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    Cognac: da origem nos vinhedos da Charente à consolidação como denominação de origem controlada

    Um dos símbolos da França, o Cognac, durante a permanência em barricas, se apropria da cor e dos aromas do carvalho

    por Euclides Penedo Borges

    cognac
    Cognac tem origem na destilação de vinhos brancos

    Produto da destilação de vinhos brancos, o Cognac é uma bebida que, durante longa permanência em barricas, se apropria da cor e dos aromas que o carvalho lhe transfere.

    O VSOP, por exemplo, amadurece em barricas por cinco anos ou mais. O carvalho usado é de alta porosidade e com pouco tanino. Consequentemente, as perdas por evaporação nesse período de amadurecimento são impressionantes. Os recintos de estocagem são o habitat de um fungo que vive das emanações alcoólicas das barricas. Elas são tão intensas que se perde um volume de Cognac por ano equivalente ao que se consome dessa bebida na França.

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    Vinho básico

    Ainda que um Cognac legítimo tenha a complexidade de um grande vinho, seus precedentes nada têm de extraordinários. São pouco alcoólicos e muito ácidos, originados da uva Ugni Blanc, cultivada em área delimitada, em solo calcário e clima temperado e chuvoso.

    A delimitação da área deu-se em 1938, quando a denominação Cognac foi subdividida nas seis áreas atuais. Isso ocorreu às vésperas da Segunda Grande Guerra, quando a bebida já possuía um longo rastro na história.

    O sal destrói!

    Em tempos passados, nos séculos XIV e XV, os vinhedos em torno de Cognac, no oeste da França, originavam vinhos populares, ácidos e pouco alcoólicos, requisitados pelos marinheiros dos navios que aportavam para carregar o sal da Charente, perto de Cognac. Não demorou para que as barricas de tais vinhos passassem a desembarcar no norte da Europa como complemento de carga dos navios que transportavam sal, também em barricas.

    LEIA TAMBÉM: Armagnac ou Cognac? Conheça as (várias) diferenças entre os elegantes destilados franceses

    Essa condição mercantil prosperou de tal forma que começou a faltar espaço, nos porões, para o vinho. Surge, então, a ideia de destilar o vinho para que ele ocupe um volume menor. No século XVII, os holandeses instalam os primeiros alambiques na Charente, aperfeiçoados pelos franceses que introduzem a dupla destilação.

    Em consequência do atraso nos embarques, percebe-se que o destilado se beneficia com o estacionamento em barricas de carvalho e que pode ser consumido puro. Estava descoberto o Cognac como o conhecemos hoje.

    A Filoxera destrói!

    Durante o século XVII, o mercado de Cognac é organizado. São criados escritórios de representação em várias cidades que coletam a bebida de diversas fontes e encarregam-se de colocá-la na Holanda, na Inglaterra e, posteriormente, na América e no Extremo Oriente. Criam-se paralelamente as indústrias conexas: garrafas, caixas, rolhas, impressos.

    LEIA TAMBÉM: Cognac: os segredos da bebida francesa

    Por volta de 1875, porém, a praga da Filoxera, na Charente, destrói quase todo o vinhedo. Falta Cognac no mundo, e quem se beneficia disso é o uísque, uma aguardente da Escócia que passa a comandar o mercado de destilados.

    Delimitação

    A reconstituição do vinhedo da Charente vai se dar trinta anos mais tarde com o recurso à enxertia. Antes disso, o geólogo Henri Coquand havia caracterizado os solos da região em torno de Cognac, entre La Rochelle e Angoulême.

    Com base nos estudos de Coquand, realiza-se a delimitação, em 1909, da área exclusiva do Cognac. A partir daí foram reconhecidos os três crus de Cognac, denominados Champagne, Borderie e Bois.

    LEIA TAMBÉM: A origem do cognac e o sonho diabólico que gerou a bebida

    O Cognac tem, então, condições para se constituir em uma Denominação de Origem Controlada, o que acontece em 1936. Dois anos depois, as três áreas são subdivididas nas áreas de cultivo atuais: Grande Champagne, Petite Champagne, Les Borderies, Fins Bois, Bons Bois e Bois à Terroirs.

    Ainda que não seja obrigatório, as garrafas de certos Cognacs têm estampado, no rótulo, um desses nomes.

    Nos dias de hoje

    No rótulo da garrafa de Cognac é obrigatório constar o nome da Denominação (Cognac ou Eau-de-Vie des Charentes), o conteúdo (ml ou cl) e o teor alcoólico (40% mínimo).

    LEIA TAMBÉM: Ovos de concreto: como essa técnica influencia vinhos no Brasil e no mundo

    É facultativa a menção à sub-região (Grande Champagne, Fins Bois etc...) e à designação de envelhecimento (VS ou Very Special, VSOP ou Very Superior Old Pale, ou Napoleon X.O.). Nesses formatos, o Cognac é importado por cerca de 160 países do mundo e tido como produto de alta qualidade, símbolo da França e de sua arte de bem viver.

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