Revista ADEGA

De olho no futuro

Quais serão as próximas regiões e uvas a encantar o mundo? O que continua muito bom, e as surpresas que vêm por aí, ADEGA conta em primeira mão para você.

Luiz Gastão Bolonhez em 30 de Junho de 2006 às 07:56

fotos: divulgação
Valle de Uco em Mendoza (Argentina)

Falando em futuro, os próximos dez anos vão trazer aos amantes dos vinhos grandes surpresas. De regiões vinícolas emergentes, à confirmação de tradicionais regiões que lideram a produção dos melhores exemplares do planeta, o fato é que boas novidades vão rechear as adegas ao redor do mundo. As já consagradas regiões produtoras de vinhos bons, Bordeaux, Borgonha e Rhône, na França continuarão a nos oferecer os melhores vinhos do mundo. Não há como negar que a França, quando o assunto é 'Grandes Vinhos', continua na vanguarda mundial e provavelmente continuará por mais vários anos. Nesse quesito, a França quase sempre é imbatível. Nos meus arquivos tenho o ranking dos dez melhores vinhos que já provei, a França tem seis nessa lista. Isso provavelmente é uma realidade para quase todos os amantes de vinho.

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Toscana e Piemonte, na Itália, continuarão produzindo grandes expoentes. A Toscana adotou o Cabernet Sauvignon, Merlot e até Syrah para 'casar' com a local Sangiovese, e tudo deu certo, visto que os vinhos dessa região conquistaram o mundo. O Piemonte com a sua uva local, a especialíssima e elegante Nebbiolo, vem ganhando espaço. Aqui, os pontos vão para alguns corajosos produtores que realmente decidiram mudar e produzir vinhos à base dessa uva, mais prazerosos enquanto jovens. Antes, era preciso esperar de dez a vinte anos para provar um bom Barolo/ Barbaresco, pois os indomáveis taninos dessa uva demoravam muito para amansar. Hoje, graças à inovação dos produtores conhecidos como modernistas, conseguimos degustar esses vinhos com cinco anos, já apresentando prazer (sem dúvida seria melhor esperar mais tempo, mas na realidade a grande maioria dos amantes de vinhos não quer esperar 20 anos para beber). A Ribera Del Duero e Rioja, na Espanha, também continuarão colocando grandes vinhos em nossas mesas.

fotos: divulgação
Rio Negro Winery Desert - Argentina

Do Novo Mundo temos regiões que já têm seu destaque há algumas décadas. South Australia e Victoria, na Austrália, e os vale de Napa e Sonoma, nos EUA, continuarão produzindo vinhos muito apreciados e desejados em todo o mundo. As regiões emergentes são privilégio tanto do Novo quanto do Velho Mundo, para nossa felicidade.

No velho continente, temos em Portugal, talvez a maior revolução quando falamos de vinhos. Esse país renasceu e decidiu produzir vinhos para todo mundo beber e não como antigamente, quando eram produzidos apenas para serem degustados e compreendidos pelos próprios portugueses. A grande estrela dessa transformação foi a região do Douro. Antes, as uvas de qualidade dessa região iam direto para a produção dos maravilhosos e marcantes vinhos do Porto, que é sem dúvida o vinho fortificado de maior expressão dentre todos. Pois bem, há cerca de dez ou quinze anos, muitos produtores de uvas que vendiam até então tudo aos produtores de Porto decidiram produzir vinhos de mesa com suas uvas e daí nascia uma nova região produtora de vinhos. Os vinhos do Douro hoje estão entre os mais deliciosos vinhos da Europa quando o assunto é 'Vinhos Jovens'. Alguns vinhos dessa região da safra 2003 são absolutamente espetaculares e o melhor, desde os premium até os básicos, estão fazendo a diferença. Vale a pena provar vinhos do Douro 2003.

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No quente Alentejo também podemos considerar que tudo mudou e, para os apreciadores de vinhos intensos e quentes, pode-se esperar bons exemplares de safras recentes.

Na Espanha, as regiões que vão crescer muito e conquistar muitos enófilos são o Priorato, ao sul de Barcelona; o Somontano, nos Pirineus de onde se avista a França; Bierzo, quase na fronteira com Portugal em plena cordilheira Cantábrica; e Toro.

