Como surgiu a classificação de 1855 e o que ela diz sobre qualidade
por Aguinaldo Záckia Albert

A região de Bordeaux, na França, é referência mundial quando o assunto é classificação de vinhos. Muito antes da legislação moderna do país, produtores e negociantes já buscavam organizar o mercado com base na qualidade. Esse movimento ganhou força no século XIX, quando o crescimento da produção trouxe também vinhos de menor padrão sendo vendidos sob o prestígio da região.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
Foi nesse contexto que surgiu, em 1855, a famosa classificação dos Crus Classés, elaborada por especialistas a pedido do governo francês. A lista reuniu 87 vinhos considerados os melhores da época, organizados em uma hierarquia que vai dos Premiers Crus (primeiros) aos Cinquièmes Crus (quintos). A seleção concentrou-se principalmente no Médoc, com exceção do icônico Château Haut-Brion, de Graves.
Essa classificação permanece praticamente inalterada até hoje — um caso raro no mundo do vinho. A única grande mudança ocorreu em 1973, quando o Château Mouton-Rothschild foi promovido de Deuxième para Premier Cru Classé, por decreto do então presidente Charles de Gaulle.
LEIA TAMBÉM: Margem direita ou esquerda: como entender os vinhos de Bordeaux
No Médoc, os vinhos são divididos em cinco níveis:
LEIA TAMBÉM: Terra de tintos famosos, o Médoc passa a ter vinhos brancos em sua denominação
Essa hierarquia ajudou a organizar preços, reputação e exportações, tornando-se um dos pilares do mercado de vinhos finos.
LEIA TAMBÉM: Quais são as uvas usadas no blend de Bordeaux?
Nem toda Bordeaux segue o modelo de 1855. Outras regiões criaram sistemas próprios:
LEIA TAMBÉM: 10 curiosidades sobre cada um dos cinco Premier Cru Classés de Bordeaux
Além disso, surgiu em 1932 a categoria Cru Bourgeois, criada para valorizar vinhos de boa qualidade fora da elite dos classés.
Leia também: Dicas de passeios pela cidade de Saint-Émilion
Dentro de Bordeaux, o Médoc concentra alguns dos nomes mais prestigiados do mundo, especialmente no Haut-Médoc, onde estão as principais comunas:
LEIA TAMBÉM: Aurélien Valance: o líder do Château Margaux
Essas áreas compartilham solos ricos em cascalho (graves), fundamentais para a drenagem e qualidade das uvas, especialmente a Cabernet Sauvignon.
LEIA TAMBÉM: Conheça como surgiu a Cabernet Sauvignon e seus melhores vinhos
Curiosamente, Pomerol não possui uma classificação oficial. Ainda assim, abriga alguns dos vinhos mais caros e desejados do mundo, como o Château Petrus e Le Pin, mostrando que reputação também pode ser construída fora dos sistemas formais.
LEIA TAMBÉM: A história de um “Premier Cru” do Pomerol
A classificação de Bordeaux continua sendo uma das principais referências para entender qualidade, estilo e prestígio no mundo do vinho. Mesmo com críticas ao seu caráter estático, ela ainda influencia preços, mercado e percepção dos consumidores.
Para quem quer explorar Bordeaux, conhecer essa hierarquia é um ótimo ponto de partida — mas não o único. Afinal, grandes vinhos também surgem fora das classificações tradicionais.
A seguir, confira os melhores vinhos de Bordeaux até R$ 1.500 degustados por ADEGA:
+lidas

Morre Benjamín Romeo, nome histórico do vinho de Rioja

Corrida entre vinhedos movimenta enoturismo na Serra Gaúcha

Douro vai além do vinho do Porto com grandes tintos

Conheça os tipos de recipientes de fermentação do vinho

Confira os dados do primeiro semestre do mercado brasileiro de vinhos e espumantes