inhedos do Alentejo, em Portugal, intensificam a colheita noturna para enfrentar verões cada vez mais quentes e preservar a qualidade dos vinhos

por Redação
Os vinhedos do Alentejo, em Portugal, registram cada vez mais a presença de trabalhadores durante a madrugada. A prática, antes pontual, tornou-se comum com os verões mais longos e quentes do país, efeito direto das mudanças climáticas.
No Herdade da Fonte Santa, em Vimieiro, a colheita ocorre entre meia-noite e 8h desde 2019. Em entrevista ao britânico Independent, Bárbara Monteiro, coproprietária da vinícola, admite que houve resistência inicial, mas diz que hoje a equipe prefere a rotina noturna. Além de escapar do calor que pode ultrapassar 40 °C durante o dia, os trabalhadores conseguem aproveitar melhor o restante do dia. “Hoje podemos dizer que eles já preferem este horário”, afirma.
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A colheita noturna não é novidade no sul da Europa. Vinhedos da Itália e da Espanha adotam o método há anos, como o El Coto de Rioja, em La Rioja, que inicia os trabalhos antes do amanhecer. A estratégia protege as uvas da oxidação, preserva a acidez natural e evita fermentações precoces, problemas agravados pelo calor. À noite, as temperaturas podem cair mais de 20 °C, garantindo maior frescor e complexidade ao vinho.
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No Alentejo, considerado uma das principais regiões vitivinícolas portuguesas, o método se consolidou como resposta à aceleração do amadurecimento das uvas. Sob calor intenso, o açúcar atinge o ponto ideal antes da evolução dos aromas e sabores, resultando em vinhos alcoólicos, mas menos equilibrados. A colheita noturna permite manter a qualidade sensorial e estabilizar a produção.
Além da questão técnica, há ganhos para quem trabalha nos vinhedos. O encarregado Vítor Lucas, de 55 anos, afirma que prefere a madrugada às temperaturas diurnas. Entre uma fileira e outra, por volta das três da manhã, a equipe pausa para a tradicional “bucha”, refeição com pão, queijos, enchidos e até um pouco de vinho, antes de retomar a colheita até o nascer do sol.