Praga SWD avança e pode impactar qualidade e manejo do vinho inglês

por Redação
A safra recorde de 2025 nos vinhedos da Inglaterra e do País de Gales, marcada por uvas mais maduras e colheita antecipada, passou a dividir espaço com uma nova preocupação no campo: a crescente presença da mosca spotted wing drosophila (SWD). O inseto, com apenas três milímetros, tem chamado a atenção de produtores por sua capacidade de perfurar a casca das uvas e acelerar processos de podridão próximos à vindima, o que pode comprometer a qualidade dos vinhos.
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Diferentemente de outras drosófilas, a SWD consegue atacar frutos ainda intactos, abrindo caminho para doenças como sour rot e botrytis. Especialistas do setor vitivinícola britânico apontam que a praga já está amplamente estabelecida nas principais regiões produtoras e que o debate deixou de ser sobre sua chegada para se concentrar em quando e com que intensidade ela afetará cada safra.
Consultorias e grupos técnicos do setor, como a WineGB, indicam que o impacto não é uniforme: vinhedos voltados para espumantes, que realizam colheitas mais precoces, tendem a sofrer menos perdas econômicas, enquanto áreas de maturação tardia, especialmente de Pinot Noir, enfrentam riscos mais constantes. Além disso, mesmo infestações discretas podem desencadear problemas sanitários significativos, alterando aromas, estrutura e estabilidade dos vinhos.
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Outro fator que preocupa produtores é a relação entre a praga e as mudanças climáticas. Verões estáveis, outonos mais longos e invernos amenos favorecem múltiplas gerações do inseto e ampliam sua sobrevivência em áreas próximas aos vinhedos, como sebes, pomares e vegetação nativa. Esse cenário exige monitoramento sistemático, manejo de dossel mais eficiente e maior circulação de ar nas vinhas para reduzir ambientes úmidos propícios à proliferação.
Diante desse novo contexto, o setor de vinhos britânico entra em uma fase de adaptação agronômica, na qual tecnologia, vigilância fitossanitária e ajustes no calendário de colheita passam a ser estratégicos. O avanço da SWD reforça que, mesmo em um momento de expansão e reconhecimento internacional do vinho inglês, a sustentabilidade da produção dependerá cada vez mais da capacidade de resposta a ameaças climáticas e biológicas no campo.