A arte de degustar

Para uma degustação perfeita, é preciso acompanhar a queima e apreciar a evolução dos sabores


No início da degustação, o sabor do charuto é mais suave

Assim como um artista busca a perfeição em uma obra, o apreciador de charuto deve buscar o máximo de prazer na degustação. Para que o ato de degustar seja perfeito, algumas regras básicas devem ser seguidas. Antes de mais nada, o connaisseur deve reservar um momento tranqüilo para se dedicar ao ritual, pois a pressa nunca é bem-vinda nessas ocasiões.

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Se o charuto vier envolvido em papel celofane (como os americanos, por exemplo), ele deve ser retirado para se sentir a profundidade dos seus aromas. Após essas preliminares, o charuto deve ser acendido.

Nunca se deve engolir o fumo de um charuto. As tragadas devem ser suaves, e o ritmo deve ser contínuo. Quanto maior for o ritmo, mais rápida a queima e, conseqüentemente, menor será a percepção dos sabores. O ideal é manter uma freqüência regular, com leves pausas para apreciar cada nuança no paladar.

A evolução da queima

Segundo Arthur Avedissian, gerente da Davidoff, a queima do charuto se resume em três etapas: primeiro, segundo e terceiro terços. “De maneira geral, todo charuto evolui de maneira que você passa do primeiro ao último terço”, explica Arthur.

No primeiro terço, o sabor é bastante suave, pois o calor da brasa ainda não percorreu todo o charuto e ele não está plenamente aquecido. A partir do momento em que se chega ao meio, surgem, no paladar, os elementos mais encorpados e carregados, ou seja, a complexidade do bouquet. Por esse motivo, o segundo terço da degustação deve ser mais longo e melhor apreciado.

Quando a queima está próxima ao anel chega-se à última etapa da degustação. Algumas pessoas, por gostarem do sabor mais acentuado, têm o costume de retirar o anel e seguir com a degustação até o fim. Neste caso, os sabores ficam mais acentuados. Segundo a etiqueta, o correto seria fumar até o limite do anel. Além disso, é o momento em que muitos apagam o charuto. O final apresenta um gosto muito picante, chegando ao amargo, o que pode causar incômodo ao degustador. O importante é guardar as notas mais marcantes e saborosas.

Outro detalhe muito importante: nunca se deve apagar um charuto para degustar o restante em outra ocasião. Quando a evolução da queima é interrompida, ele fica com gosto de resíduos queimados, prejudicando todas as características das notas. O charuto é feito para ser degustado de uma única vez, sem interrupções.

Fernando Roveri

Publicado em 23 de Novembro de 2006 às 12:50


Charutos

Artigo publicado nesta revista