Revista ADEGA

O que esses 11 ícones têm em comum?

A Primum Familiae Vini, que reune 11 das mais importantes famílias do mundo do vinho e defende as milenares tradições do vinho, neste ano escolheu o Brasil para seu grande encontro

Christian Burgos em 23 de Setembro de 2010 às 08:15

Quando se fala em encontro de pessoas importantes, logo surgem os mitos. Sempre haverá "teorias da conspiração" que advogam que os poderosos se unem para dominar o mundo ou para guardar segredos catastróficos. A igreja, os cavaleiros templários, a maçonaria, a máfia, o G7, são apenas alguns dos exemplos de grupos que historicamente foram considerados poderosos, detentores de segredos e forças que regem as engrenagens do mundo e dominam, grande parte das vezes sem serem percebidos, os desígnios da humanidade.

Então, quando as principais famílias do mundo do vinho resolvem se reunir em uma associação, nada mais natural que surjam diversos mitos em torno disso. No entanto, para o Primum Familiae Vini (PFV) - o grupo de algumas das famílias mais importantes do vinho - de mítico já bastam seus próprios membros. E ao contrário das histórias da Cosa Nostra, que inspira conchavos secretos e ações no submundo para favorecer os pertencentes à ordem, este é um grupo que se reúne não só para defender seus interesses e a cultura e as tradições do vinho, mas também para, com seu poder de atração, ajudar a criar um futuro melhor por onde passar.

Quem vive o mundo do vinho sabe que a cultura milenar a que ele remete é a da valorização das tradições, do bem cuidar da terra, da preocupação com as gerações futuras, do apego ao preço do conhecimento histórico, enfim, da prática de boas ações. Envoltos por esse tipo de pensamento houve uma reunião da PFV com a Childhood Brasil, em São Paulo, recentemente, que culminou na celebração do acordo para que a PFV fizesse de sua turnê anual um encontro de arrecadação de fundos para a Childhood Brasil.

O que é a Primum Familiae Vini?

A PFV é uma associação de no máximo 12 membros formados apenas por vinícolas ícones mundiais, e cujo capital e gestão são 100% familiares. Tudo começou no verão de 1991. Miguel Torres e Robert Drouhin caminhavam entre vinhedos trocando ideias e falando de amigos no mundo do vinho quando deram-se conta de compartilhar da mesma filosofia e dos desafios na condução de suas vinícolas familiares.

O plano de aproximar companhias similares foi crescendo e, no ano seguinte, encontraram-se novamente, dessa vez com a presença de mais três famílias: Mondavi, Symington e Antinori. Em seguida, esse grupo foi recebido em Florença por Piero Antinori e, nos dois anos seguintes, outros encontros aconteceram: em Beaune, tendo Drouhin como anfitrião; em Vilafranca Del Penedès com Torres fazendo as honras; e no Porto, com os Symington como anfitriões em 1993 -sendo o grupo oficialmente estabelecido naquele ano. Em 1994, uma visita à Hugel, na Alsácia, uniu pela primeira vez as 12 famílias membro da PFV, e o encontro se repetiu pouco antes da Vinexpo 1995 em Bordeaux.

Para promover o vinho

As famílias que compreendem a PFV se mostram conscientes de que cada uma compartilha a ambição pela excelência e pela eficiência, mas, acima de tudo, como aponta Dominic Symington, a certeza de que eles são " apenas guardiões de suas empresas para as gerações futuras". Um dos dramas que todos reconhecem enfrentar são problemas de natureza fiscal para transmissão do negócio familiar para os herdeiros, mas outros pontos são elencados na definição das missões do grupo:
- promover e defender os valores morais centrais dos negócios familiares;
- intercambiar informações enológicas e agronômicas, e promover métodos tradicionais que sublinhem a qualidade do vinho e o respeito ao terroir;
- promover o consumo moderado de vinho, numa tradição cultural de convivência e "savoir-vivre";
- trocar informações úteis em todos os aspectos de suas operações empresariais.

