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    O que beber com frutos do mar? Veja as melhores combinações

    Brancos, rosés, tintos... Como fazer a combinação perfeita de vinhos com peixes e frutos do mar nas festas de fim de ano!

    por Sílvia Mascella Rosa

    vinho e frutos do mar
    Vinhos e frutos do mar: guia de harmonização para diferentes preparações

    O Brasil tem uma enorme costa oceânica, são mais de 8 mil quilômetros que se estendem de norte a sul, em mares de águas quentes e frias, garantindo uma variedade de frutos do mar imensa, em preparações não somente regionais, mas também nas tradições francesa, italiana, japonesa e espanhola.

    Dessa forma, combinar peixes e crustáceos com vinhos é um desafio divertido, que pode ser vencido se deixarmos de lado as caipirinhas e a cerveja e abraçarmos os belos espumantes, rosés e brancos disponíveis no mercado.

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    Base e cobertura

    Um dos grandes desafios da harmonização é fazer com que tanto a comida quanto a bebida sejam valorizadas, assim é essencial considerar não apenas o peixe ou crustáceo que será comido, mas principalmente a sua preparação, seu tempero e seu molho, pois muitos frutos do mar têm sabor delicado e sutil e é a preparação que os diferencia.

    É assim que aquela velha premissa de "peixe com vinho branco" é abalada, principalmente por quem realmente quer experimentar a riqueza dos animais do mar acompanhada dos frutos fermentados da videira.

    peixe e vinho branco
    A regra "peixe com vinho branco" é sempre uma boa pedida, mas vinhos rosés também podem combinar

    A sommelière Eliana Araújo, que trabalha também em Trancoso, na Bahia, dá algumas dicas diretamente da areia da praia: "O frescor dos espumantes é uma boa saída quando aparecem em nossa culinária do Norte e Nordeste as especiarias, as pimentas, o dendê e o leite de coco", e acrescenta que, nesses pratos, o cozimento reforça os temperos, portanto a acidez dos espumantes pode valorizar essas receitas tão intensas, permitindo ao paladar que fique limpo para a próxima garfada.

    LEIA TAMBÉM: Sugestões de harmonização para vinhos feitos com a uva Syrah

    Mas, para a moqueca de peixe, especificamente, uma boa combinação são os vinhos brancos secos, pouco alcoólicos, de países frios, como a Nova Zelândia, o Chile e o Uruguai: "Sauvignon Blanc, Riesling e Chenin Blanc desses países serão bons para enfrentar a untuosidade de todos os ingredientes fortes e intensos como dendê, coentro, coco, pimentão, alho, cebola, nesse grande caldeirão de sabores e aromas", completa Eliana.

    Nas técnicas de harmonização existem algumas poucas regras de ouro, principalmente quando ingredientes de difícil combinação estão em primeiro plano. Um bom exemplo disso são os peixes delicados preparados com alcaparras ou azeitonas; eles pedem um vinho muito específico, o espanhol fortificado Jerez, o vinho ideal para pratos em que o sal se sobrepõe a tudo.

    Simplicidade

    Poucas coisas na vida são mais agradáveis do que sentar-se na beira do mar, sentir a brisa no corpo e saborear um aperitivo. Para essas coisas simples, como camarões fritos, ostras e pequenos peixes empanados, uma boa combinação são os frescos e aromáticos Sauvignon Blancs e os Chardonnays sem madeira.

    LEIA TAMBÉM: Harmonização com Vinhos de Portugal

    O Brasil já tem bons representantes da Sauvignon, mas o Chile continua sendo o país com a melhor relação custo-benefício para essa uva. E se não temos nenhum problema para levarmos uma bolsa térmica para a praia, não há motivos para que nela não esteja também uma boa garrafa de vinho branco, daqueles com tampa de rosca para facilitar o consumo.

    Outra excelente pedida para acompanhar peixes são os vinhos rosés. A sommelière Eliana indica os da região francesa da Provence, que também fica perto da costa mediterrânea do país, e acompanham bem pratos temperados, mas em preparações mais tradicionais, como a caldeirada, os peixes na brasa e até a popularíssima casquinha de siri (que também faz excelente par com um Chardonnay que tenha passado por barrica).

    paella
    A paella, assim como o bacalhau, é um prato intenso, que pede vinhos mais encorpados

    Uma taça de sofisticação

    Talvez a maior dificuldade nas combinações de vinhos e peixes seja o fato de que os brasileiros conhecem pouco os vinhos brancos; assim, ficam com a impressão de que todos são leves e de sabor delicado.

    LEIA TAMBÉM: Qual o vinho certo para harmonizar com bacalhau?

    Isso não é verdade. Um bom exemplo é o dos molhos brancos (com base de leite e manteiga) que são parceiros íntimos dos vinhos com a uva Chardonnay e, nesse caso, podem acompanhar os crustáceos, como a lagosta, os lagostins e os risotos com camarão. Sua acidez e untuosidade serão perfeitas com esses ingredientes, assim, quanto mais pesado for o prato, escolha Chardonnays mais encorpados, em geral do Velho Mundo e com passagem por madeira.

    Até mesmo as massas com frutos do mar apreciam a companhia de vinhos refrescantes e com aromas sedutores, como os da uva Gewürztraminer e alguns portugueses como, por exemplo, os da uva Arinto.

    salmão
    Um bom espumante Brut certamente combinará com o salmão cru dos sashimis, e vários pratos japoneses

    Uma combinação muito tradicional é a das sardinhas na brasa ou em escabeche que devem ser servidas com um Vinho Verde português, fresco e com boa acidez. A quantidade de mineral presente nesse peixe é de muito difícil combinação com praticamente qualquer outro vinho. A sommelière carioca Deise Novakoski, no entanto, sugere uma inovação, um italiano Soave Classico, produzido no norte do país.

    LEIA TAMBÉM: Como ler rótulos de vinhos italianos: Guia completo para consumidores

    O salmão, que não é pescado por aqui, se popularizou no Brasil através da culinária japonesa e acabou conquistando paladares, fazendo dele presença constante em muitos cardápios. Quando servido cru, em sashimis, pede a combinação de um espumante Brut, que deverá acompanhar bem todos os pratos da culinária japonesa, inclusive os famosos temakis.

    Mas, se for cozido, assado ou grelhado, o salmão fará bom par com um rosé de boa estrutura, de Portugal ou até mesmo da Espanha, e com um tinto leve do Novo Mundo, como um Pinot Noir e até um Syrah.

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