Revista ADEGA

Um enófilo espontâneo

O ator Tony Ramos abre sua adega à nossa equipe, declara a paixão por harmonizações intuitivas e defende os vinhos brasileiros

Alexandre Saconi em 17 de Dezembro de 2007 às 15:03

TV GLOBO-Renato Rocha Miranda
O ator no papel de Antenor Cavalcanti, na novela Paraíso Tropical

''É ao se pedir um champagne que se conhece o verdadeiro canastrão”. Com essa frase, o ator paranaense Antônio de Carvalho Barbosa abriu a entrevista. Talvez você nunca tenha ouvido falar nesse nome. Ele brilhou nos holofotes como Tony Ramos, nome artístico escolhido na época em que era costume adotar a versão americanizada do próprio nome. Precoce, aos 14 anos atuou pela primeira vez em uma novela, gênero central de sua carreira até hoje. No cinema, protagonizou o filme Se eu Fosse Você.

Deixando de lado seu currículo profissional, voltemos à frase inicial desta matéria. Tony Ramos explica-se: “Se a pessoa for discreta, pedir um champagne de forma miúda, ou pedir ajuda, sem alarde, ela é boa degustadora, saberá apreciar a bebida. No entanto, se o fizer em voz alta, chamando a atenção de todos, é um verdadeiro canastrão!”. Em sintonia com o tema central dessa edição de ADEGA, os champagnes, o ator declara sua paixão pelos cuvèes franceses. Além deles, também aprecia espumantes espanhóis e um português, do Alentejo.

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E os espumantes brasileiros, estrelas de nosso terroir? Ocupam uma posição de destaque em sua taça. “Insisto que devemos acabar com o preconceito contra os vinhos nacionais de uma forma geral. Nossos espumantes são maravilhosos. Não deixam nada a desejar em muitos aspectos”, comenta o ator. Ele observa uma homogeneidade do mercado desta bebida no Brasil, com uma leve predominância da Chandon e da Salton. Há dez anos, ficou muito impressionado com um vinho da Dal Pizzol.

Em casa, o ator mantém uma adega de 48 garrafas, sempre abastecida. Ela é subdividida da seguinte forma: Quatro champagnes (sendo dois rosés e dois bruts), um vinho de sobremesa, seis brancos (que variam de Chablis a Chardonnays chilenos), dois borgonhas, e, pelo menos, dois brasileiros. Para falar da qualidade dos nossos vinhos, gosta de compará-los aos norte-americanos: “Veja só o caso dos californianos. Nós, assim como eles, saímos da noite para o dia produzindo vinhos bons, depois de esforço e desenvolvimento”.

Mesmo sem nunca ter degustado um Romanée-Conti (embora deseje poder fazêlo), Tony Ramos diz que os melhores vinhos que já degustou fogem aos rótulos tradicionais da maioria dos connaisseurs. A premissa é: agradar ao seu paladar. Em sua lista de melhores: “Vega Sicilia”, “Quinta dos Loridos” e “Montalcino Falconieri”. Para ele, é necessário buscar o bom senso na hora de comprar os rótulos mais caros. “É preciso contar até mil, e, em alguns casos até dois mil, antes de comprar. A maioria das vezes é por não haver necessidade de desembolsar um valor muito alto, procurando melhores relações custobenefício. O bom vinho está no meio do povo”, justifica o ator.

TV GLOBO-Márcio de Souza
Os vinhos "Vega Sicilia", "Quinta dos Loridos" e "Montacino Falconieri" são estrelas na memória de Tony Ramos

Ele não se apega aos rituais de degustação. “Quando vou degustar um vinho, o aprecio e identifico suas principais características. Se elas me agradam, são bem vindas”, explica o ator, que adora beber ótimos tintos portugueses com peixe assado, fugindo às harmonizações tradicionais. Segundo ele, não é preciso seguir um ritual elaborado para se apreciar um bom rótulo. Um exemplo de harmonização que costuma fazer é uma macarronada, só com tomate e manjericão, com um Chablis. “Sou anti-convencional na parte da celebração do vinho. O primeiro gole não pode grudar na boca. É aí que verifico se não há um embate entre ele e meu paladar. Uma vez que há harmonia, está tudo ok”, diz Tony Ramos.

Sua iniciação ao mundo de Baco ocorreu por intermédio de sua esposa, Lidiane. Sentiu-se atraído pela forma como a família de sua mulher encarava o mundo do vinho. De origem italiana, ela sempre dizia que havia momentos específicos para se abrir uma garrafa de vinho, como celebrações familiares, Natais em família, Páscoa, nascimentos, chegada de um grande amigo. Mas o momento ideal, mesmo, é em um encontro romântico.

Uma de suas histórias mais engraçadas com o vinho foi na primeira viagem com sua esposa, há 33 anos. Em Veneza, encontraram um restaurante com uma lagosta, de preço acessível. Pediram um prato para cada um. Para acompanhar, um vinho do Veneto, indicado pelo proprietário do restaurante, que lhes cortejava pessoalmente. “Na hora de pagar a conta, percebemos que o preço era por 100 gramas. A refeição saiu caríssima. No final, minha esposa disse que, mesmo pagando caro, o vinho e o momento tinham feito tudo valer a pena”, diz aos risos, provando que uma das missões do vinho é marcar momentos.


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Artigo publicado nesta revista


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