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Vinho na Bíblia

Qual o significado do vinho na Bíblia?

Bebida milenar, o vinho está fortemente presente nas principais celebrações religiosas do mundo e sua presença na Bíblia tem um significado


Vinho está presente em diversos rituais religiosos de duas das três religiões abraâmicas
Vinho está presente em diversos rituais religiosos de duas das três religiões abraâmicas

O vinho é uma bebida milenar, e, sendo assim, sua associação com a religião ocorre de maneira tão natural que chega até a ser esquecida. Afinal o vinho é presença contstante na Bíblia, do antigo ao novo testamento.

Mas qual o seu significado?

A bebida de Baco está presente em diversos rituais religiosos de duas das três religiões abraâmicas (menos no Islamismo, que não permite consumo de bebidas alcoólicas).

No cristianismo, ele representa o sangue de Jesus; no Judaísmo, é presença constante no Antigo Testamento (de toda a Bíblia, apenas o Livro de Jonas não faz menção ao vinho) e, de acordo com os seguidores de Moisés, a primeira visão do que seria a “Terra Prometida” foi um cacho de uvas.

Catolicismo

No catolicismo, o vinho está intimamente ligado a Jesus. Além da lendária transformação da água em vinho, realizada por ele a pedido de sua mãe nas bodas de Canaã, o acontecimento mais marcante de Cristo com a bebida foi durante a Última Ceia.

O significado do vinho na religião
No catolicismo, o vinho está intimamente ligado a Jesus

Em sua última refeição, depois de ter comido um pedaço de pão, Jesus tomou um cálice de vinho, levantou e disse aos apóstolos: “Este é o meu sangue”. Daí nasceu a Eucaristia, o momento mais importante da missa. No grego, idioma em que foi escrito o Novo Testamento, “eucharistia” era a palavra designada para cerimônias em que havia agradecimentos formais aos deuses. No momento da Eucaristia, o padre personifica o Cristo (o pão representa o corpo, e o vinho, o sangue) e repete as palavras proferidas durante a Santa Ceia.

Para a celebração, é necessário um vinho especial, especificado pelo Concílio de Trento. Segundo essas leis, ele deve ser natural e genuíno, sem a mistura de substâncias estranhas. Geralmente, o vinho usado nas missas é de alto teor alcoólico por não ser guardado em local refrigerado e também para mantê-lo íntegro por mais tempo, uma vez que é consumido aos poucos.

Para os católicos ortodoxos, a relação com o vinho é ainda mais próxima. Durante as cerimônias de casamento, os noivos tomam três goles de vinho cada um, da mesma taça, simbolizando o Pai, o Filho e o Espírito Santo. No batismo, as crianças recebem uma quantidade mínima de vinho e pão.

Judaísmo

Tão importante quanto no catolicismo, o vinho na religião judaica apresenta um sentido completamente diferente, já que os judeus não aceitam a imagem de Jesus como o “filho de Deus”.

Mas a Bíblia conta que, após descer da arca, Noé plantou uma videira para celebrar a vida, e desde então, o vinho simboliza a alegria. Para os judeus, a bebida é uma forma de bênção e é consumido em diversas ocasiões. Ele serve como uma espécie de “fio condutor” das comemorações judaicas. Na Páscoa (Pessach), devem ser tomados quatro cálices; nos casamentos, dois; e nas circuncisões, um.

O significado do vinho na religião
Ilustração encontrada em Bíblia do século 14 mostra Noé produzindo vinho

O início do Sabbath (depois do pôr-do-sol da sexta-feira) é marcado por uma taça de vinho, assim como na cerimônia de Kidush (bênção recitada sobre o vinho para santificar o Sabbath ou outra festa judaica) e na Havdalah, que assinala o final do Sabbath. Mas não é só nas alegrias que o vinho é lembrado. Nos antigos funerais, um “cálice de consolação”, composto por dez taças de vinho, era servido aos parentes mais próximos do falecido.

Os vinhos e demais alimentos consumidos pelos judeus, especialmente pelos mais ortodoxos, têm que ser kosher. Para um vinho ter certificado de “bebida kosher” (kosher quer dizer apropriado em hebraico), é necessário que alguns critérios de produção sejam obedecidos. Não é permitido que sejam usados frutos nos três primeiros anos de plantio da videira.

Apenas a partir do quarto ano é que eles estarão aptos a produzir um vinho “puro”. A cada sete anos, o vinhedo precisa de um ano de descanso. Além disso, desde o momento em que as uvas são prensadas até o engarrafamento do vinho, o caldo não pode ser tocado por ninguém que não seja judeu. Todas as substâncias utilizadas na fabricação da bebida também devem ser kosher e o processo todo é acompanhado por um rabino, afim de garantir o cumprimento das leis.

Carolina Almeida
Publicado em 15/06/2022, às 12h20


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