Temperaturas acima da média aceleraram a maturação das uvas, mas safra mantém potencial de qualidade

por Redação
As temperaturas elevadas anteciparam a vindima de 2026 na Região Demarcada do Douro, em Portugal, em aproximadamente oito dias em relação à média histórica. O dado consta do balanço final do ano vitícola divulgado pela Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), que aponta um ciclo marcado pelo calor persistente e pela distribuição irregular das chuvas.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
Segundo o levantamento, as condições meteorológicas aceleraram o desenvolvimento das videiras e a maturação das uvas. Apesar das temperaturas elevadas e da desidratação registrada na reta final do ciclo, a produtividade média das parcelas monitoradas permaneceu próxima ao padrão histórico, com 1,76 kg de uvas por videira.
O peso médio dos cachos aumentou 7%, compensando a redução na quantidade de cachos por planta. Outro aspecto positivo foi a baixa incidência das principais doenças da vinha ao longo da campanha, reduzindo a pressão fitossanitária sobre os produtores.
As análises dos mostos revelaram uma tendência de aumento do álcool provável e do pH, acompanhada pela redução da acidez total e da concentração de antocianinas, compostos responsáveis por parte da coloração dos vinhos tintos.
LEIA TAMBÉM: Douro vai além do vinho do Porto com grandes tintos
Essas alterações refletem os efeitos das condições climáticas sobre a maturação e podem influenciar o perfil dos vinhos produzidos na região.
Mesmo diante dos desafios impostos pelo calor, a ADVID considera que os indicadores analisados apontam para uma safra com potencial de elevada qualidade. O balanço de 2026 reforça, porém, a importância do acompanhamento climático e da gestão dos vinhedos em uma região particularmente sensível às temperaturas extremas.