Em resumo, esse grupo formado por vinícolas da França, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha tem por objetivo defender e promover tradições e valores de vinícolas familiares e assegurar que seus ideais sobrevivam e prosperem para futuras gerações.

Reuniões fechadas e secretas?

Em 29 de novembro de 1995, os membros da PFV foram recebidos em audiência no Palácio Zarzuela, em Madri, pelo rei Juan Carlos I da Espanha, que foi presenteado com uma Caixa da Coleção PFV, contendo exemplares de vinho de cada uma das então 12 famílias associadas.

Em 4 de maio de 1999, foi a vez dos membros da PFV serem recebidos pelo rei Carl XVI Gustaf no Palácio Real da Suécia. Hubert de Billy apresentou seus colegas ao monarca e eles discutiram os objetivos da associação. Na ocasião, o monarca, que é um entusiasta dos vinhos, foi também presenteado com um Caixa da Coleção PFV.

Dominic Symington revela que somente os dois monarcas foram presenteados com as Caixas da Coleção PFV, e que "esta coleção não é apenas composta por uma garrafa de cada família, mas de uma garrafa magnum do vinho ícone de cada família em sua melhor safra disponível na data de sua apresentação". Desde 1995, as famílias passaram a se reunir anualmente, estreitando os laços entre as diversas gerações, que têm a oportunidade de conviver e participar das discussões sobre temas que influenciam as empresas de todos e o mundo do vinho em geral. E, assim como há um revezamento na família anfitriã, há uma rotatividade anual na presidência do grupo.

Para integrar o Primum Familiae Vini é preciso ser aprovado unanimemente pelos atuais membros

Os 12 membros

Uma razão simples faz com que a associação apresente 12 membros como número ideal e máximo: o tamanho de uma caixa de vinhos. Mas a caixa nem sempre fica cheia, como acontece hoje, com seus 11 associados.

Em 18 de junho de 2004, o Marques Nicolò Incisa della Rocchetta, da Tenuta San Guido - Sassicaia, em Bolgheri, foi selecionado por unanimidade para ocupar a 12a vaga na "caixa", que havia ficado vaga por seis anos. Logo depois, em janeiro de 2005, aconteceram mudanças societárias e no controle da companhia de Robert Mondavi e o mesmo ocorreu praticamente um ano depois com Paul Jaboulet Ainé - o que levou esses membros fundadores a se retirarem da PFV, deixando a caixa novamente com menos de 12 membros.

Em janeiro de 2006, foi a vez da família Perrin, do Château de Beaucastel, unir- -se à PFV, e alcançar sua configuração atual de 11 membros: Marchesi Antinori, Château Mouton Rothschild, Joseph Drouhin, Egon Müller Scharzhof, Hugel & Fils, Champagne Pol Roger, Perrin & Fils, Symington Family Estates, Tenuta San Guido, Miguel Torres e Vega-Sicilia.

Na reunião em São Paulo, François Perrin e Dominic Symington ressaltaram que nunca há pressa em encontrar a 12a família para o grupo, pois cada novo membro tem de ser indicado por uma das famílias, compartilhar os valores do grupo e ser aprovado por unanimidade para só então ser convidado.

Revelando os segredos ao mundo?

Além dos encontros fechados entre os membros, anualmente são selecionados países específicos para sediar eventos de apresentação das famílias, seus vinhos e sua filosofia, e para a celebração de jantares de gala.

Como sinal da importância dos mercados asiáticos, em 2009, a Ásia foi escolhida pela quinta vez para receber a turnê anual. Agora, em novembro de 2010, a PFV visitará a América do Sul pela primeira vez, apresentando seus melhores vinhos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A PFV divulgou que "o mercado brasileiro se desenvolveu não apenas em volume, mas tornou-se um dos destaques para grandes vinhos no mundo". Como é usual nas turnês anuais, no Brasil acontecerão algumas degustações fechadas e um grande jantar de gala com o leilão de uma das raríssimas Caixas de Coleção PFV a fim de levantar recursos que serão doados à Childhood Brasil. Nos jantares de gala e leilões anteriores, foram levantados cerca de US$ 70 mil para as instituições de caridade selecionadas.



