Além de belíssima, Santorini é a ilha do vinho, na Grécia

O balneário grego tem cerca de 1.200 hectares de vinho e até Denominação de Origem Protegida

Redação Publicado em 15/07/2021, às 08h20

A ilha grega de Santorini também é produtora de belos vinhos 

Diz-se que o pôr do sol mais bonito do mundo pode ser observado da ilha de Santorini, no mar Egeu.

Mas esse disputado balneário grego, além dos luxuosos hotéis, ostenta uma vitivinicultura pródiga que, devido à pressão imobiliária, esteve bastante ameaçada nos últimos anos, mas manteve-se preservada por leis que vieram para proteger essa tradição secular.

Terroir vulcânico 

O nome oficial de Santorini na verdade é Thira. Ela é a ilha mais ao sul das Cíclades, no Egeu. 

Sua geografia é marcada pela erupção de um vulcão, no que se acredita ser uma das maiores e mais devastadoras erupções vulcânica do planeta, há cerca de 3.600 anos. 

O solo de Santorini é uma das marcas do terroir da ilha

Uma grande parte da ilha ficou submersa, criando o arquipélago que existe hoje. Esse solo vulcânico é a marca dos vinhos de Santorini, juntamente com os fortes ventos e neblinas matinais.  

Duas ilhas 

Diz-se que o pôr do sol mais bonito do mundo é o da ilha de Santorini

A denominação de origem protegida (DOP) de Santorini autoriza vinhedos não somente nesta ilha de cerca de 90 quilômetros quadrados, mas também na Thirassia, uma ilha das proximidades. Ao todo, há cerca de 1.200 hectares de vinhas sob a denominação.  

Cesta e pé franco

Os vinhedos de Santorini são em pé franco, sem enxerto como na maior parte do mundo. Lá a filoxera, praga que arrasou vinhedos nos séculos 18 e 19, não sobrevive no solo vulcânico da ilha.

As parreiras de Santorini em pé-franco e em forma de cestas

Os troncos das videiras são podados como uma cesta em forma de coroa (“kouloures” ou “ambelies”) dentro da qual as uvas, protegidas do sol e dos ventos, crescem praticamente sem água, em condições extremas.  

Venezianos 

A cultura do vinho é ancestral no Egeu, mas a região tornou-se muito famosa na Idade Média, quando os cruzados conquistaram Santorini.

Um dos cruzados era um nobre veneziano cuja família manteve o controle da ilha até 1336, quando ela se tornou parte do estado marítimo veneziano, o Ducado de Naxos. Assim o vinho local ganhou tamanha notoriedade que, mesmo após a captura pelos otomanos em 1579, eles continuaram permitindo o comércio da bebida. 

Variedades 

A DOP Santorini autoriza a produção de vinhos brancos secos e doces apenas. 

A uva branca Assyrtiko, nativa de Santorini

Para o vinho seco, as variedades autorizadas são Assyrtiko (mínimo 75%), Aidani e Athiri. Para o vinho doce, Assyrtiko (mínimo 51%) e Aidani (pequenas quantidades de outras variedades de uvas brancas nativas são permitidas).  

Assyrtiko 

Santorini tem muitas variedades nativas, mas a mais importante é a Assyrtiko.

É uma casta originada na ilha, mas que se espalhou por toda a Grécia. E é uma dessas raras variedades de cepas brancas que podem crescer em condições climáticas quentes e secas, com alto teor de álcool, mas mantendo sua acidez.

A ilha no mar Egeu tem um terroir diferenciado

Assim, ela produz principalmente vinhos brancos secos de grande intensidade, mas também tradicionais doces muito longevos.  

Nykteri 

Nykteri ou Nychteri (termo que remete à noite) são os vinhos brancos secos assim chamados por ter a Assyrtiko muito madura (de alto teor alcoólico – mínimo de 13,5%) colhida à noite e feita em blend com Aidani. 

Eles devem ser envelhecidos obrigatoriamente em barricas de carvalho por um período mínimo de três meses.  

Vinsanto 

A indicação “Vinsanto” diz respeito aos vinhos doces. 

Para eles, é necessário que as uvas estejam ultra maduras e que sejam deixadas para secar ao sol, elevando assim a concentração de açúcares para pelo menos 370 gr/l. Os Vinsanto devem ser obrigatoriamente envelhecidos em barricas de carvalho durante, pelo menos, 24 meses.

Há ao todo cerca de 1.200 hectares de vinhas sob a denominação Santorini

Se forem envelhecer por mais tempo, devem permanecer nas barricas por pelo menos quatro anos ou por períodos de tempo múltiplos de quatro. 

Eles podem ser “naturellement doux - vin de raisin passerile” (feitos apenas com uvas passificadas ao sol) ou “vin de liqueur de raisin de passerile” (mosto fortificado de uvas passificadas).

Os Vinsanto podem ser de uma safra específica ou diferentes safras podem ser combinadas, desde que a mais recente seja indicada no rótulo.  

Inclusive uma hipótese para a origem dos Vin Santo italianos, também doces, é que tenham se inspirado nos vinhos da ilha grega de Santorini.

Durante muitos anos, ela foi dominada por mercadores venezianos que comercializavam seu vinho doce natural na Itália, rotulando-o de forma abreviada somente como “Vin Santo”.  

Mezzo 

Apesar de não ser regulado, existe uma espécie de Vinsanto menos doce feito na ilha, o Mezzo, que geralmente é feito a partir de uma combinação de uvas passificadas e não passificadas. 

Ele não faz parte da DOP Santorini.  

Tintos e outro estilos

Apesar da predominância das castas brancas na ilha, há também tintas cultivadas, tais como Mavrotragano, Voudomato e Mandilaria, por exemplo, que dão origem a tintos dos mais variados estilos. Os produtores ainda fazem espumantes e rosés. 

Nenhum desses estilos está contemplado pela denominação de origem de Santorini.  

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