Château Le Puy e a essência dos vinhos naturais

Uma vertical de 12 safras mostrou o potencial de envelhecimento dos "naturais"


Divulgação / World Wine

No início de março, a revista ADEGA participou de uma grande degustação vertical (do mesmo vinho em safras diferentes) do Château Le Puy, uma casa que defende o estilo de produção de vinhos naturais. Foram 12 safras provadas. Do Château Le Puy: 1967, 1984, 1988, 1992, 1998, 1999, 2000 e 2004. Além dos Château Le Puy Barthélemy 1998, 1999 e 2000 - uma cuvée especial que teve seu lançamento com a safra de 1998 - que não recebe sulfitos nem mesmo antes do engarrafamento (ao contrário do que ocorre no engarrafamento dos Château Le Puy.

Fotos: Divulgação

Prova
Durante a prova, todos os vinhos estavam "vivos", incluindo o 1967, que estava mais "vivo" que o 1984. O Le Puy 1992 foi o mais encantador nos aromas. Parecia mais um Borgonha que um Bordeaux, tremenda sua elegância. Dos demais, o Le Puy 1998 estava vigoroso e rico, prometendo muito para os próximos anos.

No entanto, o destaque mesmo foi a apresentação dos Barthélemy. Impressionante o vigor e a pureza do vinhos. Ainda estão jovens, mas muito prazerosos. O 2000 fez jus à safra (o ano foi um dos melhores de todos os tempos na região de Bordeaux) e foi o destaque dentre os três mais afamados. Todos os Barthélemy foram avaliados com 90 pontos ou mais.

Conclusão
Então, qual a conclusão? Importante é quebrar um paradigma de que vinhos naturais são frágeis, não envelhecem. Na realidade, essa degustação trouxe um resultado bem divergente dessa afirmação. Os exemplares mais velhos envelheceram, evoluíram e ainda propiciam muito prazer. Os mais jovens, pelo retrospecto, vão seguir os passos dos irmãos mais velhos, pois todos estavam muito vivos e estruturados.

Foi impressionante colocar lado a lado e comparar o Le Puy 1967 com o 2004. O mais velho tinha uma cor de tijolo, mostrando o que o passar do tempo lhe causou e o mais novo da mesa, o 2004, estava firme, tânico e quase retinto. Ambos muito bons, respeitando-se o que se espera de cada. Houve uma aula de respeito ao vinho, uma degustação que merecia ser registrada.

Na seção "Cave", avaliamos o Château Le Puy Barthélemy 2004, que não fez parte dessa prova.

Sobre o Château Le Puy
Ele está localizado em Saint-Cibard, na Côtes de Francs, margem direita a leste de Saint-Emilion, na grande região de Bordeaux. Hoje, tem a classificação de Appelation Bordeaux Côtes de Francs Contrôlée. Foi fundado em 1610 e segue a cultura biodinâmica na íntegra. Sua meta e seus procedimentos são para produzir vinhos naturais, banindo o uso de fertilizantes sintéticos, herbicidas, e pesticidas.

Seu cuvée prestige, o Barthélemy não recebe sulfitos, nem no engarrafamento, sendo assim um vinho 100% natural. Os vinhos normalmente passam por dois anos em carvalho, cerca de seis meses mais que a maioria dos fermentados de Bordeaux. O uso do carvalho é meticuloso e sua intenção não é produzir vinhos com excesso de madeira. Por isso, usa grande quantidade de barricas com alguns anos de uso.

O produtor e proprietário da vinícola, Jean Pierre Amoreau, costuma dizer com ênfase: "Ser um produtor de vinho é ser um observador, curioso, trabalhador, sábio, amante da natureza e dos seres vivos, e respeitar o próximo".

Luiz Gastão Bolonhez

Publicado em 2 de Abril de 2009 às 06:45


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Artigo publicado nesta revista