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    Maior incêndio da França em 80 anos devasta vinhedos em Corbières

    Incêndio no departamento de Aude, sul da França, destruiu 17 mil hectares e afetou gravemente a produção de vinho em Corbières

    Imagem Maior incêndio da França em 80 anos devasta vinhedos em Corbières

    por Redação

    O maior incêndio florestal registrado na França em quase oito décadas foi contido, mas o caminho para a recuperação nas áreas atingidas, especialmente na região vinícola de Corbières, será longo.

    De acordo com o francês RFI, o fogo devastou mais de 17 mil hectares no departamento de Aude, no sul do país, incluindo vinhedos já fragilizados por anos de seca e eventos climáticos extremos.

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    As chamas começaram na terça-feira (5), e avançaram a uma velocidade de até mil hectares por hora, impulsionadas por ventos fortes e vegetação seca. Até o momento, cerca de 2 mil moradores e turistas foram evacuados, 36 residências foram destruídas, 20 danificadas e milhares de propriedades ficaram sem eletricidade. Uma mulher morreu após se recusar a deixar sua casa, e 18 pessoas ficaram feridas, sendo 16 bombeiros.

    O trabalho de combate prossegue, com equipes monitorando focos remanescentes devido ao risco de reignição. As estradas permanecem bloqueadas por cabos caídos e destroços, e abrigos temporários foram montados em escolas e centros comunitários para os deslocados. Segundo autoridades locais, mudanças no uso do solo agravaram a vulnerabilidade da região: cerca de 5 mil hectares de vinhedos foram arrancados no último ano, eliminando barreiras naturais contra o avanço do fogo.

    O impacto econômico e cultural é significativo. Estima-se que até 900 hectares de vinhedos, o equivalente a nove quilômetros quadrados, tenham sido destruídos, com perda ou comprometimento de até 80% da produção local. Para viticultores que já enfrentavam prejuízos devido à seca e à instabilidade climática, a recuperação pode levar anos. O replantio exige pelo menos três anos para que as novas videiras comecem a produzir uvas.

    LEIA TAMBÉM: Mercado de Vinhos no Brasil: Análise do Primeiro Semestre de 2025

    Produtores locais descrevem um cenário de destruição generalizada, com colinas queimadas e propriedades reduzidas a cinzas. Alguns vinhedos, que atuaram como corta-fogo, permaneceram intactos, criando manchas verdes isoladas no meio da paisagem carbonizada. Apesar das perdas, há relatos de resistência e solidariedade, com viticultores auxiliando no combate às chamas e na proteção de propriedades vizinhas.

    As autoridades ambientais atribuem o episódio à combinação de aquecimento global e seca prolongada, classificando o incêndio como o mais grave desde 1949. Investigações sobre a causa específica ainda estão em andamento, mas o evento reforça alertas sobre a necessidade de medidas preventivas mais robustas diante do aumento do risco de incêndios na região mediterrânea.

    O restabelecimento da atividade vitivinícola dependerá não apenas da recuperação física das áreas queimadas, mas também de apoio econômico e técnico para produtores. Especialistas apontam que a reconstrução demandará investimentos em replantio, infraestrutura e estratégias para mitigar danos de eventos climáticos extremos, preservando a tradição vinícola e a economia local.

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