Vinícola testa fermentação com gengibre para conservar vinhos

por Redação
A busca por vinhos com menos intervenção química tem levado produtores a testar alternativas aos sulfitos, tradicionalmente usados na conservação e estabilidade da bebida. Uma das experiências mais curiosas vem da Califórnia, onde uma vinícola passou a utilizar gengibre fresco durante a fermentação como forma natural de preservar o vinho sem aditivos sulfurados.
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A proposta surge em meio ao crescimento do interesse por rótulos naturais e orgânicos, especialmente entre consumidores que buscam processos mais transparentes na produção. No caso estudado, a ideia ganhou força após observações práticas em adega indicarem que o contato do vinho com o gengibre ajudava a manter frescor e evitar sinais de oxidação ao longo do tempo.
Embora a explicação química ainda não seja totalmente clara, o gengibre é conhecido por conter diversos compostos antioxidantes, o que pode contribuir para a estabilidade do líquido durante e após a fermentação. Na prática, o desafio passa a ser o equilíbrio sensorial: a raiz é usada de forma controlada para não dominar o perfil aromático, funcionando mais como um elemento de fundo do que como protagonista.
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Testes ao longo de diferentes safras indicaram que os vinhos mantiveram estabilidade em garrafa e boa evolução, mesmo sem adição de sulfitos, o que chama a atenção em um setor historicamente dependente desse recurso. A técnica também levanta discussões sobre inovação enológica e os limites entre tradição e experimentação.
Como exemplo desse movimento, a vinícola Lumen Wines passou a cofermentar parte de seus rótulos com gengibre, explorando uma abordagem de baixa intervenção alinhada à tendência dos vinhos naturais — um sinal de que novas soluções botânicas podem ganhar espaço na preservação do vinho nos próximos anos.