Revista ADEGA

A arte de beber vinho

Além de ator bem-sucedido, Antonio Calloni também é um enófilo profissional. Ele nos revela as estrelas de sua adega

Alexandre Saconi em 30 de Novembro de 2007 às 10:18

arquivo pessoal
O ator Antonio Calloni com as colinas de Chianti ao fundo

Filho de italianos, nascidos em Lucca, na região de Toscana, Antonio Calloni já nasceu enófilo. “Me lembro que, quando era pequeno, costumava molhar o cantuccini, uma espécie de bolacha de champagne sem o açúcar cristal, em um vinho bem doce. Seu nome era Vin Santo”, recorda Calloni, ator experiente, com diversas novelas e filmes no currículo.

Com raízes italianas, ele possui um carinho especial pelos vinhos deste país. Apesar disso, seu paladar não olha para rótulos. “Gosto de vinhos bons, e se o vinho é bom e me agrada, não importa de onde veio”, ressalta. Embora não goste de carregar garrafas em suas viagens, preferindo comprá-las em importadoras, uma vez arriscou e trouxe um Barbaresco de Angelo Gaja. Ele explica: “Sempre quis provar um Nebbiolo que me deixasse encantado.

Entre os melhores vinhos que já degustou, ele cita um Amarone de la Valpolicella, produzido na região de seus antepassados. Além de confraternizar com a própria história, o vinho é, para Calloni, um “espaço para socializarmos com aqueles que mais gostamos”. Após anos e anos de estudo, o ator tornou-se connoisseur e atualmente ministra palestras sobre a bebida. Em suas pesquisas de rótulos inéditos, ele já degustou vinhos gregos e sírios (sim, eles existem), desconhecidos fora de suas regiões.

Mas não é só fora do país que ele busca o que há de melhor. “É uma tremenda bobagem, quase um crime, não gostar dos vinhos nacionais!”, diz Calloni, que foi um dos participantes do painel de comentaristas da XV Avaliação Nacional de Vinhos. Para ele, sobressairam-se os vinhos da Aurora e da Dal Pizzol: “São fantásticos. Muitos outros também se destacam. Os brasileiros estão aprendendo a trabalhar com seu terroir cada vez mais. Entretanto, ainda falta acidez nos vinhos do Sul”. Sobre os espumantes, ele é taxativo: “Recomendo todos”.

Na sua adega, os vinhos hours concours são os rosés da Provence, com um destaque para a safra de 2005, que ele descreve como maravilhosa. “Precisamos mais dos brancos, rosés e espumantes, em respeito ao clima brasileiro. Os tintos são bem vindos, mas devem ser mais comuns em regiões mais frias, e não tão quentes como a nossa. Por isso acredito que principalmente os rosés são uma forte tendência agora”, diz o ator. Sobre os brancos nacionais, ele guarda um Sauvignon Blanc da Villa Francioni.

Como os enófilos mais refinados, que sabem aproveitar tudo o que Baco oferece de melhor, ele aprecia os mais variados estilos de vinho. “Existe um para cada momento”, ensina ele, que destaca ainda em seu rol de melhores vinhos os Petrus 79, 81, 94 e 97 e o “Vaio Armaron Amarone de la Valpolicella 2000”. Para ele, o choque de estilos entre Velho e Novo Mundo é uma guerra na qual os apreciadores de vinho são os ganhadores. “Temos um gosto exuberante, e não devemos ficar achando que somos de outro país. Se tudo for igual, o mundo do vinho perde a graça”, declara. Para encerrar a entrevista, Calloni deixa um ensinamento: “Quem bebe o vinho o faz com comedimento e com sabedoria. Não faz disto um vício, mas sim, um hábito saudável, que socializa as pessoas”.


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