A fermentação em ovos de concreto é usada em diversos lugares do mundo
por Redação

Considerando tantos aspectos positivos, os ovos de concreto, que começaram sua história na Borgonha, hoje são utilizados em vinícolas de todo o mundo, incluindo países como Estados Unidos, Itália, Espanha, África do Sul, Austrália, Chile e Argentina. No Brasil, o uso é mais recente e, por exemplo, a jovem e promissora Vinícola Guaspari, localizada em Espírito Santo do Pinhal, interior de São Paulo, possui ovo de concreto para elaborar seu Sauvignon blanc.
O enólogo francês Julien Brocard vê os ovos de concreto como o meio mais neutro para vinificar seus Chablis e faz uso deles de acordo com o estilo de vinho que pretende obter. “Nosso objetivo é produzir vinhos que reflitam nossos 'single vineyards', por isso, a cada ano procuramos combinar da melhor forma possível cada parcela de vinhedo com o método de vinificação a ser utilizado. Se as uvas precisam de um 'approach' mais hermético, usamos tanques de aço, mas para vinhos que necessitam de micro-oxigenação usamos foudres de madeira ou ovos de concreto”.
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A californiana Spottswoode tem vinificado em ovos de concreto desde 2006, principalmente seu Sauvignon blanc. A enóloga Jennifer Williams conta que as experimentações “visam aumentar a mineralidade e o corpo dos brancos ao mesmo tempo”, destacando que “o concreto preserva o caráter natural da Sauvignon, enquanto lhe confere corpo e complexidade”.
Por fim, afirma que “os ovos atuam muito como os barris de carvalho ao conferir textura ao vinho sem, entretanto, trazer sabores especiados e de baunilha, preservando a fruta e os aromas, como o aço inoxidável”.
Nem toda a história dos ovos de concreto é feita de flores. De 2001-2011, Marc Nomblot havia vendido em torno de 800 ovos. Essa “popularidade” acabou por gerar desconforto em Michel Chapoutier, que nada recebeu com essas vendas e acredita que merecia ser recompensado pelo fato de ter desenhado os ovos, embora não tenha registrado sua patente.
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Chapoutier afirma que o projeto do primeiro ovo de concreto resultou de dois anos de seu trabalho e pesquisas, passado apenas para ser construído por Nomblot que, não obstante, nunca lhe pagou um centavo.
Em 2012, Chapoutier chegou a ameaçar processar o Grupo Bonna Sabla, que comprou a empresa de Nomblot. Em sua defesa, Marc Nomblot afirmou que o projeto dos ovos é todo baseado na proporção áurea e não é invenção nem dele, nem de Chapoutier. De fato, os ovos de concreto guardam semelhanças tanto com as ânforas romanas quanto com as Qvevri feitas por artesãos da Geórgia.
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