O encontro de Dionísio com Netuno

Dos 275 rótulos do paulistano Amadeus, cerca de 50% são de brancos, englobando os clássicos e boas surpresas do Novo Mundo


Amadeus/divulgação
A adega climatizada abriga 2.500 garrafas

Famoso por suas ostras frescas de cultivo próprio, o restaurante Amadeus é também um templo de Baco. A casa, que existe há 20 anos, pertence a Tadeu Masano, descendente de portugueses, libaneses e italianos. Bella Masano, filha de Tadeu, formada na França pelo Le Cordon Bleu, comanda a cozinha. Quem pilota o saca-rolha é Flávio Cristóvão, que começou na casa há 16 anos como caixa, passando pelo bar e pela cozinha, até chegar ao posto de sommelier. Seu serviço é atencioso e sem erros, O aconselhamento de vinhos é normalmente feito pelo próprio restauranteur, Tadeu, bom conhecedor, que usa de toda sua intimidade com o cardápio e com cada rótulo da carta para chegar ao casamento mais adequado ao cliente.

A carta de vinhos relaciona 275 rótulos, cerca de 50% brancos, com uma variedade muito boa, abrangendo não apenas os clássicos, mas bons brancos da Nova Zelândia, Austrália, África do Sul, Espanha, Alemanha, Áustria e Hungria. Na faixa dos R$ 100 podese encontrar boas opções, como o "Cloudy Bay Sauvignon Blanc 2004" (R$ R$ 175), vinho emblemático da Nova Zelândia e uma ótima sugestão para as fantásticas ostras frescas da casa.

Boas escolhas também são o húngaro "Oremus" (R$ 125), o austríaco "Gruner Veltliner" (R$ 125), o alemão "Riesling Burkling Wolf" (R$ 135), além do brasileiro "Villa Francioni Chardonnay" (R$ 88). Para acompanhar o carro-chefe da casa, a "Sinfonia de Camarões", pode ser interessante desarrolhar o Lenswood Semillon 2000 (R$ 165). Este branco australiano é untuoso, encorpado e já mostra evolução. Uma opção mais em conta para este prato é o Amadeus Chardonnay 2004 (R$ 88), elaborado pela vinícola chilena De Martino, com rótulo personalizado pelo restaurante.

Para quem quiser camarões sem sair do universo dos tintos, a pedida é o prato de camarão e azeitonas pretas com um Pinot Noir da Borgonha, o "Faiveley 2003" (R$ 128).

A oferta de vinhos de sobremesa é muito boa, com 24 rótulos, sendo dez em meia garrafa e dez em taça. Já os vinhos de mesa vendidos por taça são poucos, apenas o tinto e o branco do dia. Trazer seu próprio vinho só é permitido a clientes cadastrados e a taxa de rolha segue o preço do vinho mais barato da carta, R$ 40.

A adega climatizada abriga 2.500 garrafas e as taças, de excelente qualidade, são de cristal importado. Alguns brancos e espumantes de maior giro ficam em uma adega separada, mais fria, o que auxilia na temperatura de serviço.

Aos discípulos de Dionísio que desejarem render homenagens gastronômicas a Netuno, o Amadeus é um endereço certo na capital paulistana.

Marcelo Copello

Publicado em 16 de Abril de 2007 às 13:17


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Artigo publicado nesta revista