Revista ADEGA

Aborígenes, cangurus, coalas e azeites

Assim como fizeram com o vinho, os australianos querem transformar seu azeite em um produto de destaque

Da redação em 23 de Setembro de 2010 às 14:41


Conhecida pelas diferentes espécies de marsupiais que nela habitam, pelos aborígines com seus bumerangues e seus enormes instrumentos musicais de sopro, chamados didgeridoo, pela grande barreira de corais e também por suas lindas praias, a Austrália começa a se tornar um novo fenômeno no mundo do óleo de oliva.

Este “país-continente” do Novo Mundo já tem no vinho um produto de destaque e agora volta seus interesses também para o mundo da olivicultura, hoje ainda muito fragmentada e em pequenas escalas, mas que, no entanto, tem demonstrado grande potencial de qualidade.

A indústria de óleo de oliva australiana vem se expandindo rapidamente ainda que esteja no seu início. Isso ocorre uma vez que descobriram o potencial de seu produto e a capacidade de elaborar um azeite que possa competir no mesmo patamar do resto do mundo, uma descoberta similar à que tiveram com o vinho, cerca de 30 anos atrás.


História
As oliveiras foram as primeiras árvores “exóticas” levadas para a Austrália. Uma espécie localizada em Parramata, Sydney, data do final do século XVIII. Um pouco mais tarde, por volta de 1800, foram introduzidas as primeiras oliveiras em New South Wales e a olivicultura começou a se estender a alguns outros estados.

Durante o século XIX, os cultivadores estavam convencidos de que o fato de plantarem as novas oliveiras não trazia somente um impacto positivo para a agricultura, mas que se tratava de uma cultura muito rentável para o desenvolvimento econômico colonial.

No início do século XX, a olivicultura continuava sendo um setor delicado em razão de sua baixa demanda e de seu preço elevado. A partir da segunda metade do século XX, começa a aumentar de forma significativa graças à chegada de imigrantes de origem mediterrânea, gregos e italianos principalmente, que tinham suas pequenas produções familiares, visando, ao menos, o próprio consumo.


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Foi nos anos de 1990, com o crescimento do interesse pela dieta mediterrânea, que alguns vinicultores passaram a ter as olivas como seu produto secundário, e assim foram surgindo os novos investidores.

As primeiras oliveiras australianas são do fim do século XVIII


A indústria hoje
A indústria olivicultora é ainda muito fragmentada, porém novas plantações vêm se multiplicando principalmente em regiões tradicionalmente vinicultoras como: Margaret River, Clare Valley, McLaren Valley e Barossa Valley.

Muitos empresários e investidores acreditam no potencial australiano para a produção de um óleo de oliva de qualidade que seja até mais econômico que o de seus concorrentes europeus. Para eles, o mercado interno deve se tornar o seu principal nicho, mas esperam também encontrar sua fatia no hemisfério norte, exportando um óleo mais fresco durante o verão europeu.

Todo esse estudo se encontra em uma fase experimental. Diferentes cultivares ainda estão sendo analisados a fim de encontrar uma variedade de azeitona que possa se adaptar bem às diversas condições de solo, clima e altitude encontradas na região sul do país. Existe um grande interesse no cultivar israelita Barnea.


O óleo australiano
As olivas australianas são cultivadas ao longo de toda a parte sul do país, uma vez que sua porção norte tropical é demasiado úmida. Os melhores óleos de oliva em geral são provenientes dos produtores localizados em altitudes mais elevadas.


A olivicultura é presente na parte sul do país e os melhores óleos vêm de locais mais altos

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Com algumas poucas exceções, o azeite australiano está livre de possíveis doenças. O clima seco de lá torna o fungo e a contaminação por bactérias um problema menor do que o encontrado nos países europeus, e principalmente a não existência da bactrocera oleae, a principal praga das azeitonas.

O óleo da terra do canguru possui uma acidez baixa e, em geral, tem como principal característica ser colhido tardiamente, obtendo assim notas mais suaves e amendoadas. Muitos dizem que é azeite australiano que devemos degustar caso queiramos descobrir como costumava ser o óleo da Toscana antes de as azeitonas começarem a ser colhidas precocemente. Porém, existem também alguns produtores que colhem suas olivas antes de se encontrarem maduras. A grande desvantagem desse processo é o risco que correm de eventualmente elaborar um azeite com um amargor muito acentuado.

A qualidade do produto australiano é um pouco instável. Alguns óleos de colheita tardia são tão suaves que acabam por se tornar quase ausentes de sabor e aroma. Por outro lado, existem também azeites de oliva com uma extraordinária intensidade de sabor, com notas exóticas, oferecendo uma distinta competitividade para o mercado.


Azeite

Artigo publicado nesta revista


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