Revista ADEGA

A marca da tradição

O terroir do Château Beaulieu era um dos mais valorizados pelos connaisseurs do Império Romano

Fernando Roveri em 26 de Janeiro de 2007 às 12:07

Château Beaulieu/divulgação

fotos: Château Beaulieu/divulgação
Vinhedo da vinícola

Considerada o paraíso dos enófilos, a França ainda preserva em diversas regiões a tradição na produção de seus vinhos. Não é de se admirar que o país exiba os chateaux mais tradicionais com histórias milenares. Um de seus melhores exemplos, situados na região de Provence, é o Château Beaulieu. Situado na cratera de um vulcão extinto, o único do país, sua história remonta ao Império Romano e passa por nomes conhecidos da nobreza francesa. Transformada em feudo por Henri III, em 1576, a propriedade pertenceu aos condes da Provence. Outro notável proprietário do castelo foi o rei René de Provence, no século XVI.

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fotos: Château Beaulieu/divulgação
Detalhe do jardim

O terroir, preservado ao longo dos séculos, é o maior de toda a região. E certamente os romanos apreciavam suas características, pois a vinícola era entrecortada por cinco estradas romanas e, em escavações recentes, foram encontrados pedaços de ânforas, vasos em formato oval e com asas simétricas utilizados para armazenar bebidas. Elas eram as "barricas" do Império Romano. Além desses vestígios do passado, a vinícola possui três aquedutos subterrâneos que drenam a água e estão sendo restaurados.

O Château

O Château Beaulieu abriga mais de 169 hectares de vinhas plantadas no coração da imensa cratera do vulcão extinto da Trévaresse, com 350 metros de altitude. Lá, podem ser encontradas castas de Grenache, Cabernet Sauvignon, Syrah, Sémillon e Ugni-Blanc, plantadas em um terroir caracterizado pela presença de basalto, que confere aos vinhos uma personalidade própria.

fotos: Château Beaulieu/divulgação
O jardim é ornamentado por belas cercas vivas

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Para se chegar ao castelo, atravessa-se uma estrada longa e reta. À distância já é possível avistar a tradicional bodega. A bela construção tem três andares, com janelas imponentes. Duas torres nas laterais denunciam um estilo arquitetônico mais recente do que o resto da construção. Foram incorporadas no período napoleônico, em 1720. Na lateral da construção, o visitante encontra uma imagem que enche os olhos: um jardim tecnicamente construído, com cercas vivas minuciosamente esculpidas em uma mais perfeita combinação da natureza com o talento artístico do homem, inspirada na evolução da humanidade proposta pelo Iluminismo e pela filosofia de Voltaire como se fôssemos o personagem de sua obra "Micrômegas" ao passearmos por tão perfeitas formas.

fotos: Château Beaulieu/divulgação
Cave de armazenamento do vinho

O interior da construção abriga amplos aposentos. No piso térreo, encontra-se uma ampla - e aconchegante - sala de jantar. O teto é adornado por belíssimas pinturas antigas que remetem aos valores tradicionais franceses como caça, música e religião. No andar superior do castelo, um dos aposentos abriga uma capela cujas paredes estão revestidas por imagens sacras, sinal do período em que o rei René viveu no local. Conhecido como o Rei Piedoso, ele ostentava entre seus onze títulos nobiliárquicos o título de Rei de Jerusalém.

fotos: Château Beaulieu/divulgação
Pinturas na parede e no teto remetem a valores tradicionais franceses

Adquirida há quatro anos por Pierre Guenand, mecenas e comerciante, a propriedade passa por uma extensa reforma. Ela pode ser definida como uma volta ao passado, com a renovação dos poços romanos, a remoção de estruturas não originais (talvez as torres napoleônicas sejam demolidas), a pintura do castelo nas cores primitivas etc. Sua intenção também é a renovação de parte dos vinhedos que datam do século XI. A adega, construída no século XX, será desativada e transferida para a parte antiga do castelo.

A visita ao Château Beaulieu é uma viagem à história da bebida de Baco na terra santa dos enófilos.

fotos: Château Beaulieu/divulgação
Vinho produzido na bodega

Enoarquitetura

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