EEV pede à União Europeia medidas para proteger o vinho de tarifas dos EUA, que podem gerar perdas de até 30% nas exportações

por Redação
O setor vinícola europeu voltou a manifestar preocupação com a possibilidade de novos impostos sobre as exportações para os Estados Unidos, após o presidente americano Donald Trump anunciar tarifas de 35% para o Canadá e de 15% a 20% para países que não receberem comunicações específicas da Casa Branca.
Segundo a Comité Européen des Entreprises Vins (CEEV), há risco de que vinhos e vinhos aromatizados sejam excluídos do pacote de negociações comerciais entre União Europeia (UE) e EUA, o que deixaria o setor vulnerável à aplicação de novas tarifas.
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“Estamos profundamente preocupados com a potencial exclusão do vinho da lista de produtos sensíveis incluídos no acordo”, afirmou Marzia Varvaglione, presidente do CEEV ao Wine News. Ela alertou que a aplicação definitiva de tarifas ad valorem agravaria a crise já enfrentada por milhares de vinícolas e produtores rurais na Europa.
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações de vinho da UE, representando 27% do valor e 21% do volume total exportado. A CEEV estima que o impacto da tarifa de importação de 10%, em vigor desde abril, já causou uma queda de cerca de 12% nas vendas externas. Caso as tarifas subam para a faixa de 17% a 20%, e considerando a desvalorização de 15% do dólar em relação ao euro, o prejuízo pode alcançar 30%.
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Ignacio Sánchez Recarte, secretário-geral da CEEV, ressaltou que o comércio de vinhos entre UE e EUA beneficia ambos os lados. “As exportações europeias não prejudicam a economia americana; ao contrário, elas a sustentam”, disse. Por meio do sistema de três níveis de distribuição nos EUA, cada dólar gerado por vinhos europeus resulta em US$ 4,50 para os setores de distribuição e hospitalidade americanos. Em 2024, os €4,88 bilhões exportados pela UE teriam movimentado aproximadamente US$ 22 bilhões para empresas americanas.
A CEEV conclui que o vinho é uma relação de benefício mútuo que deve ser preservada e defende mercados abertos e comércio justo para o setor vinícola entre os dois blocos