extra-seco), Brut (Bruto) e Extra-Brut (Extra-bruto).

Sendo em sua maioria de menor estrutura e de teor alcoólico baixo (geralmente ficam nos 12%), os champagnes tendem a potencializar mais os charutos, não o contrário. A escolha de um charuto para estas ocasiões deve contar também com a harmonização das refeições servidas, o que chamamos de finalizações.

Deve-se dar preferência a charutos com notas mais adocicadas, amendoadas, avaniladas, florais, cítricas e condimentos suaves, com predominância dos doces. Os formatos intermediários são os mais apropriados (robustos e coronas), para que o champagne dure mais do que o próprio charuto. Lembrese de que tamanho não é documento, formatos menores podem ser bastante potentes e apresentar notas como terra úmida, madeira, especiarias fortes e café.

Uma cautela ainda maior são os charutos comemorativos, que em sua grande maioria são de maturação e fermentação mais longa, processo que aumenta sua potência e marca as notas mais fortes. Estes charutos são para serem harmonizados com bebidas mais fortes e de teores alcoólicos mais elevados.

Uma opção que pode ser encontrada no Brasil para combinar com champagnes é o “Quai D’Orsay” (corona- Cub). Charuto produzido para o mercado francês, ele possui valores secos e leves, ligeiramente temperados por notas aciduladas, que crescem durante a combustão, apresentando condimentos bem suaves. Com exceção do champagne Doux (Doce), harmoniza bem com todos os outros estilos. Para o Doux (Doce), há duas opções: “Romeo y Julieta Exibicuón nº 4” (robusto-Cub) com seu frescor, redondez, doçura e saborosas notas de frutas tropicais. Ele é de fácil acesso ao consumidor brasileiro; a segunda opção, no mesmo grau de igualdade, é o “Arturo Fuente 858” (Dom). Este príncipe é de uma suavidade e elegância que faz charuto e champagne se merecerem, suas notas de sabor tendem ao pão de mel e nozes, com um retrogosto achocolatado. Que a fumaça de um novo ano se concentre nos aromas e sabores de seu charuto, e borbulhem na escolha de seu champagne predileto.

Paulo Rogério Bueno

Publicado em 17 de Dezembro de 2007 às 13:53


Charutos

Artigo publicado nesta revista