A harmonia entre vinho e poesia

Cantora e compositora consagrada, Lucina destaca sua preferência pelos vinhos franceses e fala de emoções engarrafadas


A cantora e compositora Lucina não deixa faltar em sua casa o francês Sancerre branco e o chileno "Dom Melchor"

O vinho pode ser inserido entre as mais exímias das artes. Assim como a pintura, a literatura e a música, a bebida de Baco proporciona momentos inigualáveis de prazer. Degustar uma boa taça pode se igualar a ouvir uma bela canção, com notas diferenciadas que se assemelham a partituras de alto nível.

Uma prova de que a música e o vinho se entrelaçam é a paixão que a cantora e compositora Lucina nutre pela bebida. Ela iniciou sua carreira como integrante do Grupo Manifesto, em 1967, e cinco anos depois, firmou parceria com a cantora e instrumentista Luli, com quem trabalhou durante 25 anos. Seu trabalho como compositora é nacionalmente conhecido pela voz de cantores como Ney Matogrosso, Joyce, Tetê Espíndola, Nana Caymmi e Zélia Duncan. Uma carreira de mais de trinta anos, em uma trajetória que, segundo ela, "se vincula ao movimento alternativo da música brasileira".

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Lucina conta que sempre gostou muito de vinhos. "Sou uma apreciadora, mas não tenho muita 'bala na agulha' para comprar vinhos caros", brinca a cantora. Sua preferência são os rótulos franceses, especialmente os produzidos na Borgonha. Como gosta de vinhos suaves, mas com identidade, Lucina declara que outra região que lhe encanta é o Loire. Para ela, o melhor vinho produzido lá é o Sancerre branco, mundialmente conhecido pela leveza e sabor. No entanto, para ela, o vinho hors concours, que degustaria sempre, é o "Romanée-Conti". "São muito saborosos, o que me encanta é que são suaves e ao mesmo tempo intensos, com a madeira bastante presente", deleita-se a artista, que acaba de lançar o DVD A Música em Mim.

A cantora tem uma história muito interessante com o vinho. Durante uma turnê pela Europa, ainda em parceira com Luli, ambas se apresentaram em uma estação de esqui na Suíça, em um bar chamado Les Diablere. Quando terminaram o show, foram convidadas por um rapaz para degustar uma taça de vinho. "Ele estava comemorando seu aniversário. Provei a bebida e fiquei maravilhada. Infelizmente não lembro o nome do vinho, mas era magnífico", recorda-se. Na ocasião, ela elogiou todas as qualidades da bebida, e o rapaz retribuiu com uma belíssima justificativa. "Ele me disse que aquele vinho era como a minha música, pois interpretava um país, uma emoção, e ele queria que eu o tomasse justamente para retribuir o que ele sentiu ao ouvir a minha música", diz Lucina. Essa é uma prova de que o vinho, assim como qualquer outro tipo de arte, emociona as pessoas.

Seu próximo projeto doméstico é montar uma adega em seu apartamento.

"Os vinhos do Vale do São Francisco são muito secos, mas são bons", diz Lucina

"Para ter uma adega particular é preciso ter um espaço adequado para isso, e ainda não tive a oportunidade de fazê-lo. Isso é fundamental, pois moro no Rio. As temperaturas são muito altas e, se o vinho não for bem armazenado, pode estragar", conta Lucina. Mas isso não a impede de comprar os rótulos que mais aprecia. Sempre que pode, compra uma garrafa dos vinhos do Loire. E não deixa faltar em casa o "Don Melchor", do produtor chileno Concha y Toro.

Ela declara não ser grande apreciadora de espumantes. E não foi conquistada pela onda dos rosés. Gosta mesmo é de vinhos tintos e brancos. Entre os brasileiros, Lucina já provou diversos rótulos e destaca a produção da região do Vale de São Francisco. "Eles são muito secos, mas são bons", revela.

Alguns músicos costumam trabalhar em estúdio, ou até mesmo compõe canções acompanhados por uma taça de vinho, hábito que não faz parte do trabalho de Lucina. "Tomo vinho quando quero ficar 'quietinha' no meu canto, conversando com amigos ou em pequenas comemorações. Para mim, um momento a dois é uma comemoração, na qual o vinho sempre está presente", revela a artista. Ela é a prova de que a poesia e o vinho harmonizam muito bem.

Fernando Roveri

Publicado em 16 de Abril de 2007 às 13:01


Minha adega

Artigo publicado nesta revista