Álcool pode induzir o sono, mas prejudica sua qualidade
por Arnaldo Grizzo

A ideia de que uma taça de vinho à noite ajuda a dormir é comum — e tem fundamento parcial. O álcool possui efeito sedativo e pode reduzir a latência do sono, ou seja, ajudar a adormecer mais rápido. Esse efeito ocorre porque o álcool atua no sistema nervoso central, promovendo relaxamento inicial.
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O problema está no que acontece depois. Estudos mostram que, apesar de facilitar o início do sono, o consumo de álcool prejudica sua qualidade ao longo da noite. Há supressão do sono REM — fase ligada aos sonhos e à consolidação da memória — e aumento de despertares nas horas seguintes. O resultado pode ser um sono fragmentado e menos reparador.
Pesquisas que monitoram a atividade cerebral identificaram ainda o chamado padrão “alfa-delta”, no qual ondas associadas à vigília aparecem durante fases profundas do sono. Esse desequilíbrio pode explicar a sensação de cansaço, sonolência diurna e queda de desempenho mesmo após uma noite aparentemente completa.
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Outro ponto de atenção é a tolerância. O organismo se adapta rapidamente aos efeitos sedativos do álcool, exigindo quantidades maiores para produzir o mesmo resultado, o que aumenta os riscos de dependência e outros impactos à saúde.
Para quem tem distúrbios como insônia ou apneia do sono, os efeitos podem ser ainda mais relevantes. O álcool pode agravar problemas respiratórios noturnos e intensificar o ronco. Especialistas recomendam evitar o consumo próximo ao horário de dormir e manter uma rotina regular de sono ao longo da semana.
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Em resumo, embora uma taça de vinho possa induzir relaxamento inicial, o impacto sobre a qualidade do sono tende a ser negativo quando o consumo é frequente ou excessivo. Dormir bem depende mais de regularidade e hábitos consistentes do que de estímulos externos.