Estudo analisa impacto da fumaça e busca reduzir o “smoke taint” no vinho

por Redação
Pesquisadores dos Estados Unidos estão investigando uma possível solução para um dos maiores desafios recentes da vitivinicultura: a exposição das uvas à fumaça de incêndios florestais. Um estudo conduzido pela University of California, Davis em parceria com o U.S. Department of Agriculture avalia se a aplicação de um spray de cálcio pode reduzir a absorção de compostos da fumaça pelos frutos e, consequentemente, minimizar impactos sensoriais no vinho.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
A preocupação cresce à medida que eventos climáticos extremos e incêndios se tornam mais frequentes em regiões produtoras, especialmente na Califórnia, onde a fumaça pode comprometer o aroma, o sabor e a qualidade final do vinho. Esse fenômeno, conhecido como “smoke taint”, está associado a notas defumadas e amargas indesejadas, capazes de afetar tanto a experiência sensorial quanto o valor comercial dos rótulos.
Os experimentos foram realizados em vinhedos experimentais ligados ao Robert Mondavi Institute for Food and Wine Science, onde videiras de Cabernet Sauvignon e Chardonnay foram expostas controladamente à fumaça produzida a partir de diferentes materiais vegetais. Parte das plantas recebeu o tratamento com cálcio, enquanto outra parcela serviu como grupo de controle, sem exposição direta.
LEIA TAMBÉM: Uvas contaminadas pela fumaça de incêndios ganham novo destino
Segundo os pesquisadores, o cálcio já é conhecido por fortalecer a estrutura da casca das uvas, aumentando a resistência a doenças, rachaduras e estresses ambientais. A hipótese científica é que o nutriente possa reforçar as paredes celulares das bagas, dificultando a penetração dos compostos derivados da fumaça durante a fase de maturação, especialmente no período de verão, quando as uvas iniciam o amadurecimento.
Para avaliar os efeitos, amostras de uvas expostas e não expostas foram submetidas a análises químicas, testes de textura e microvinificações. Parte dos frutos também foi perfurada e examinada para medir a integridade estrutural da casca, um fator considerado decisivo na absorção de substâncias externas.
LEIA TAMBÉM: Casca grossa: porque o Brunello de Montalcino é tão adorado no mundo do vinho
A pesquisa dá continuidade aos estudos pioneiros sobre “smoke taint” desenvolvidos por Anita Oberholster, referência na área de química do vinho e análise de compostos voláteis ligados à fumaça. Os resultados ainda estão em fase de análise, com expectativa de publicação até o fim de 2026 ou início de 2027.
Se comprovada a eficácia, a técnica poderá representar uma ferramenta relevante para produtores em regiões vulneráveis a incêndios, contribuindo para a proteção da qualidade das uvas e para a sustentabilidade da produção vitivinícola em um cenário de mudanças climáticas.