Revista ADEGA

Nas encostas do Douro

Cheia de pequenos detalhes, a arquitetura da Quinta do Vallado traz mais charme para uma região repleta de encantos

Carolina Almeida em 20 de Maio de 2011 às 11:40

Fotos: Divulgação

Antes de apresentar a Quinta do Vallado, uma das mais antigas e famosas do Vale do Douro, devemos introduzi-la no contexto histórico da região. Em 1756, Marquês de Pombal, então primeiro-ministro de Portugal, levava a cabo um ambicioso programa de reformas, que tinha por objetivo desenvolver o país e incrementar a produção nacional. Para isso, ameaçou prender e expropriar os agricultores do Douro que não cuidassem bem de suas terras. O plano deu certo e muitos vinhedos passaram a florescer, como o de Bernardo Ferreira. Duas gerações depois, a neta de Bernardo, Antonia Adelaide Ferreira, fez fama e ganhou reconhecimento por se dedicar ao cultivo do Vinho do Porto e introduzir diversas inovações na área.

Quinta do Vallado pertence aos herdeiros da famosa Antonia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha

Ferreirinha, como era chamada, preocupava-se com a família dos trabalhadores de suas terras e sempre esteve na luta contra sucessivos governos que preferiam usar os recursos disponíveis para construir estradas e comprar vinhos espanhóis, ao invés de investir no cultivo interno. Após a filoxera devastar a Europa, Ferreirinha foi até a Inglaterra em busca de uma solução para a peste.

Mais tarde, uma nova crise, desta vez comercial, acarretou em abundância de produção, que por sua vez obrigou diversos produtores a colocar suas Quintas à venda. Para impedir que as terras portuguesas caíssem em mãos estrangeiras, Ferreirinha comprou grande parte delas. Além disso, subsidiou a construção de hospitais em Peso da Régua, Vila Real, Moncorvo e Lamengo. Ao falecer, em 1896, possuía uma fortuna considerável e mais de 30 Quintas, sendo uma delas, a do Vallado. Atualmente, a Quinta pertence a João Álvares Ribeiro e a Francisco Ferreira, tetranetos da Ferreirinha.

O Douro
A Quinta do Vallado está incrustada em pleno coração do Douro, a poucos quilômetros de distância do centro histórico de Peso da Régua, e ocupa as duas margens do rio Corgo, um dos afluentes do rio Douro. Lá, a família possui 70 hectares de vinhas, algumas delas com mais de 80 anos. O Douro é reconhecido tanto pela sua beleza singular e por seus famosos socalcos xistosos, quanto pelo próprio rio, seus afluentes e os 48 mil hectares de vinhas. O encantamento é tanto que, em 2001, a região foi reconhecida como Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO.

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Quinta fica no coração do Douro, a pouco quilômetros de distância do centro histórico de Peso da régua

Fotos: Divulgação
fotos: divulgação

Sutilezas
Em meio às mais belas vinhas e um solo xistoso está a casa principal da Quinta, de cor ocre, com quatro andares. Alguns detalhes chamam a atenção por sua simplicidade e elegância. Logo na entrada, um portão verde com uma placa anunciando a Quinta do Vallado e, abaixo, o nome de sua fundadora, D. Antonia Adelaide Ferreira. Seguindo em frente, no alto do prédio, o brasão da família avisa que aquele é um lugar cheio de tradições. Na área de fora da casa vemos o cuidado com a natureza, com as árvores e os gramados e, mais adiante, um portãozinho antigo, já enferrujado, que anuncia o limite entre a casa e a natureza mais "bruta". Nos vinhedos, mais pequenezas que chamam a atenção, como as plantações de rosas, que convivem em harmonia e embelezam as intermináveis fileiras de vinhas. São uma série de sutilezas que mudam - para melhor - a maneira de se enxergar a Quinta do Vallado e, abaixo, o nome de sua fundadora, D. Antonia Adelaide Ferreira. Seguindo em frente, no alto do prédio, o brasão da família avisa que aquele é um lugar cheio de tradições. Na área de fora da casa vemos o cuidado com a natureza, com as árvores e os gramados e, mais adiante, um portãozinho antigo, já enferrujado, que anuncia o limite entre a casa e a natureza mais "bruta". Nos vinhedos, mais pequenezas que chamam a atenção, como as plantações de rosas, que convivem em harmonia e embelezam as intermináveis fileiras de vinhas. São uma série de sutilezas que mudam - para melhor - a maneira de se enxergar a Quinta.

Reformas
No início, todo o vinho produzido era vendido para a Casa Ferreira, que pertencia à família. Mas desde 1993, a Quinta vem expandindo sua atividade e está presente em todas as etapas de produção, incluindo o engarrafamento e comercialização de vinhos com marca própria. Para isso, utiliza uma série de equipamentos de alta tecnologia.

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Quinta do Vallado é capaz de receber turistas em um hotel com cinco quartos

A nova adega e cave de barricas, cuja construção se iniciou em 2008, foi capaz de integrar as necessidades da Quinta com a paisagem e geografia locais. Houve uma reestruturação do edifício existente e a edificação de um novo prédio, que passou a abrigar também um Armazém de Fermentação, Armazém de Barricas e Recepção. Neste mesmo local foi construída uma cave semi-subterrânea, com capacidade para 100 barricas de carvalho francês e condições perfeitas de controle de temperatura e umidade. Além do carvalho, há gigantescas cubas de inox para os vinhos correntes descansarem por cerca de nove meses.

Fotos: Divulgação

Enoturismo
Nos últimos anos, o enoturismo no Douro teve grande crescimento. Milhares de amantes do vinho visitam a região anualmente. Para satisfazer essa demanda, desde 2005 a Quinta do Vallado recebe turistas num pequeno hotel, situado na casa principal, cujo interior foi reconstruído exatamente para essa função. São cinco quartos e diversas atividades, que incluem uma visita às adegas nova e velha, às caves onde repousam os vinhos Reserva e Porto e ao museu da vinícola, que abriga equipamentos antigos usados nas safras passadas.

Vinícola possui uma maravilhosa vista para o rio Corgo, abriga um museu e possui espaço para eventos de gastronomia

Além dessas visitas, o turista também pode relaxar numa piscina, conhecer o rio Corgo e provar harmonizações feitas especialmente para os vinhos da Quinta. Há, ainda, uma sala e cozinha especiais para eventos gastronômicos e degustações. Por fim, a casa também abriga uma loja concebida especialmente para os visitantes, onde então disponíveis todos os vinhos comercializados por ela.


Enoarquitetura

Artigo publicado nesta revista


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