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    Spray de cálcio pode proteger uvas da fumaça de incêndios

    Estudo analisa impacto da fumaça e busca reduzir o “smoke taint” no vinho

    Spray de cálcio pode proteger uvas da fumaça de incêndios

    por Redação

    Pesquisadores dos Estados Unidos estão investigando uma possível solução para um dos maiores desafios recentes da vitivinicultura: a exposição das uvas à fumaça de incêndios florestais. Um estudo conduzido pela University of California, Davis em parceria com o U.S. Department of Agriculture avalia se a aplicação de um spray de cálcio pode reduzir a absorção de compostos da fumaça pelos frutos e, consequentemente, minimizar impactos sensoriais no vinho.

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    A preocupação cresce à medida que eventos climáticos extremos e incêndios se tornam mais frequentes em regiões produtoras, especialmente na Califórnia, onde a fumaça pode comprometer o aroma, o sabor e a qualidade final do vinho. Esse fenômeno, conhecido como “smoke taint”, está associado a notas defumadas e amargas indesejadas, capazes de afetar tanto a experiência sensorial quanto o valor comercial dos rótulos.

    Os experimentos foram realizados em vinhedos experimentais ligados ao Robert Mondavi Institute for Food and Wine Science, onde videiras de Cabernet Sauvignon e Chardonnay foram expostas controladamente à fumaça produzida a partir de diferentes materiais vegetais. Parte das plantas recebeu o tratamento com cálcio, enquanto outra parcela serviu como grupo de controle, sem exposição direta.

    LEIA TAMBÉM: Uvas contaminadas pela fumaça de incêndios ganham novo destino

    Segundo os pesquisadores, o cálcio já é conhecido por fortalecer a estrutura da casca das uvas, aumentando a resistência a doenças, rachaduras e estresses ambientais. A hipótese científica é que o nutriente possa reforçar as paredes celulares das bagas, dificultando a penetração dos compostos derivados da fumaça durante a fase de maturação, especialmente no período de verão, quando as uvas iniciam o amadurecimento.

    Para avaliar os efeitos, amostras de uvas expostas e não expostas foram submetidas a análises químicas, testes de textura e microvinificações. Parte dos frutos também foi perfurada e examinada para medir a integridade estrutural da casca, um fator considerado decisivo na absorção de substâncias externas.

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    A pesquisa dá continuidade aos estudos pioneiros sobre “smoke taint” desenvolvidos por Anita Oberholster, referência na área de química do vinho e análise de compostos voláteis ligados à fumaça. Os resultados ainda estão em fase de análise, com expectativa de publicação até o fim de 2026 ou início de 2027.

    Se comprovada a eficácia, a técnica poderá representar uma ferramenta relevante para produtores em regiões vulneráveis a incêndios, contribuindo para a proteção da qualidade das uvas e para a sustentabilidade da produção vitivinícola em um cenário de mudanças climáticas.

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