Grupo chileno passa a atuar em uma das origens mais valorizadas do mundo do vinho

por Redação
A história da Maison Mirabeau não começou em grandes châteaux nem em salas de conselho. Começou em 2009, na garagem de uma casa em Cotignac, vilarejo localizado na Provence, no sul da França, uma das regiões vinícolas mais emblemáticas do país, entre o Mediterrâneo e os Alpes. Foi ali que Jeany e Stephen Cronk decidiram transformar a paixão pelo estilo de vida provençal e pelos rosés locais em um projeto próprio. Pouco mais de uma década depois, aquela iniciativa artesanal se consolidou como uma das marcas de rosé da Provence mais reconhecidas no mercado internacional.
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Esse caminho de crescimento consistente, identidade bem definida e forte conexão com sustentabilidade levou a Mirabeau a um novo capítulo: a vinícola francesa acaba de ser adquirida pela Viña Concha y Toro, por meio de sua divisão europeia. O movimento marca a entrada oficial do grupo chileno na Provence, uma das origens mais valorizadas e desejadas do mundo do vinho, especialmente quando o assunto são rosés de alta qualidade.

Fundada oficialmente em 2010, a Maison Mirabeau construiu sua reputação apostando em rosés de perfil elegante, frescos e gastronômicos, alinhados ao estilo clássico da Provence, mas com linguagem contemporânea. A marca ganhou força especialmente no Reino Unido, onde se tornou líder no fornecimento de rosés da região para o canal on trade, além de ampliar sua presença em outros mercados europeus e globais.
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Mais do que volume, a Mirabeau sempre trabalhou com foco em marca, experiência e propósito. Sustentabilidade, transparência e relação próxima com consumidores foram pilares desde o início, uma abordagem que ajudou a diferenciar a vinícola em um segmento cada vez mais competitivo.
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Para a Viña Concha y Toro, a aquisição da Mirabeau representa mais do que a compra de uma vinícola: é um passo estratégico dentro de sua política de premiumização e diversificação de origens. Ao incorporar a Provence ao seu portfólio, o grupo passa a atuar diretamente em uma denominação com forte apelo global, especialmente entre consumidores que buscam rosés de alta qualidade e identidade territorial clara.
A operação não prevê mudanças visíveis para o consumidor. A Maison Mirabeau continuará operando com sua identidade própria, mantendo equipe, posicionamento de marca e acordos de distribuição já existentes. Stephen Cronk segue como CEO da vinícola, garantindo continuidade ao projeto que ele e Jeany ajudaram a construir desde o início.
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Um dos pontos de maior afinidade entre Mirabeau e Concha y Toro está na agenda ambiental. Ambas são certificadas como B Corporations, reconhecimento concedido a empresas que atendem altos padrões de desempenho social e ambiental.
Além disso, a Mirabeau foi o primeiro vinhedo da França a obter a certificação Regenerative Organic, enquanto a Concha y Toro, por meio da Bonterra Vineyards, administra um dos maiores vinhedos regenerativos certificados do mundo. Stephen Cronk também é cofundador da Regenerative Viticulture Foundation, iniciativa da qual o grupo chileno já era apoiador.
Esse alinhamento reforça a intenção de acelerar práticas regenerativas, reduzir impactos ambientais e fortalecer um modelo de crescimento sustentável no longo prazo.
Ao integrar a Maison Mirabeau ao seu portfólio, a Concha y Toro amplia sua presença internacional sem diluir identidades locais. A estratégia aposta na força de uma marca que nasceu pequena, cresceu com propósito e hoje ocupa um lugar de destaque entre os rosés premium da Provence.
Em um momento desafiador para o setor global do vinho, o movimento sinaliza confiança no valor cultural, econômico e simbólico do vinho, além de reforçar a aposta em produtos de maior valor agregado, origem reconhecida e práticas responsáveis. Para a Mirabeau, é a chance de levar sua essência provençal a novos mercados; para a Concha y Toro, a consolidação de uma visão global cada vez mais focada em qualidade, origem e sustentabilidade.