A região de Toro fica localizada nas cercanias da cidade de Zamora, ao norte da encantadora Salamanca. Nessa região vamos encontrar os mais intensos Tempranillos (Tinta de Toro) do planeta. Para quem gosta de intensidade, profundidade e robustez é só provar.

Bierzo é uma região que foi quase inventada pelo genial Álvaro Palácios, que, de origem riojana, foi ao Priorato e começou a produzir os vinhos mais caros da Espanha. Em Bierzo, o mais interessante é que a fama dos novos vinhos vem de uma uva local, que, aliás, vai dar o que falar. Ela chama-se Mencía.

O Somontano é especializado em uvas francesas como Cabernet Sauvignon e Merlot, além de podermos encontrar excelentes Chardonnays, encontramos vinhos a bons preços. Por último, do Priorato, que podemos dizer não ser emergente, pois já conquistou o mundo, podemos esperar que as 'Garnachas' vão continuar fazendo furor. O problema desses vinhos é que são muito caros, mas vale explicar que a produtividade das parreiras dessa lindíssima região está entre as mais baixas no mundo.

fotos: divulgação
Vinhas do Vale do Limarí (viña Tabali) Rio Negro Winery Desert - Argentina abali) - Chile

Na França, temos em todo o Languedoc Roussillon uma eterna promessa, mas que não consegue conquistar o mundo. A sensação que passa é que são os próprios franceses que continuam só focando na tradição, pois é dessa tradição que vem a maior renda e fama do país. Mas a realidade é que temos vinhos muito especiais nessa região e a preços honestos. O destaque dessa região é a uva Carignan que, ao lado da Syrah e Grenache, cada vez mais produz vinhos de qualidade. Minervois é apelação de maior potencial para os próximos anos. Fiquem de olho.

A Itália produz vinhos em todas as regiões e, para os amantes do vinho, não temos na Bota só Toscana e Piemonte. Desse fantástico país, além das regiões, o que faz a diferença são as uvas locais. A uva Teroldego Rotaliano, autóctone da região do Trentino, é responsável por produzir verdadeiras maravilhas. Essa região fica entre Trento e Bolzano e produz vinhos com muita presença e personalidade. A Montepulciano D'Abruzzo é o carro chefe da região do Abruzzo, que desponta cada vez mais na produção de vinhos de alta gama. Infelizmente, a Montepulciano foi banalizada, mas de dez anos para cá, muitos produtores decidiram extrair o que essa uva tem de melhor. Podemos apostar na Montepulciano.

Ainda como destaque temos o sul da Itália, com uma grande gama de uvas e regiões. As regiões da Campânia e Basilicata, com a uva Aglianico, vão estar em breve despontando como o que há de melhor na Itália. A Puglia, região que produz mais vinho em volume na Itália, também acordou e está mostrando ao mundo que podemos ter excepcionais vinhos à base da Aglianico e da também local Negro Amaro. Por último, podemos mencionar que o futuro já chegou para a Sicília, hoje a região mais valorizada na Itália e que já conquistou uma posição de respeito no cenário mundial, mas podemos garantir que essa região vai crescer ainda muito mais, quando o assunto for vinhos de qualidade.

Os países emergentes na Europa na produção de vinhos de qualidade são respectivamente Suíça e Romênia. Na Suíça, as belíssimas regiões de Valais e Vaud (nas cercanias do especial Lago Léman) entram hoje no cenário internacional produzindo cada vez melhores vinhos.

A Romênia decidiu parar de só produzir vinhos ordinários e entrou definitivamente como um importante player no cenário europeu. A região Dealul Mare ganha reputação na Europa produzindo, dentre outros vinhos, bons Pinots Noirs.

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Novo mundo

Csaba Moldován/Stock.XchngNa linguagem do mundo do vinho, tudo que é produzido fora da Europa, faz parte da produção do Novo Mundo. E é lá que as mudanças são impressionantes e a cada dia temos muitas e boas novidades.

Dos países com tradição vitivinícola, a África do Sul, a Austrália e a Nova Zelândia também desenvolvem novas regiões. Na África do Sul, a grande sensação é a remodelação e a modernização da antiga região de Constância e a franca expansão da consagrada Stellenbosch.

Na Austrália o destaque é para o Western Austrália, que, pelas condições climáticas, produz vinhos com um poder inacreditável tanto de tintos quanto de brancos. Margaret River de todo o oeste da Austrália é a grande pérola. Olhos muito abertos para essa região.

