Os segredos do "Copa"

Hotel deu fama à praia mais conhecida do Rio de Janeiro e virou símbolo do local


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Copacabana ainda era uma praia desconhecida e quase deserta no início da década de 1920, mas o tempo e a construção de um imponente hotel no local a transformariam em uma das mais famosas do mundo. Com a proximidade da comemoração do centenário da Independência, o presidente Epitácio Pessoa (1919-1922) sentiu a necessidade de um hotel de luxo para hospedar os visitantes que chegariam à então capital federal.

A proposta foi feita ao empresário Octávio Guinle,que a aceitou, mas com a condição de ter licença para o funcionamento de um cassino no prédio. Desta idéia, surgiu um dos hotéis mais luxuosos da América do Sul, o Copacabana Palace.

O edifício começou a ser erguido em 1917, em um terreno em frente à avenida Atlântica. No entanto, ele não ficou pronto na data prevista devido a vários fatores: uma forte ressaca que destruiu a avenida e os andares inferiores do hotel, a dificuldade nas importações de mármores e cristais e a falta de experiência de funcionários e de tecnologia no Brasil para um projeto daquele porte. Com tantos empecilhos, a inauguração do "Copa", como foi apelidado, só ocorreu em 13 de agosto de 1923.

O responsável pelo projeto, o arquiteto francês Joseph Gire, inspirou-se nos hotéis Negresco, em Nice, e Carlton, em Cannes. A construção foi mérito do engenheiro brasileiro César Mello e Cunha. O resultado foi uma planta acadêmica e simétrica que empregou cimento alemão, mármore italiano, vidros e lustres tchecos e móveis franceses.

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A visão do mar das janelas do "Copa" teria impedido Carmem Miranda de se suicidar

As fascinantes histórias

O primeiro hóspede ilustre foi o cientista Albert Einstein, em 1925. A partir dele, a circulação de personalidades de renome mundial pelos corredores se tornou rotina. Os atores Gene Kelly, Fred Astaire, John Wayne, Clark Gable, Dolores Del Rio, Katerine Hepburn, Marlene Dietrich, Robert de Niro, Jean Claude Van Dame, Catherine Zetha-Jones e Anthony Hopkins, o maestro Arturo Toscanini, os cantores Sting e Chuck Berry, o jornalista Gay Talese, o escritor José Saramago, além de Nelson Mandela, a princesa Diana e o príncipe Charles foram alguns dos que assinaram seu "Livro de Ouro".

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Algumas personalidades também protagonizaram histórias curiosas no hotel. É o caso de Orson Welles, que morou lá durante seis meses e, em um acesso de raiva, jogou os móveis de seu quarto na piscina. Também hóspede corrente, Carmem Miranda contou que, graças ao fracasso de seu casamento, pensou em cometer suicídio, em 1954, mas desistiu após olhar a bela vista do mar pela janela de sua suíte. Walt Disney esboçou o famoso personagem "Zé Carioca" dentro de suas instalações. E, nos salões do hotel, em 1928, o presidente Washington Luís seria atingido por um tiro disparado por uma amante.

O Copacabana Palace também foi palco do primeiro concurso de Miss Universo, em 1930, e cenário da película hollywoodiana "Flying down to Rio", gravado inteiro em estúdios nos Estados Unidos, mas ambientado no hotel. De sucesso gigantesco, o filme, produzido em 1933, é um marco por mostrar o casal Fred Astaire e Ginger Rogers dançando juntos pela primeira vez. Depois disso, a fama internacional do "Copa" foi consolidada.

Com a proibição dos jogos de azar no Brasil em 1946, o cassino de Guinle foi fechado e, anos depois, instalado o famoso Teatro Copacabana em seu lugar. Outras mudanças ocorreram:

foram criados dois novos andares no prédio principal, além de um anexo nos fundos, pronto para uso em 1949. Como os hóspedes podem chegar ao espaço por uma passagem subterrânea, acredita-se que nele já tenham ocorrido diversos encontros amorosos secretos.

Para poucos

Desde 1989, o hotel não pertence mais à família Guinle, mas ao grupo Orient Express, que o modernizou sem descaracterizar as instalações. Atualmente, são 225 apartamentos e suítes, sendo 147 no prédio principal e 78 no anexo. O sexto andar abriga as suítes mais luxuosas do hotel, as penthouses. Nele há uma piscina privativa com espetacular vista para a praia. A decoração é formada por tecidos franceses, obras de arte e tapetes orientais. O valor da diária nestes quartos é R$ 5.040, sem contar as taxas.

Outra exclusividade para todos os hóspedes é o aroma único do hotel, conhecido como "cheiro do Copacabana Palace". Além disso, todos os clientes ganham caixas de bombons personalizadas e são sempre chamados por seus nomes pelos funcionários do hotel. Em 1855, o edifício foi tombado pelo patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Thalita Fleury

Publicado em 11 de Dezembro de 2008 às 11:59


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Artigo publicado nesta revista