Os 11 membros atuais são: Marchesi Antinori, Château Mouton Rothschild, Joseph Drouhin, Egon Müller Scharzhof, Hugel & Fils, Champagne Pol Roger, Perrin & Fils, Symington Family Estates, Tenuta San Guido, Miguel Torres e Vega-Sicilia

Pensando no futuro

Muito embora a indicação da Childhood Brasil tenha nascido em uma degustação na casa do enófilo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (o Boni), onde François Perrin e a brasileira Bebel Sued encontraram o executivo Paulo Assumpção, não deixa de impressionar a coincidência de que a Childhood Brasil seja a filial brasileira da World Childhood Foundation, criada em 1999 pela rainha Silvia, da Suécia, descendente de brasileiros e esposa do entusiasta de vinhos, o rei Carl XVI Gustaf, que recebeu os membros da FPV em 1999.

A Childhood Brasil, presidida por Rosana Camargo de Arruda Botelho, atua na proteção de crianças e adolescentes contra o abuso e a exploração sexual, que a Childhood define como "fenômenos multicausais, que só podem ser solucionados de forma eficaz por meio de ações integradas entre governos, empresas, organizações sociais e sociedade em geral".

Desde o princípio, a PFV decidiu aproveitar suas turnês e levantar recursos a serem doados a instituições de caridade locais. Dominic Symington ressaltou que "quando se tratava de escolher o tipo de instituição de caridade a ajudar, apareciam diversas opções como, por exemplo, o combate a doenças ou o ambientalismo, mas todos unanimemente se fundamentaram na ideia de sempre apoiarmos instituições de caridade com foco nas crianças". Não é de se surpreender, pois cuidar bem das crianças é exatamente o que se espera de boas famílias.

SÓ PARA ESCOLHIDOS

Os convites para jantar de gala em São Paulo serão oferecidos à venda para uma seleta lista de felizardos e parte dos recursos levantados serão doados para a Childhood Brasil, assim como o resultado integral do leilão de uma Caixa da Coleção PFV. O jantar tem início com uma recepção com Champagne e depois cada prato será acompanhado e harmonizado com dois ou três vinhos ícone das casas Primum Familiae Vini.

No Brasil, os vinhos serão:
Champagne Pol Roger : Cuvée Sir Winston Churchill 1998
Joseph Drouhin : Puligny Montrachet Les Folatières, 2002
Hugel & Fils : Riesling Jubilee 2005
Torres : Mas La Plana 2004
Tenuta San Guido: Sassicaia 2002
Antinori: Tignanello 2001
Perrin & Fils : Château de Beaucastel Hommage à Jacques Perrin 2001
Vega-Sicilia: Único 1994
Rothschild: Château Mouton Rothschild 1996
Egon Müller Scharzhof : Scharzhofberger Auslese Goldkapsel 2007
Symington: Graham's 1994 Vintage Port

Além da oportunidade de fazer o bem e degustar grandes vinhos, os presentes encontrarão membros de cada uma das famílias proprietárias dos membros da PFV: Albiera Antinori (Marchesi Antinori), Philippe de Rothschild (Château Mouton Rothschild), Sebastiano Rosa (Tenuta San Guido), Laurent Drouhin (Joseph Drouhin), Valeska Müller (Egon Müller Scharzhof), Etienne Hugel (Hugel & Fils), Hubert de Billy (Champagne Pol Roger), François Perrin (Perrin & Fils), Dominic Symington (Graham's, Warre's & Dow's Port), Miguel Torres (Torres) e Pablo Álvarez (Vega-Sicilia).


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