Ainda na Oceania temos na Ilha norte da Nova Zelândia um potencial enorme para produção de tintos, já que a ilha sul produz brancos a alguns anos, na sua maioria Sauvignon Blanc, e tintos Pinot Noirs de renome internacional. Hawkes Bay se desenvolve como a bola da vez nesse promissor país.

Quando mudamos de continente e vamos em direção a América do Sul, chegamos aos países que hoje dominam o mercado brasileiro quando o assunto é vinho importado, Chile e Argentina. No Chile, Vinhas do Vale do Limarí (viña Tabali) Rio Negro Winery Desert - Argentina abali) - Chile fotos: divulgação nos últimos anos, tivemos duas grandes descobertas - o Vale do Limarí, ao norte de Santiago, e o Vale de Leyda, ao sul da cidade de Valparaíso. O Vale do Limarí, quase no meio de um grande deserto, produz vinhos espetaculares tanto tintos como brancos. Seus vinhos brancos à base da uva Chardonnay são hoje o que há de melhor em toda a América do Sul. O Vale de Leyda, com suas brisas marítimas do Pacífico, está reproduzindo condições climáticas esplêndidas para a produção de vinhos brancos e Pinot Noirs. Essas duas regiões ao lado do vale do Colchagua são as regiões do Chile que produzirão os melhores vinhos nos próximos anos. Acreditem!

Ainda na América Latina temos na vizinha Argentina a grande explosão vitivinícola dos últimos anos. O interessante aqui é que, há dez anos atrás, não tínhamos nenhum vinho argentino que custasse mais de R$ 100 no Brasil; hoje temos pelo menos 50 rótulos acima dessa cifra e até alguns acima de R$ 200. Um verdadeiro fenômeno. Na Argentina, temos no Valle de Uco, em Mendoza, a jóia que desponta e que atrai os maiores investimentos nos últimos anos, bem como as regiões de Neuquen e Rio Negro, ambas ao sul de Mendoza. A região de Rio Negro, Patagônia, hoje produz os mais concentrados Malbecs do mundo. Já Neuquem a cada dia coloca no mercado vinhos de maior intensidade e profundidade.

Ainda na América, agora na do Norte, a região de Ontário, no Canadá, entra definitivamente no cenário dos bons vinhos (não somente Ice Wines que são uma religião no país) e, como uma grata surpresa, temos um grandíssimo desenvolvimento na produção de bons vinhos no estado de Nova York. Fingers Lake e o Vale do rio Hudson produzem a cada dia vinhos mais especiais e numa região que tem poucos anos de vida na produção de uvas vitivinícolas. O destaque nessas regiões são os gostosos Rieslings. Ainda nos Estados Unidos teremos a consolidação do estado do Oregon, com destaque para o Vale de Willamette e seus deliciosos Pinots Noir.

Já temos muitas evidências para apostar num futuro cheio de boas notícias para o mundo do vinho. O melhor é que ainda novas regiões vão continuar despontando, pelo menos é o que nos indicam os desbravadores desse segmento. Um brinde a eles e às suas próximas descobertas.

Tradições firmes e fortes

Velho Mundo:
França - Bordeaux, Borgonha e Rhône
Itália - Toscana e Piemonte
Espanha - Ribera Del Duero e Rioja

Novo Mundo:
Austrália - ‘South Australia’ e Victoria
Estados Unidos - Napa e Sonoma Valleys


Boas novas

Velho Mundo:
• Portugal - Douro e Alentejo
• Espanha - Bierzo, Somontano, Priorato e Toro
• Itália - Trentino, Abruzzo, Campânia, Basilicata, Puglia e Sicília
• França - Todo Languedoc Rossillon (Destaque - Minervois)
• Romênia - Dealul Mare
• Suíça - Valais e Vaud

Novo Mundo:
• Austrália - Todo Western (Destaque - Margaret River)
• Nova Zelândia - Hawkes Bay
• Chile - Vale do Limarí, Vale de Leyda e Novos do Vale de Colchagua
• Argentina - Vale de Uco, Rio Negro (Patagônia) e Neuquen
• Canadá – Ontário (Península de Niagara, Ilha Peele e Lago Erie)
• Estados Unidos - Nova York (Fingers Lake e Vale do rio Hudson) e Oregon (Willamette)


Capa

Artigo publicado nesta revista


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