Aqui quem manda é "parreira"

O país sede da Copa 2010, depende de "parreira"... no azeite e no futebol


Luna Garcia

A Copa do Mundo 2010 começa com alguns países apontados como principais candidatos ao título. Mas o que isso tem a ver com o óleo de oliva? Justamente dois dos principais favoritos são também favoritos quando falamos de azeite: a Espanha, campeã da última edição da Eurocopa e também maior produtora de azeite de oliva; e a Itália, atual campeã do mundo e segunda maior produtora do óleo.

Já a anfitriã da Copa, a África do Sul, não possui muita tradição no futebol e tampouco na produção do óleo de oliva e, em ambos os casos, é dependente de "parreira". No futebol, do treinador brasileiro Carlos Alberto Parreira. Na produção de azeite, costuma ser um produto secundário dos produtores de vinho e de suas plantações de parreiras.

A história do óleo sul-africano começa com Ferdinando Costa, um enfermeiro italiano que, no começo do século XX, chegou a Cidade do Cabo e avistou um zambujeiro que crescia nas encostas da Table Mountain e enxergou ali um potencial desenvolvimento da olivicultura na região. A partir de então, Ferdinando importou cultivares italianos para propagar o cultivo de oliveiras em sua fazenda, localizada em Paarl, e foi assim impulsionando essa produção que, no início, foi muito lenta, uma vez que a população local não tinha o hábito de consumir azeite de oliva.

Seu consumo começou a crescer mais tarde, após a II Guerra Mundial. Foi quando ocorreu um fluxo de imigração italiana e portuguesa e um consequente crescimento da indústria turística e da conscientização da população em relação aos benefícios do óleo de oliva. Em 1956, foi criada a Associação Sul-Africana dos Olivicultores, e assim continuou se desenvolvendo o cultivo do óleo de oliva com o crescimento das chamadas "boutique oil-makers", presentes em algumas propriedades produtoras de vinho. Elas vêm surpreendendo com a produção de azeites, que são, por vezes, comparados a óleos espanhóis e italianos de primeira qualidade.

Região Produtora

Principalmente na área situada entre Wellington e Stellenbosch, Western Cape é hoje a região produtora mais importante do país, tendo Paarl - onde se localizava a fazenda de Ferdinando - como seu centro. Essa é uma área que possui um clima mediterrâneo muito propício, com verões quentes e secos e invernos amenos e úmidos. Essa região é responsável por cerca de 90% da produção do país, sendo representada por mais de 120 produtores.

A maioria dos pequenos produtores possui olivais em uma área que não ultrapassa os 10 hectares, sendo plantações compartilhadas, na maioria das vezes, com as produções de vinho.

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Principais Cultivares

Missión é hoje o cultivar mais plantado por ser extremamente adaptável, sendo utilizado tanto para azeitonas de mesa quanto para a produção do óleo. Há ainda Kalamata, ideal para o consumo de mesa, azeitonas pretas, já que possui uma concentração menor de óleo do que a Missión. É menos adaptável e, por isso, mais difícil de ser propagada. Existem ainda outras três variedades: Manzanilla, principalmente utilizada na produção de azeitonas verdes de mesa e possui pouca concentração de óleo; Barouni, conhecida com a rainha das azeitonas verdes de mesa, devido ao seu tamanho e a sua pouca concentração do óleo; e Frantoio, utilizada principalmente para a produção dos óleos de maior qualidade.

Western Cape é a região produtora mais importante da África do Sul, responsável por 90% da produção do país. A variedade mais plantada é a Missión

A colheita desses cultivares é feita diferentemente dependendo de sua utilização final. Quando possuem as características de uma azeitona de mesa são colhidas manualmente. Já quando se destinam à produção do óleo de oliva são, em geral, colhidas com o auxilio de redes. O período da colheita também varia de acordo com o cultivar e com seu destino, ocorrendo em um período que vai de fevereiro a julho.

As azeitonas de mesa representam 70% da produção total e a produção do azeite de oliva está voltada principalmente para o consumo local, que gira em torno de 800 toneladas por ano, sendo cerca de 250 produzidas localmente. Apesar de ainda representar uma produção pequena, os azeites de oliva extravirgem sul-africanos estão entre os melhores do mundo, sendo comparados aos "grandes favoritos". Veremos se na Copa a anfitriã também poderá surpreender.

João Calderón

Publicado em 1 de Junho de 2010 às 12:42


Azeite

Artigo publicado nesta revista