O mundo veste Prada

Símbolo de criatividade e elegância, a Prada atualmente é conhecida como uma das maiores representantes da moda contemporânea


fotos: divulgação
Inicialmente, a marca registrada da grife era o couro

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No início, em 1913, a grife italiana era apenas conhecida como Prada Brothers. Milão foi o berço da empresa criada por Mario Prada, que teve sua fama inicial derivada de suas bolsas, malas de viagem e artigos de couro. Quase setenta anos depois de seus primórdios, a marca ainda era reconhecida apenas pelos artigos de luxo criados por seu fundador. Em 1978, quando a neta e herdeira Miuccia Prada assumiu o comando da empresa, ela já havia perdido grande parte de seu glamour. O que ninguém esperava era a revolução que Miuccia promoveria na grife.

No mesmo ano em que começou a dirigir a empresa, a herdeira criou uma linha de bolsas femininas tencionando atrair atenção para a marca. Para a fabricação, decidiu usar o nylon Pocono, usado para fazer tendas militares. Essa mudança causou espanto, pois a marca registrada da grife era o couro. Mas o nylon provou seu sucesso, compondo bolsas belas e resistentes. Estava, então, inaugurada a nova proposta da Prada: criar roupas e acessórios somando beleza e praticidade.

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Cena do filme O Diabo veste Prada

fotos: divulgaçãoEm 1989, em seu primeiro desfile prêt-à-porter, Miuccia revolucionou o conceito da grife e mostrou seu potencial para criar uma Prada completamente diferente. O estilo da marca foi reconfigurado, adaptando-se muito mais a idéia de moda direcionada a mulheres inovadoras, ousadas e independentes. Anna Wintour, a poderosa e implacável editora-chefe da revista Vogue norteamericana, mostrou sua satisfação com a marca dizendo que Prada era o único motivo para alguém assistir a temporada de moda de Milão. Outras grifes, impressionadas com o grande sucesso de Prada, não perderam tempo e começaram a produzir roupas com a mesma proposta, o que nem sempre rendia boas criações. A reação veio de imediato. A crítica comparou a grife Gucci à Prada, dizendo que “enquanto a mulher da Gucci está tomando tequila, no fundo de um bar vestindo minissaia e top, a mulher da Prada encontra-se em um café lendo Proust”. O público, até então acostumado ao apelo sensual e feminino de marcas tradicionais, como Versace, surpreendeu-se com as linhas retas e o tom intelectual da coleção. E aprovou as inovações.

Em 1990, a empresa iniciou um movimento de compra da grife italiana Fendi, seguindo a tendência de outras empresas de englobar a maior quantidade de marcas possível. Mais tarde, a porcentagem adquirida da Fendi foi vendida para amenizar as dívidas que a empresa havia herdado. Dois anos depois, Miuccia criou sua marca direcionadas ao público mais jovem, a Miu Miu, com preços mais acessíveis e uma moda vintage. Pouco depois do lançamento, seu marido, Patrizio Bertelli, tornou-se responsável pela administração do grupo Prada. A criatividade e a elegância da Prada não restringiu-se ao vestuário. Também invadiu a arquitetura. Até hoje a grife contrata artistas renomados para desenhar suas lojas.

As grandes criações de Miuccia foram inspiração para o best-seller O Diabo veste Prada, de Lauren Weisberger, e, mais recentemente, para o filme homônimo, dirigido por David Frankel. No filme, Meryl Streep é Miranda Priestly, a gélida editora da revista Runway, personagem diretamente inspirada em Anna Wintour, de quem a autora Lauren Weisberger foi assistente pessoal. A Prada foi escolhida para o título pois representa a marca favorita de Anna Wintour. Aliás, ela apareceu no lançamento em um deslumbrante vestido criado por Miuccia, mostrando ser ainda a madrinha da grife.

Luisa Migueres

Publicado em 5 de Março de 2008 às 08:51


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Artigo publicado nesta revista